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Bom dia!
Na edição de hoje, o crédito aparece com crachá novo: a Basf puxou R$ 1,4 bilhão via Fiagro FIDC pra financiar a própria cadeia sem colocar o balanço no sacrifício, enquanto o setor de carne bovina já faz conta pra 2026 com China botando cota e UE prometendo ganho. Tem ainda BNDES bancando locomotiva e vagão pra escoar milho e etanol, café batendo US$ 15,6 bi mesmo embarcando menos, o RS dando mais tempo pro plantio da soja, Syngenta abrindo estágio, AGCO trocando o comando na região, alerta vermelho de chuva, bolsas da Embrapa no ILPF, tabaco negociando preço e a Mosaic dizendo que a demanda por fertilizante murchou no fim de 2025.
Pra você acordar bem informado
Por Enrico Romanelli
TÁ QUANTO?
Os dados são publicados por BCB. A variação considerada nesta tabela é semanal.
SAFRA DE CIFRAS
Basf levanta R$ 1,4 bi pra financiar cadeia de clientes

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Em ano de crédito sumido e produtor caçando limite igual quem caça semente pra avaliação de estande, a Basf foi lá e levantou R$ 1,4 bilhão numa oferta coordenada pelo Itaú BBA, na 4ª emissão do seu fundo de direitos creditórios, um Fiagro FIDC estruturado pela Opea. A lógica é simples, a Basf cede recebíveis da cadeia de distribuição de insumos, incluindo revendas, cooperativas e clientes diretos, e o fundo banca o fluxo sem a Basf precisar virar fiadora do Brasil inteiro.
O tamanho do bicho mostra como a ideia pegou. A estrutura começou com R$ 420 milhões e já tinha passado de R$ 1 bilhão antes mesmo dessa última rodada. Agora, a nova emissão fechou com R$ 1 bilhão na cota sênior, R$ 343 milhões na mezanino e mais R$ 7 milhões na subordinada, subscrita pela própria Opea com o pagamento recebido por fazer toda a operação. No mercado, a leitura é que mais empresas de insumos tão indo pra esse caminho, porque a inadimplência anda cutucando geral, de banco grande a fornecedor, e ninguém quer ficar segurando a bomba sozinho.
E com o campo vivendo uma fase financeira tensa, a inadimplência dentro do fundo subiu, mas ainda tá num nível considerado controlado e abaixo da subordinação, que é o airbag dos investidores. No fim de abril do ano passado, os recebíveis vencidos há mais de 360 dias bateram 4%, acima dos 3% do ano anterior, bem na época que a conta do produtor de soja chega. A partir de maio, com a safra atual em colheita a todo vapor e venda engrenando, dá pra ver com mais nitidez se esse motor vai seguir redondo ou se o crédito só trocou de nome e banco.
ASSUNTO DE GABINETE
Plantio da soja ganhou tempo extra no RS

Foto: Emater-RS/Divulgação
O Rio Grande do Sul esticou o prazo do plantio da soja, que era pra acabar no fim de janeiro, e agora vai até 15/02. O recado foi enviado pelo governo gaúcho ao Mapa, e nele o estado pediu mais tempo porque o começo da safra veio com mau humor do céu e o milho entrou tarde na dança, atrasando a colheita e empurrando a soja que vem logo na sequência.
Só que não é casa da mãe joana não. Quem precisar plantar fora do calendário oficial vai ter que pedir autorização pra Seapi via formulário online, justificando os motivos do atraso e deixando o rolê formalizado. O Seapi vai avaliar tudo caso a caso, naquele formato bem Brasil: exceção existe, mas tem carimbo e burocracia de sobra.
O AGRO EM NÚMEROS
Exportações de carne em platô e café bate recorde de faturamento com menos saca

