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Bom dia!
Quinta-feira é dia de passar o inventário do que ficou parado no caminho. Nas granjas dos focos de Newcastle, o comprador agora tem nome, e é dos grandes. No posto, a portaria dos testes do E35 ganhou prazo até o fim do mês que vem. Na revenda, a Basf chega ao trimestre da safra com a prateleira de defensivo mais cheia do que queria. E no canavial, a chuva deixou uma montanha de cana em pé, com data marcada para virar dinheiro só no ano que vem. Descendo a tela tem mais.
Pra você saber o que anda e o que fica parado na sua conta.
Por Luciana Stival
TÁ QUANTO?
Os dados são publicados por Cepea.
As variações são calculadas em YTD (Year to date).
O Banco Mundial vê as commodities alimentícias subindo neste ano e no próximo, com a guerra travando embarques de grãos e o El Niño ameaçando safras. No custo, o banco projeta fertilizante mais caro neste ano e de volta ao nível do ano passado já no próximo.
BATEU O MARTELO
Raízen acerta R$ 22,4 bi de imposto, e só R$ 2,5 bi saem do caixa

Fonte: Giphy
Quem entrega cana para a Raízen ou tem ação dela espera o plano de reestruturação andar, e na quarta caiu uma trava: a empresa fechou com a PGFN e a Receita uma transação tributária de R$ 22,4 bilhões, condição precedente do plano.
Fatura de R$ 22,4 bilhões assusta; o que importa é como se paga. Da parte que cabe à Raízen, R$ 8,5 bilhões a União perdoou em multa e juro, outro pedaço ela quita com prejuízo fiscal que já tinha, e o que sai do caixa são R$ 2,5 bilhões, nesta safra. Para quem espera receber da empresa, a linha que conta é a última: dinheiro vivo é a menor fatia da fatura.
Trava fora, a notícia do mesmo dia é pior: a Raízen revisou as projeções da safra 26/27 e vê perspectiva de curto prazo mais desafiadora na Raízen Energia, por clima adverso e macro pior. E a dívida da Raízen com os credores já tem candidato a comprador: pela Bloomberg Línea, com fontes anônimas, a FS, de etanol de milho, e o fundo Mubadala avaliam comprar dívida da Raízen antes que vire ação, em conversa preliminar e sem garantia.
O fornecedor leva dessa fatura o método para a renegociação dele no banco: separar perdão, crédito seu e o que sai do caixa, porque só a última linha é dinheiro. E quem tem ação já tem data: a assembleia de acionistas é amanhã, 30 de outubro.
COMO TÁ LÁ FORA?
Basf vende 19,7% menos no agro, e o estoque sobe

Fonte: AgFeed
Se você ainda não fechou o defensivo da safra, o balanço da Basf de quarta é leitura obrigatória: a divisão agrícola vendeu 19,7% menos no 3º trimestre, com menos volume e preço menor, enquanto o resto do grupo cresceu cobrando mais caro pela química. Na mesma loja, o corredor da química subiu o preço e vendeu mais; o do agro ficou com a prateleira cheia.
A linha que mais caiu foi a de herbicida, 31,3% a menos, e o estoque da divisão subiu. A Basf explica parte da queda pelo calendário: na região que inclui a América do Sul, antecipou vendas para o 2º trimestre por causa da troca do sistema de gestão, e o preço menor pesou junto. A AgFeed lê o mesmo número como pressão competitiva, sobretudo na América do Sul; as duas leituras dão no mesmo balcão: produto parado e concorrente em cima.
O trimestre que desencalha é o seu: a Basf espera recuperação sazonal no 4º, que ela chama de mais forte que o trimestre que passou, e, como já contamos aqui, quer essa divisão pronta para a bolsa até meados de 2027. Loja que chega à Black Friday com estoque cheio e estreia na bolsa marcada negocia com quem ainda tem pedido para fazer.
O mesmo balanço avisa o limite da pechincha: energia e fertilizante mais caros prejudicaram a rentabilidade do produtor, e desconto no defensivo não paga o adubo. Na compra que falta, porém, quem tem pressa é a loja: cote o herbicida de novo antes de fechar, porque a prateleira que mais encalhou é a que mais precisa sair.
SAFRA DE CIFRAS
Açúcar cai 27% na quinzena, mas Sucden vê até 60 milhões de toneladas de cana em pé

