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Bom dia!
Quarta-feira é dia de vistoria na fazenda, e o fiscal de hoje acha o que ninguém estava olhando. Na conta de insumo, o nitrogênio que entra por hectare encolheu a um nível que você não via há anos, enquanto o desconto do diesel ganhou mais um mês de prazo. No galpão, o terceiro foco de Newcastle apareceu em ave que não mostrou sintoma. E na bolsa, o boi ganhou um preço redondo que o frigorífico ainda não paga. Descendo a tela tem mais.
Pra você conferir a sua conta antes que o fiscal confira por você.
Por Luciana Stival
TÁ QUANTO?
O JPMorgan ainda vê espaço para a Suzano subir depois da alta com o dólar, mas diz que o próximo passo deve vir mais da gestão do que do câmbio. Pela conta da empresa, cada metro cúbico a mais de madeira por hectare ao ano pode valer cerca de um bilhão de reais.
DE OLHO NO PORTO
Newcastle: 3º foco sem sintoma; Uruguai suspende aves do Brasil

Fonte: Giphy
O Ministério da Agricultura confirmou na terça (27) um novo foco em Nova Erechim, dentro da área de emergência, achado pela vigilância ativa em 9,6 mil aves que não apresentaram sintomas.
É o recall que a vistoria acha no carro que nunca deu barulho. A vigilância ampliou o raio no oeste do estado, e nem Mapa nem Cidasc dizem se a granja é comercial ou de que espécie. Como já contamos aqui, o segundo foco, em Coronel Freitas, era de perus; lá o despovoamento terminou e a desinfecção segue.
O Uruguai virou o segundo país, depois do México, a suspender as aves de todo o Brasil, em caráter transitório e para tudo o que foi elaborado depois de 6 de setembro; só passa o produto com tratamento térmico de inativação viral. Só que o fechamento total ainda é de dois, com a Malásia sem comunicação oficial e China e Arábia Saudita no recorte regional.
Para quem exporta ao Uruguai, a conta agora é pelo lote, não pela granja: o que saiu da linha depois do corte só entra tratado, e o que você ainda vai produzir já nasce dentro dessa regra.
RADAR SANITÁRIO
China suspendeu MBRF em Promissão por carrapaticida fluazuron

Fonte: Giphy
O veto da China à planta da MBRF em Promissão (SP), que ontem contamos aqui sem motivo, ganhou nome de remédio de curral: a suspensão veio depois da detecção consecutiva de resíduos de fluazuron, princípio ativo de medicamento veterinário contra carrapato que a China não permite. Uma fonte que acompanha o caso deu ao The AgriBiz a mesma causa, resíduo de medicamento veterinário nos lotes, sem nomear a substância. Oficialmente, o silêncio reina: a GACC não detalha a razão, e a Abiec diz que não foi comunicada.
E não é a primeira vez no ano que a receita do veterinário acaba no laudo da alfândega chinesa. Em abril e em maio, Pantaneira e Frialto foram suspensas pelo acetato de medroxiprogesterona, hormônio da IATF que sincroniza o cio das vacas. Com Promissão, são seis abatedouros brasileiros suspensos, de 63 habilitados.
Do lado do pasto, o carrapato tem outra frente: Fernando Cardoso, da Embrapa Pecuária Sul, explica uma tecnologia que identifica pelo DNA os bovinos mais resistentes ao carrapato, com menos infestação e menos gasto com tratamento.
PAPO DE CURRAL
Boi passa de R$ 400 na B3; no físico ainda faltam R$ 17

Fonte: CNN Brasil
Vender o lote de fim de ano agora ou esperar ganhou na terça um número redondo para pesar. Os contratos de novembro e dezembro do boi gordo passaram de R$ 400 por arroba na B3, com dezembro em máxima histórica.
O detalhe é que isso é cheque pré-datado: vale R$ 400 lá na frente, não hoje. O indicador Datagro, o preço que liquida o contrato, estava em R$ 382 na sexta, e a tela paga R$ 17 a mais do que ele. A aposta, pela Terra Mesa Agro, é oferta limitada de animal terminado até o fim do ano, com escalas curtas, retenção e reposição cara.
Por enquanto, o saldo não se mexeu: o indicador Cepea de São Paulo fechou a segunda sem variação, com a carne lenta no atacado. E o bezerro não esperou: desde o dia 13, pela Terra, ele sobe mais do que o boi gordo.
No fim das contas, o cheque está na sua mão: descontar agora é fechar R$ 400 por um boi que o físico marca a R$ 382, e guardar é apostar que o físico cobre a diferença com o bezerro encarecendo do outro lado.
E ESSE TEMPO, HEIN?
Serasa: El Niño pode tirar 9,7% da soja, e a perda tem CEP

Fonte: Giphy
Plantar mais soja foi a parte fácil desta safra, e a Serasa Experian calculou na terça a parte difícil: um El Niño forte pode tirar 17,6 milhões de toneladas da 2026/27, comparado com um ano de clima neutro. São uns R$ 33 bilhões, a preço de agosto.
O Sul molhado e o Cerrado seco você já conhece; a Serasa detalhou cada CEP:
Mato Grosso e Goiás carregam 80% da perda;
Rio Grande do Sul, que costuma perder soja na seca, colhe mais nesse cenário do que num ano neutro.
Repare que Mato Grosso amplia a área e, mesmo assim, colhe menos nessa conta: lavoura maior não é, necessariamente, safra melhor. Com cerca de 40% da soja no chão, o risco mudou do plantio para a chuva de novembro a janeiro, e a leitura mais clara da Conab deve vir a partir de dezembro.
E para o head de agronegócio da Serasa, a perda pode virar inadimplência em quem está muito alavancado e tem dificuldade de renovar o crédito.
PRA DENTRO DA PORTEIRA
Bacillus quase quintuplica área, diz Embrapa