Foto: Wenderson Araujo/CNA
A carne bovina entrou em 2026 com sentimentos mistos: depois de 2025 fechar com 3,5 milhões de toneladas exportadas e alta de 21%, a Abiec aposta em repetir a dose neste ano, sem crescimento ou queda, mesmo com a China anunciando uma cota de 1,1 milhão de toneladas sem tarifa e taxando em 55% o que passar disso. A ideia pra não virar refém de uma porteira só tá no mapa: abrir novos mercados em Japão, Vietnã, Coreia do Sul, Turquia e o resto da Ásia pra espalhar o risco, além de conversa com o governo sobre crédito e como a China vai distribuir essa cota ao longo do ano pra evitar pico em uma hora e ressaca na outra.
Na Europa, o acordo Mercosul-UE acena com uma melhora, mas no ritmo de quem ainda tá esperando carimbo. A Abiec fala em alta de 5% a 7% nas exportações de carnes bovina pro bloco em relação às 128 mil toneladas de 2025, lembrando que a cota sem tarifa é gradual, tem teto de 99 mil toneladas e depende de ratificação nos parlamentos. E na conta do Mercosul, o Brasil levaria 42% da cota, algo na casa das 41,6 mil toneladas.
No trem dos investimentos, o BNDES liberou R$ 350 milhões pra Rumo comprar 6 locomotivas híbridas e pelo menos 160 vagões de transporte de carga, mirando melhorar ainda mais o escoamento de milho e etanol no Centro-Oeste. A empresa tá prevendo que vai ampliar a capacidade em 928 mil m³ por ano, 32% de aumento em relação a 2024, com locomotiva que mistura combustão e eletricidade pra gastar menos e carregar uma pegada de carbono menor.
E em 2025 o café fez aquele truque que só ele sabe: exportou menos, bem menos, e mesmo assim voltou com mais dinheiro no bolso. No ano passado, o Brasil embarcou só 40 milhões de sacas, queda de quase 21% em volume, mas bateu recorde de receita com US$ 15,6 bilhões, ou R$ 83,6 bi, segundo o Cecafé. E isso tudo com o drama do tarifaço dos EUA que derrubou os embarques por um bom tempo, mexeu no ranking de principais destinos e lembrou que o grão não vive só de aroma, vive também de geopolítica.
Na Bahia, a avicultura fechou 2025 fazendo barulho. Teve alta de 16,3% na produção de ovos e assumiu a liderança no Nordeste todo, com mais de 152 milhões de pintinhos alojados pra virar frango de corte. A Seagri jogou o desempenho nas costas do combo de controle de qualidade, segurança sanitária e rastreabilidade, e o estado entrou em 2026 querendo ampliar espaço no mercado interno e pegar carona na retomada das exportações, com a sanidade virando o crachá oficial do setor.
MENTES QUE GERMINAM
Vaga de estágio na área

Foto: Divulgação/Syngenta
A Syngenta resolveu que precisava de mais gente pra pegar o cafézinho e abriu 25 vagas pro Programa de Estágio 2026. O mapa do rolê passa por São Paulo (SP), Cuiabá (MT), Holambra (SP), Goiânia (GO) e Paulínia (SP), com início previsto pra maio de 2026, dá tempo de ajeitar currículo, LinkedIn e ficar treinando resposta de entrevista na frente do espelho. As inscrições vão até 13 de fevereiro, no site oficial, e tem vaga em modelo híbrido e presencial.
O alvo são estudantes de graduação em cursos tipo Administração, Economia, Engenharias, Marketing, Química, Direito, Biologia e outros desse cardápio universitário, desde que tenham disponibilidade pra estagiar por 1 ano e meio a 2 anos. As áreas de atuação também variam bem, indo de Recursos Humanos a Pesquisa e Desenvolvimento, além de Marketing, Sustentabilidade, Produção, Suprimentos, Finanças e Jurídico, ou seja, dá pra entrar no agro por várias porteiras sem precisar fingir que sempre sonhou com planilha ou com laboratório.
E o pacote vem com desenvolvimento muito bem estruturado, treinamentos em parceria e curso de inglês, pra ninguém travar na primeira call com gringo. Nos benefícios, entram assistência médica e odontológica, acesso ao Wellhub, cartão de Natal e day off no aniversário. Vale a pena dar uma olhadinha.
COMO TÁ LÁ FORA?
Groenlândia vira palco de treta e a UE entra na mira do tarifaço

