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Bom dia!

Quarta-feira é dia de vistoria na fazenda, e o fiscal de hoje acha o que ninguém estava olhando. Na conta de insumo, o nitrogênio que entra por hectare encolheu a um nível que você não via há anos, enquanto o desconto do diesel ganhou mais um mês de prazo. No galpão, o terceiro foco de Newcastle apareceu em ave que não mostrou sintoma. E na bolsa, o boi ganhou um preço redondo que o frigorífico ainda não paga. Descendo a tela tem mais.

Pra você conferir a sua conta antes que o fiscal confira por você.

Por Luciana Stival

TÁ QUANTO?

MERCADO valor % dia % YTD
IBOVESPA (B3) R$175.710,05 -0,51% 9,05%
IFIX R$3.719,05 -1,19% -1,58%
SUZB3 R$47,53 0,27% -8,37%
SLCE3 R$17,09 -2,06% 6,48%
AGRO3 R$17,18 -0,69% -13,84%
KNCA11 R$87,98 -0,02% -8,83%
BTRA11 R$67,01 -0,53% 9,42%
Ethereum US$2,353.23 1,77% -21,23%
Bitcoin US$80,779.91 0,91% -8,56%

Os dados são publicados por BCB e Brapi.
As variações são calculadas em YTD (Year to date)

O JPMorgan ainda vê espaço para a Suzano subir depois da alta com o dólar, mas diz que o próximo passo deve vir mais da gestão do que do câmbio. Pela conta da empresa, cada metro cúbico a mais de madeira por hectare ao ano pode valer cerca de um bilhão de reais.

DE OLHO NO PORTO

Newcastle: 3º foco sem sintoma; Uruguai suspende aves do Brasil

Fonte: Giphy

O Ministério da Agricultura confirmou na terça (27) um novo foco em Nova Erechim, dentro da área de emergência, achado pela vigilância ativa em 9,6 mil aves que não apresentaram sintomas.

É o recall que a vistoria acha no carro que nunca deu barulho. A vigilância ampliou o raio no oeste do estado, e nem Mapa nem Cidasc dizem se a granja é comercial ou de que espécie. Como já contamos aqui, o segundo foco, em Coronel Freitas, era de perus; lá o despovoamento terminou e a desinfecção segue.

O Uruguai virou o segundo país, depois do México, a suspender as aves de todo o Brasil, em caráter transitório e para tudo o que foi elaborado depois de 6 de setembro; só passa o produto com tratamento térmico de inativação viral. Só que o fechamento total ainda é de dois, com a Malásia sem comunicação oficial e China e Arábia Saudita no recorte regional.

Para quem exporta ao Uruguai, a conta agora é pelo lote, não pela granja: o que saiu da linha depois do corte só entra tratado, e o que você ainda vai produzir já nasce dentro dessa regra.

RADAR SANITÁRIO

China suspendeu MBRF em Promissão por carrapaticida fluazuron

Fonte: Giphy

O veto da China à planta da MBRF em Promissão (SP), que ontem contamos aqui sem motivo, ganhou nome de remédio de curral: a suspensão veio depois da detecção consecutiva de resíduos de fluazuron, princípio ativo de medicamento veterinário contra carrapato que a China não permite. Uma fonte que acompanha o caso deu ao The AgriBiz a mesma causa, resíduo de medicamento veterinário nos lotes, sem nomear a substância. Oficialmente, o silêncio reina: a GACC não detalha a razão, e a Abiec diz que não foi comunicada.

E não é a primeira vez no ano que a receita do veterinário acaba no laudo da alfândega chinesa. Em abril e em maio, Pantaneira e Frialto foram suspensas pelo acetato de medroxiprogesterona, hormônio da IATF que sincroniza o cio das vacas. Com Promissão, são seis abatedouros brasileiros suspensos, de 63 habilitados.

Do lado do pasto, o carrapato tem outra frente: Fernando Cardoso, da Embrapa Pecuária Sul, explica uma tecnologia que identifica pelo DNA os bovinos mais resistentes ao carrapato, com menos infestação e menos gasto com tratamento.

PAPO DE CURRAL

Boi passa de R$ 400 na B3; no físico ainda faltam R$ 17

Fonte: CNN Brasil

Vender o lote de fim de ano agora ou esperar ganhou na terça um número redondo para pesar. Os contratos de novembro e dezembro do boi gordo passaram de R$ 400 por arroba na B3, com dezembro em máxima histórica.

O detalhe é que isso é cheque pré-datado: vale R$ 400 lá na frente, não hoje. O indicador Datagro, o preço que liquida o contrato, estava em R$ 382 na sexta, e a tela paga R$ 17 a mais do que ele. A aposta, pela Terra Mesa Agro, é oferta limitada de animal terminado até o fim do ano, com escalas curtas, retenção e reposição cara.

