
APRESENTADO POR
Bom dia!
Hoje tem Bayer tentando trocar a insegurança jurídica por uma planilha de até US$ 7,25 bilhões, enquanto Ormuz fecha um pouco e a ureia já começa a fazer pose de item de luxo. No meio disso, a noz-pecã promete recuperar fôlego, o RS faz conta mostrando que irrigação ajuda até a arrecadação, a CNH fecha 2025 com o pé no freio e o milho vai chegando perto da soja no Paraná.
Pra você acordar bem informado
Por Enrico Romanelli
TÁ QUANTO?
DEU B.O.
Bayer tenta encerrar 67 mil processos do Roundup com acordo bilionário

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A Monsanto, um pedacinho da Bayer, botou na mesa um acordo de até US$ 7,25 bilhões pra tentar encerrar a novela judicial do herbicida Roundup nos Estados Unidos. A proposta mira reclamações atuais e futuras ligadas a alegações de câncer e, se passar, fecha a porteira de cerca de 67 mil processos, além de tentar evitar que a fila continue crescendo.
Essa história já tá bem batida. Tem uma montanha de ações dizendo que a empresa não avisou direito sobre possíveis riscos associados ao glifosato, ingrediente do Roundup que é onipresente no controle de daninhas em soja, milho, trigo e algodão. A Bayer já gastou bilhões com indenizações e acordos, então o objetivo agora é trocar a incerteza por uma planilha que dá pra prever.
O desenho do acordo tem regra e carimbo. Ele cobre pessoas expostas ao glifosato até ontem (17) e que já tenham diagnóstico médico de linfoma não Hodgkin, ou que venham a receber diagnóstico dentro de 16 anos após a aprovação final. O pedido de aprovação preliminar foi protocolado no Tribunal do Circuito de St. Louis, no estado do Missouri, e ainda depende do ok do juiz. Quem fizer parte da ação coletiva pode optar por sair, e a Monsanto pode desistir do acordo se o número de saídas ficar alto.
Na conta, a Bayer fala em pagamentos anuais decrescentes, com teto de até US$ 7,25 bilhões ao longo de uns 21 anos, pra dar previsibilidade ao custo do litígio. Somando acordos de outros casos, o custo total pra essas disputas deve subir de 7,8 bilhões de euros em setembro de 2025 pra 11,8 bilhões de euros, com 9,6 bilhões de euros só na conta do glifosato.
E ESSE TEMPO, HEIN?
Sol, raios e trovões

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A Climatempo manteve o roteiro dos últimos dias pra hoje (18), muito calor e chuva forte em boa parte do Brasil, com risco de temporais principalmente no Sul e no Sudeste. No Sul, a bronca cresce do fim da manhã pro início da tarde no norte e centro-oeste do Rio Grande do Sul e em boa parte de Santa Catarina e do Paraná, com atenção extra pro litoral catarinense, onde temporais podem aparecer. Pra completar, o vento resolve participar com rajadas entre 40 e 50 km/h no Paraná, em Santa Catarina e em áreas do norte e sudoeste gaúcho.
No Sudeste, a chuva engrossa no sul e litoral de São Paulo e se espalha pelo estado durante a tarde, além de bater no Rio de Janeiro, no sul do Espírito Santo e em áreas de Minas. O risco de temporal entra no mapa em várias regiões paulistas, no interior e serra do RJ e em pontos de Minas como Triângulo e Zona da Mata, enquanto o resto do ES e o leste e nordeste mineiro tendem a ficar mais firmes.
No restante do país, o padrão continua. No Centro-Oeste, calor e umidade puxam pancadas moderadas a fortes em Goiás, Mato Grosso e grande parte de Mato Grosso do Sul. No Nordeste, o alerta fica mais sério em Maranhão e Piauí, com chance de temporais e perigo de chuva volumosa no norte e noroeste do Maranhão, enquanto a maior parte da Bahia segue mais tranquila. No Norte, a chuva vem com força em Amazonas, Pará e Rondônia e também dá as caras em Acre e Tocantins, com chance de temporais e aquele clima abafado que faz até o ventilador pedir demissão.
O AGRO EM NÚMEROS
Noz-pecã em alta, irrigação quer blindar o RS e CNH fecha 2025 com o pé no freio