Fonte: Giphy
O estrago da chuva no açúcar ganhou número oficial na quarta: a produção do Centro-Sul caiu 27,1% na primeira quinzena de outubro, sobre um ano antes, pelo Ministério da Agricultura. Nova York quase não se mexeu, menos de 1% no açúcar bruto.
Sobre esse preço, na Conferência Datagro, o diretor de estratégia da LDC disse que ele já está inflado pela posição comprada dos fundos, apostando num açúcar que, nas palavras dele, não existe. As usinas, por sua vez, aproveitaram o rali para fixar metade da produção de 2027/28: açúcar com preço antes da cana ser cortada.
E cana por cortar é o que não falta: a Sucden, trading de açúcar, estima até 60 milhões de toneladas bisadas, em pé até a safra que vem, igualando o recorde de 2009/10. Para quem entrega cana, é receita deste ano guardada no campo para 2027, e ali ela perde: pela LDC, essa cana tende a cristalizar pior. E o precedente cobra: em 2009/10, a bisada inflou a safra seguinte, envelheceu o canavial e ajudou a explicar a quebra de 2011/12.
Quanto dessa cana vira dinheiro depende da usina religar a moenda em março, e o CEO da Vital acha muito difícil. Por isso a pergunta que vale mais que a tela de Nova York é para a sua usina: quando começa a moer e em que ordem a bisada entra. Essa resposta, não o preço do dia, diz quanto da cana de hoje vira receita em 2027.
A CONTA CHEGOU
Frimesa admite aperto: sai a festa, fica o plano até 2032

Fonte: AgFeed
Quem entrega suíno ou leite à Frimesa viu circular na terça um comunicado interno em que a cooperativa corta viagem, patrocínio, brinde, doação e festa de fim de ano em todas as unidades, por "dificuldades econômicas e financeiras enfrentadas neste ano de 2026".
O corte pesa pelo contraste com o ano da cooperativa de Medianeira: escritório novo em São Paulo, logotipo no ombro do Corinthians e, em 2025, faturamento recorde de R$ 7,04 bilhões. Sem contar que a cooperativa processou 3,2 milhões de suínos e 258 milhões de litros de leite em 2025. Em nota, a Frimesa chamou o corte de gestão natural de eficiência, para sustentar o cronograma de investimentos até 2032, cuja meta, anunciada no começo do ano, é dobrar a receita, para R$ 15 bilhões; mas a AgFeed vê nessa meta uma dose a mais de incerteza. É o anfitrião que cancela a ceia deste ano para garantir que a festa de 2032 continue marcada.
Para a granja e o tambo, a nota promete não mexer em fornecimento, qualidade e segurança e renova o compromisso com os associados. Já sobre preço pago e prazo de pagamento, as matérias não dizem nada.
O que o integrado pode fazer agora é guardar a nota: fornecimento, qualidade e segurança estão por escrito, e é com esse papel na mão que se confere a próxima tabela e o próximo pagamento, onde se vê se o aperto ficou no salão ou chegou ao balcão de quem entrega.
MEXEU NO SEU BOLSO
Cana, laranja e amendoim: SP dá o número para renegociar a dívida

Fonte: Giphy
O produtor paulista de cana, laranja ou amendoim tem até 12 de novembro para pedir a renegociação da MP 1.376, e o laudo que o banco exige ganhou na quarta uma base oficial: a Secretaria de Agricultura de São Paulo divulgou o diagnóstico das perdas nas três cadeias, para fortalecer a negociação do produtor com os bancos, mas o exame veio ruim nas três:
na cana, o custo agrícola subiu cerca de 73% desde a safra 2020/21, para R$ 177 por tonelada, e o próprio estudo põe o ponto de equilíbrio em 81 toneladas por hectare, acima das 78 que o canavial médio entrega. Traduzindo, a cana média de São Paulo fecha no vermelho antes de ser colhida.
na laranja, o estudo projeta prejuízo de R$ 4,8 mil por hectare no pomar sem greening.
no amendoim, de R$ 5,9 mil em 2026.
Só que exame da turma não é atestado: o estudo se declara setorial e referencial, e não substitui o laudo individual, feito por profissional habilitado, que a MP exige. O estado mediu apenas a média da sala.
E do outro lado do balcão, a carteira de crédito rural do Santander para pessoa física caiu 18,7% em um ano, com o banco citando pressão no agronegócio.
Até 12 de novembro, o caminho é levar ao banco o número do estudo e o da sua lavoura lado a lado: o estado já provou que o setor perde, e falta provar que você perdeu, que é o que o banco vai analisar.
NAS CABEÇAS DO AGRO
A Agrion paga, a Cerradão assina por dez anos