Por enquanto, o saldo não se mexeu: o indicador Cepea de São Paulo fechou a segunda sem variação, com a carne lenta no atacado. E o bezerro não esperou: desde o dia 13, pela Terra, ele sobe mais do que o boi gordo.

No fim das contas, o cheque está na sua mão: descontar agora é fechar R$ 400 por um boi que o físico marca a R$ 382, e guardar é apostar que o físico cobre a diferença com o bezerro encarecendo do outro lado.

E ESSE TEMPO, HEIN?

Serasa: El Niño pode tirar 9,7% da soja, e a perda tem CEP

Fonte: Giphy

Plantar mais soja foi a parte fácil desta safra, e a Serasa Experian calculou na terça a parte difícil: um El Niño forte pode tirar 17,6 milhões de toneladas da 2026/27, comparado com um ano de clima neutro. São uns R$ 33 bilhões, a preço de agosto.

O Sul molhado e o Cerrado seco você já conhece; a Serasa detalhou cada CEP:

  • Mato Grosso e Goiás carregam 80% da perda;

  • Rio Grande do Sul, que costuma perder soja na seca, colhe mais nesse cenário do que num ano neutro.

Repare que Mato Grosso amplia a área e, mesmo assim, colhe menos nessa conta: lavoura maior não é, necessariamente, safra melhor. Com cerca de 40% da soja no chão, o risco mudou do plantio para a chuva de novembro a janeiro, e a leitura mais clara da Conab deve vir a partir de dezembro.

E para o head de agronegócio da Serasa, a perda pode virar inadimplência em quem está muito alavancado e tem dificuldade de renovar o crédito.

PRA DENTRO DA PORTEIRA

Bacillus quase quintuplica área, diz Embrapa

Fonte: Giphy

O Bacillus, bactéria usada como agente de controle biológico contra fungo, nematoide e praga, saiu de 7,5 milhões para 37,2 milhões de hectares de área potencial tratada entre 2020 e 2025, pelo estudo da Embrapa Meio Ambiente, da UFRGS e da Kynetec.

Desde 2025, algumas empresas passaram a recomendar produtos biológicos, sobretudo à base de Bacillus, no lugar do fungicida multissítio na abertura da soja; num dos programas que a UnB analisou, é só biológico em V3 e o químico volta de V5 em diante. Com uma condição: a troca vale principalmente em tratamento preventivo e com baixa pressão de doença, e depende da eficácia do produto.

Pelo artigo no Brazilian Journal of Microbiology, de cada US$ 100 que a proteção de cultivo movimentou no Brasil em 2025, químico e biológico juntos, uns US$ 2 foram de produto à base da bactéria.

COLHENDO CAPITAL

Agtech capta 79% menos, mas uma nota só puxa a média

Fonte: Giphy

Quem levanta dinheiro para uma startup do agro, ou ouve a oferta de uma, acordou com a nota do semestre: as agtechs captaram R$ 94,7 milhões no primeiro semestre, 79% menos que um ano antes, na contagem do Itaú BBA.

A conta tem um porém: a base de 2025 carregava uma rodada só da Solinftec, de R$ 300 milhões, e sem essa rodada na comparação a queda é de 37%. É a média da turma despencando quando o aluno nota dez mudou de escola: o resto da sala também piorou, mas menos do que a média faz parecer.

Para quem compra tecnologia, importa onde o pouco foi parar: quase tudo em startup antes ou dentro da porteira, as agfintechs de crédito rural e gestão financeira e, dentro, gestão da propriedade, telemetria e automação.

Pelo Itaú BBA, juro alto e aversão a risco afastaram os aportes maiores, a prioridade do agro virou redução de custos, e o investidor quer resultado mensurável, mais do que financiar crescimento. A prova mudou: saiu a redação sobre o futuro, entrou o cálculo do que a fazenda economiza.

Quem mede é também quem acalma: para o banco, o resultado não é notícia ruim, e dinheiro na mesa há. Esse dinheiro vai para quem passa na prova nova, e a startup precisa mostrar quanto enxuga na sua operação.

PLANTÃO RURAL

DIVIRTA-SE

No Framed, você vê um fotograma e tem seis chances de dizer de que filme ele é. O primeiro quadro quase nunca entrega nada: uma estrada vista do alto, carros parados, e a certeza de que já viu aquilo em algum lugar. A cada erro, chega uma cena nova. Descubra em quantas você mata o filme de hoje.

VIVENDO E APRENDENDO

Resposta da edição passada: a relação de troca do adubo é quantas sacas do grão o produtor precisa vender para comprar uma tonelada do fertilizante; quanto menos sacas, maior o poder de compra dele.

Pergunta de hoje: o que é o estádio V3 da soja?


A resposta você confere na próxima edição!

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