Foto: Freepik
A noz-pecã tá tentando sair do banho-maria. O IBPecan tá estimando a safra 2026 entre 6,5 mil e 7 mil toneladas, uma recuperação em relação aos últimos ciclos e mais perto do nível de 2023. O empurrão vem do mercado olhando exportação com mais carinho, já que o preço de referência internacional segue interessante e os estoques lá fora não tão sobrando.
No Rio Grande do Sul, a Farsul colocou números na mesa pra defender irrigação como vacina contra estiagem e contra susto fiscal. No cenário simulado pra 2025, se a área irrigada de milho, soja, trigo, feijão e fumo tivesse subido de 4,7% pra 20% do total plantado, o VBP teria crescido 15,42%. Na mesma conta, a arrecadação também ganharia músculo, com até R$ 3,66 bilhões a mais em tributos federais e reforço de cerca de R$ 3,57 bilhões pros cofres gaúchos. Pra 2026, com clima normal e a mesma expansão hipotética, a entidade projeta um VBP 7,5% maior e ICMS podendo subir até R$ 1,73 bilhão.
Já no mundo das máquinas, a CNH fechou 2025 com o mercado pedindo desconto e a planilha pedindo contenção. A receita consolidada foi de US$ 18,1 bilhões, queda de 9% na comparação com 2024, e o lucro líquido caiu 60%, fechando em US$ 505 milhões. Na divisão agrícola, a receita recuou 12% pra US$ 12,39 bilhões e a margem do EBIT ajustado encolheu pra 6,2%. Pra 2026, a empresa projeta demanda global por máquinas agrícolas 5% menor e vendas na divisão entre estáveis e queda de 5%, com margem EBIT ajustada na faixa de 4,5% a 5,5%. Tradução livre, 2026 ainda tá com cara de entressafra no showroom, e a esperança de retomada ficou guardada pra 2027.
SAFRA DE CIFRAS
Soja já vê o milho no retrovisor

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O milho tá ganhando espaço no Paraná com uma mistura que costuma dar liga no campo, demanda garantida, produtividade alta e uma capacidade boa de aguentar o humor do clima. Como resultado, o cereal já disputa com a soja, safra após safra, o posto de principal grão do estado, e tem gente no Deral e na cadeia do milho apostando que essa ultrapassagem pode virar realidade em 2 ou 3 anos.
A diferença ainda tá no tamanho do mapa. A soja ocupa mais de 5,8 milhões de hectares no estado, enquanto o milho passa um pouco de 3,1 milhões, só que a tecnologia tá empurrando o milho pra frente. Com cultivares de soja mais precoces, fica mais fácil plantar milho na sequência, e o ganho de produção tá cada vez mais ligado a produtividade do que a abrir área nova. No comparativo do Deral, o custo variável do milho ficou perto de R$ 39 por saca na 1ª safra e R$ 38,74 na 2ª, com preço médio de R$ 56,36, enquanto o trigo rodou com custo de R$ 72,43 e preço de R$ 73,10, praticamente no fio da navalha. A soja teve custo de R$ 58,39 e preço médio de R$ 118,88, mas o milho joga pesado no volume por hectare, com produtividade bem maior.
E tem mais lenha nessa fogueira. O Deral prevê, pra 2025/26, crescimento da área do milho de 1ª safra de 281 mil hectares pra 339,3 mil hectares, com produção subindo de 3 milhões pra 3,5 milhões de toneladas. Na 2ª safra, a área deve avançar mais 1%, pra 2,8 milhões de hectares, com produção estimada em 17,4 milhões de toneladas, perto do recorde do ciclo anterior de 17,6 milhões. Em 2025, essa safrinha cresceu 35% e consolidou o Paraná como 2º maior produtor do país, atrás do Mato Grosso, que colheu 55,1 milhões de toneladas.
A demanda interna tá fazendo o papel de puxador de fila. No oeste, a integração com aves e suínos segura a compra de milho pra ração e dá mais previsibilidade na comercialização, com cooperativas ajudando a amarrar o ciclo. E, como se não bastasse, as usinas de etanol entram como novo destino pro grão, com a Coamo construindo uma unidade em Campo Mourão que deve processar 1,7 mil toneladas de milho por dia e produzir 765 mil litros de etanol a cada 24 horas, além de farelo e óleo, num cenário em que a conversa já começa a sair do campo e entrar na logística, armazenagem e silos, porque milho sem lugar pra guardar vira campeão de produção e vice de oportunidade.
DE OLHO NO PORTO
Ormuz fecha um pouco e a ureia já fica com cara de item de luxo