Fonte: AgFeed
A torta de filtro, resíduo da cana que a usina costuma devolver ao canavial, virou, na quarta, um negócio de R$ 46 milhões.
A Agrion lançou em Frutal (MG) a pedra fundamental de uma fábrica de fertilizante organomineral dentro da Usina Cerradão, feita desse resíduo; só o NPK vem de fora. Organomineral é adubo mineral encapsulado em matéria orgânica, que solta nutriente aos poucos, e aqui a matéria orgânica é a que a usina antes espalhava no campo.
Mas a Cerradão não põe dinheiro na obra: assina um contrato de compra obrigatória por dez anos, o take or pay que lastreia a captação da Agrion, e tem até cinco anos para se tornar sócia da fábrica.
O CEO da Agrion fala em quase R$ 20 milhões por ano de ganho direto para a usina parceira, somando pátio de compostagem, pagamento pela torta e aplicação no campo que a usina deixa de fazer, e em 10% a mais de cana, medidos na Aroeira, a primeira parceira, por avaliação da própria usina com a Agrion e uma consultoria; os mesmos 10% que ele projetava em 2023, na inauguração dela.
Para quem entrega cana à Cerradão, o adubo não fica dentro do muro: o fornecedor também compra, o excedente vai a produtor de grãos e café da região e, em usina que mói milho, vira moeda de barter para fixar o preço do grão. Só não conte com ele na próxima adubação: a previsão é operar em junho de 2027.
PLANTÃO RURAL
As granjas dos dois primeiros focos de Newcastle em Santa Catarina fornecem perus para a MBRF: procurada, a MBRF não comentou, com o terceiro foco, uma granja comercial de 9,6 mil perus em Nova Erechim, ainda sem comprador informado.
O Senado aprovou R$ 12 por tonelada de cana ao fornecedor independente do Nordeste, e o texto vai à sanção: o auxílio vale para a cana da safra 2025/26 comprovada por nota fiscal eletrônica, em lei autorizativa, sem obrigação de desembolso e com pagamento sujeito a orçamento e a regras de habilitação ainda por definir.
A CBS ganhou referência de 11,3% no TCU, e na conta da Famato o produtor fica com 4,52% na venda in natura e no insumo: a conta aplica a redução de 60% da Lei Complementar 214/2025 às operações dentro dos critérios da lei, sobre referência ainda pendente da resolução do Senado.
A Fefac, dos fabricantes europeus de ração, vê até 4 milhões de toneladas de farelo brasileiro em risco de ficar fora com a EUDR, a partir de 30 de dezembro: a federação dá risco médio ao Brasil e risco baixo à Argentina e ao Paraguai, com a indústria argentina se oferecendo para cobrir 5 a 6 milhões de toneladas.
A Klabin pôs R$ 293 milhões em silvicultura e madeira em pé no trimestre, 35% a mais, com o lucro 18% menor: a companhia atribui o lucro menor ao real valorizado, ao custo industrial e a R$ 111 por tonelada gastos contra o El Niño, sem mexer na previsão de R$ 1,1 bilhão para silvicultura em 2026.
A J.Macêdo, da Dona Benta, fecha um ciclo de R$ 800 milhões e quer o próximo maior, ainda sem valor: o moinho de Londrina, inaugurado em março com cerca de 15% da capacidade da empresa, pode moer menos pelo custo de fazer o trigo chegar numa safra nacional curta, na avaliação do CEO Irineu Pedrollo.
A chuva e o frio atrasam a tosquia em parte do RS, e dos 8 milhões de quilos de lã só 2 a 3 milhões têm bom valor têxtil: na conta da Arco, a fatia menor vem dos rebanhos cruzados com raças de carne desde a pandemia, com o atraso podendo expor mais a fibra à flechilha, capim comum em novembro.
O MME pretende publicar até o fim de novembro a portaria de testes do E35, com os testes previstos de janeiro a meados de 2027: o ministério deu o prazo na Conferência DATAGRO, com os testes de motores, veículos e distribuição só subsidiando uma eventual autorização da mistura.
DIVIRTA-SE
No Adivinhe o País pela Comida, aparece um prato e você aponta de onde ele vem, entre quatro países, com dois minutos no relógio. Os tacos saem de primeira. Aí surge uma poutine, batata frita afogada em molho e queijo, e o dedo trava entre Canadá e Reino Unido. Vamos ver até onde chega o seu mapa à mesa.
VIVENDO E APRENDENDO
Resposta da edição passada: o V3 é o estádio em que a planta de soja já tem três nós com folhas trifolioladas abertas, na escala de Fehr e Caviness; é quando costumam entrar as primeiras aplicações de fungicida e biológico.
Pergunta de hoje: o que é a torta de filtro da cana?
A resposta você confere na próxima edição!