Fonte: Giphy
O Bacillus, bactéria usada como agente de controle biológico contra fungo, nematoide e praga, saiu de 7,5 milhões para 37,2 milhões de hectares de área potencial tratada entre 2020 e 2025, pelo estudo da Embrapa Meio Ambiente, da UFRGS e da Kynetec.
Desde 2025, algumas empresas passaram a recomendar produtos biológicos, sobretudo à base de Bacillus, no lugar do fungicida multissítio na abertura da soja; num dos programas que a UnB analisou, é só biológico em V3 e o químico volta de V5 em diante. Com uma condição: a troca vale principalmente em tratamento preventivo e com baixa pressão de doença, e depende da eficácia do produto.
Pelo artigo no Brazilian Journal of Microbiology, de cada US$ 100 que a proteção de cultivo movimentou no Brasil em 2025, químico e biológico juntos, uns US$ 2 foram de produto à base da bactéria.
COLHENDO CAPITAL
Agtech capta 79% menos, mas uma nota só puxa a média

Fonte: Giphy
Quem levanta dinheiro para uma startup do agro, ou ouve a oferta de uma, acordou com a nota do semestre: as agtechs captaram R$ 94,7 milhões no primeiro semestre, 79% menos que um ano antes, na contagem do Itaú BBA.
A conta tem um porém: a base de 2025 carregava uma rodada só da Solinftec, de R$ 300 milhões, e sem essa rodada na comparação a queda é de 37%. É a média da turma despencando quando o aluno nota dez mudou de escola: o resto da sala também piorou, mas menos do que a média faz parecer.
Para quem compra tecnologia, importa onde o pouco foi parar: quase tudo em startup antes ou dentro da porteira, as agfintechs de crédito rural e gestão financeira e, dentro, gestão da propriedade, telemetria e automação.
Pelo Itaú BBA, juro alto e aversão a risco afastaram os aportes maiores, a prioridade do agro virou redução de custos, e o investidor quer resultado mensurável, mais do que financiar crescimento. A prova mudou: saiu a redação sobre o futuro, entrou o cálculo do que a fazenda economiza.
Quem mede é também quem acalma: para o banco, o resultado não é notícia ruim, e dinheiro na mesa há. Esse dinheiro vai para quem passa na prova nova, e a startup precisa mostrar quanto enxuga na sua operação.
PLANTÃO RURAL
A semente passou o defensivo e virou o maior negócio da Agro Amazônia, da Sumitomo: a distribuidora atravessou a crise das revendas expandindo a operação de sementes, puxada pela Dagma, marca própria de soja criada com a GDM, e com mais de R$ 160 milhões numa indústria de beneficiamento.
A subvenção de R$ 2,12 por litro do diesel segue por mais 30 dias: a renovação veio com o aviso do presidente da FPA, Pedro Lupion, de diesel perto de R$ 10 sem a subvenção, conta necessária na leitura dele, e de preocupação com o endividamento do governo.
O Brasil está importando 28,5 kg de nitrogênio por hectare plantado, o menor volume desde 2018: pelo cruzamento do Comex Stat com a área do IBGE, o volume caiu 22,5% em um ano, com a área plantada 1,4% maior, o fósforo também no piso e só o potássio acima da média.
O arábica caiu 2,39% em Nova York com o dólar alto empurrando o café brasileiro para a venda: o contrato de dezembro fechou a US$ 2,93 por libra-peso, ampliando a perda de segunda, dia da queda de 8,8% do real, câmbio favorável à oferta brasileira lá fora na leitura da Barchart.
As usinas paulistas devem fechar outubro com 350 milhões de litros de hidratado vendidos, o maior mês da safra: a expectativa vem com o hidratado 33,94% mais caro na usina em três meses, de R$ 2,04 para R$ 2,74 pelo Cepea, e distribuidoras antecipando compras para garantir estoque de segurança.
O tomate subiu 46,8% nas Ceasas em setembro, e a cenoura foi a única hortaliça a cair: no Boletim Hortigranjeiro da Conab, a chuva intensa no Sudeste e no Sul freou colheita e maturação do fruto, com batata (+32,8%), cebola (+29,3%) e alface (+15,7%) subindo junto no atacado.
O dólar encareceu o trigo importado em cerca de R$ 170 por tonelada em Santa Catarina, na estimativa da TF Agroeconômica: com a umidade segurando a colheita no Rio Grande do Sul e no Paraná, o vendedor gaúcho passou a pedir R$ 1.850 por tonelada, contra R$ 1.700 na semana anterior, ainda sem negócio confirmado.
O Brasil exportou 1,145 milhão de toneladas de arroz em casca de março a setembro, e importou quase o mesmo: nos números da Safras & Mercado em webinar da Faesc/Senar, entraram 1,123 milhão de toneladas (+26,5%), parcela relevante do Paraguai e do Mercosul, a alternativa da indústria diante da pedida mais alta do produtor.
DIVIRTA-SE
No Framed, você vê um fotograma e tem seis chances de dizer de que filme ele é. O primeiro quadro quase nunca entrega nada: uma estrada vista do alto, carros parados, e a certeza de que já viu aquilo em algum lugar. A cada erro, chega uma cena nova. Descubra em quantas você mata o filme de hoje.
VIVENDO E APRENDENDO
Resposta da edição passada: a relação de troca do adubo é quantas sacas do grão o produtor precisa vender para comprar uma tonelada do fertilizante; quanto menos sacas, maior o poder de compra dele.
Pergunta de hoje: o que é o estádio V3 da soja?
A resposta você confere na próxima edição!