Foto: Freepik
O mercado global de fertilizantes acordou com uma notícia que ninguém gosta de ver na planilha. O Irã anunciou um fechamento parcial do Estreito de Ormuz nesta terça-feira (17), citando motivos de segurança ligados a exercícios navais da Guarda Revolucionária Islâmica. Como por ali passa cerca de 20% do consumo mundial de petróleo e gás, qualquer trava na rota já deixa a logística nervosa e, se a novela se esticar, o preço do adubo tende a sentir.
E não é só petróleo que pega carona nesse gargalo. O Oriente Médio responde por mais de 40% das exportações globais de ureia, e o Irã tá entre os maiores produtores do planeta. Em 2024, a produção iraniana foi estimada em cerca de 9 milhões de toneladas, com algo perto de metade indo pro exterior, com destinos como Turquia, Brasil e África do Sul. Do lado brasileiro, a conta de 2025 fechou com importação de aproximadamente 7,7 milhões de toneladas de ureia, com Nigéria, Rússia e Omã entre os principais fornecedores, só que a Argus alerta que parte do que aparece como Omã pode incluir carga iraniana, o que bagunça até a estatística.
Aí entra o detalhe que costuma transformar risco em custo. A ureia depende de gás natural pra virar amônia e depois fertilizante, então qualquer mexida em petróleo e gás respinga direto no insumo. E o Irã já vinha operando com produção parcial desde meados de dezembro por cortes no fornecimento de gás no inverno, com cerca de 450 mil toneladas que deixaram de ser produzidas.
PLANTÃO RURAL
Argentina frita a lavoura. Calor e falta de chuva apertaram o cerco no centro e sul do país hermano, com seca avançando em áreas como sul de Santa Fé, Entre Ríos, Buenos Aires e La Pampa. A Markestrat fala em risco de o milho perder até 10 milhões de toneladas, e a Bolsa de Rosário já cortou 600 mil toneladas da soja na região central, pra 17,2 milhões. No sul de Santa Fé, o estrago na soja pode chegar a 30% a 40%.
A Roliúde agora tem cabra. Cabaceiras (PB) tá trocando set de filmagem por ordenha, com a caprinocultura leiteira ganhando palco. Um produtor local comprou 800 cabras de uma granja em Sapucaia (RJ), numa logística de mais de 2 mil km em 5 etapas, com 200 animais já entregues. A meta é produtividade de 2 a 4 litros por dia e derivados no cardápio.
Lula faz escala na Índia com lista de compras. O presidente embarca nesta terça-feira (17) pra Nova Deli pra falar de comércio e cooperação, em visita ao premiê Narendra Modi. Na mala, tem negociação pra ampliar o acordo Mercosul-Índia, cooperação digital e ideia de esticar visto de turismo e negócios de 5 pra 10 anos. Em 2025, o comércio bilateral passou de US$ 15 bilhões e o roteiro inclui cúpula de IA em 19/02 e fórum com mais de 300 empresas brasileiras.
Irrigação virou língua universal na Argentina. A Bauer quer dobrar as vendas por lá em 2026 e mira US$ 8 milhões, puxada por demanda represada e crédito voltando a circular. A parceria com o Grupo Criolani, ativa desde 2024, ajudou a acelerar, e a empresa diz que produtor dolarizado sofre menos com a montanha russa das commodities. A meta é fazer a América Latina pesar 20% do resultado da Bauer Brasil.
SE DIVERTE AÍ
Hoje a brincadeira é com o Tradle, o joguinho estilo wordle da balança comercial. Você recebe a lista dos principais produtos que um país exporta e tem que adivinhar quem é o dono dessa pauta. Vale ler com olhar de agro nerd mesmo: reparou muito grão, carne e minério, já pode chutar Brasil ou vizinho forte no campo. Se pintou muito eletrônico, máquina e química, talvez seja alguém lá da Europa ou da Ásia. Bora testar se você tá afiado pra bater o olho na lista de exportações e adivinhar o país antes do sexto palpite.
VIVENDO E APRENDENDO
Resposta da edição passada: Mandioca
Pergunta de hoje: Qual especiaria indiana era usada como perfume nos templos antigos e hoje é base de remédios e doces?
A resposta você fica sabendo na próxima edição!