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A União Europeia marcou uma reunião de emergência no último domingo (18) pra discutir o novo capítulo do tarifaço: Donald Trump avisou que pode enfiar uma tarifa extra de 10% no bloco a partir de 01/02. E o motivo, que parece roteiro de série, seria a recusa europeia em negociar a “transferência” da Groenlândia pros EUA, doidera.
Trump ainda dobrou a aposta dizendo que a taxa pode ir pra 25% em junho se o impasse continuar. Na lista de países potencialmente atingidos aparecem Dinamarca, Noruega, Suécia, França, Alemanha, Países Baixos e Finlândia, com embaixadores reunidos pra calibrar a reação diplomática e comercial. Do lado da Casa Branca, o discurso veio embrulhado em retribuição por anos de apoio dos EUA à Dinamarca.
No pano de fundo, a Groenlândia segue como território autônomo ligado à Dinamarca e virou assunto recorrente nas falas de Trump nos últimos meses, inclusive com falas públicas que deixaram europeus em alerta, ameaçando até o uso de forças militares. Enquanto isso, líderes europeus sinalizam que vai vir uma resposta conjunta caso as tarifas se confirmem, mas a UE ainda não cravou oficialmente qual vai ser o contra-ataque na prática.
SAFRA DE CIFRAS
Dança das cadeiras na AGCO

Foto: Divulgação
A AGCO resolveu mexer no banco do motorista e anunciou uma reestruturação completa na liderança na América Latina. Rodrigo Junqueira assumiu a vice-presidência da Massey Ferguson pra todo o continente, com México entrando junto no pacote, deixando pra trás a função que ele tinha, como vice-presidente da Masey Ferguson na América do Sul. A marca deixa o recado de que quer apertar o passo onde tem mercado e potencial de sobra pra crescer.
E o México não tá ali só pra completar mapa. A operação da Massey Ferguson no país tem 16 grupos de concessionários e mais de 106 lojas de atendimento, além de uma fábrica de tratores em Querétaro, no miolo do território. Ou seja, tem rede, tem chão de fábrica e tem vitrine pronta pra vender máquina sem precisar reinventar a roda.
Na mesma mexida, Marcelo Traldi teve o escopo ampliado: ele segue com Fendt e Valtra, mas agora responde por toda a América Latina como vice-presidente das marcas e diretor-geral da AGCO na região. No currículo, Junqueira vem de Agronomia na USP com MBA em Marketing na ESPM e programas executivos na Fundação Dom Cabral e na Kellogg, enquanto Traldi é formado em Administração pela FMU e tem MBA em Marketing pela FGV, com certificação pela Ohio University. Dois CVs de peso pra liderar a companhia.
PLANTÃO RURAL
Alerta vermelho de chuvas. O Inmet soltou um alerta vermelho pra acumulado de chuva em áreas de MG, ES e GO, com risco real de alagamento, enxurrada, rio transbordando e deslizamento, porque o solo já pode tá saturado. No resto do mapa, seguem avisos laranja e amarelo, com vento, raio e chance de falta de luz.
Embrapa abre vagas pra quem curte ILPF. A Embrapa Agrossilvipastoril, com Monsanto Bayer e Funarbe, lançou a Chamada Pública 12/2026 pra Bolsas de Estímulo à Inovação no projeto ILPF Regenera. As inscrições são grátis, online e vão até 28/01/2026, mirando pesquisa, tecnologia e extensão pra medir indicadores ambientais e turbinar agro de baixo carbono.
Tabaco vai negociar o preço no grito organizado. A Afubra marcou pra ontem (19) e hoje (20) as reuniões nas Cadecs pra definir reajuste das tabelas de preço mínimo. A safra 2025/26 já passou de 50% colhida e a venda vai ganhando ritmo no RS, SC e PR.
Mosaic vê o 4º tri murchar. A Mosaic disse que a demanda na América do Norte caiu bem mais que o normal no 4º tri de 2025, com renda apertada e inverno chegando cedo e encurtando aplicação. Embarques de fosfato caíram cerca de 20% e as vendas foram para 1,3 mi t. No Brasil, crédito travado e concorrência, com produto chinês, derrubaram volumes. Pra 2026, a empresa aposta em reposição de nutrientes e cenário melhor.
SE DIVERTE AÍ
Hoje o desafio é o Contexto, aquele jogo em que você tenta adivinhar a palavra secreta chutando termos e vendo o quão perto tá pelo sentido, não pelas letras. Vale começar com palavras do agro tipo soja, boi, clima, crédito, fertilizante e ir afinando até chegar na resposta. Joga aí, testa seu dicionário e depois conta quantos chutes você precisou pra matar a charada.
VIVENDO E APRENDENDO
Resposta da edição passada: Oliveira
Pergunta de hoje: Qual tubérculo originário da Polinésia foi domesticado há 7 mil anos e ajudou povos navegadores a colonizar o Pacífico?
A resposta você fica sabendo na próxima edição!
