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Bom dia!

Sábado de Expointer aberta, e vamos atualizar o agro em 5 minutinhos . O drone que sobrevoa o seu talhão virou bicho com ficha, cadastro e alguém pra pagar o estrago. O fertilizante ganhou um incentivo dos grandes no Diário Oficial, e o saco que você compra em setembro não ficou sabendo. Um dos donos da sua arroba resolveu que quer dever menos, e isso costuma aparecer primeiro na balança. Lá fora um presidente resolveu mexer no abate, e dois dos incomodados falam português. O socorro do governo não saiu do papel, e o crédito rural amanheceu com um recorde que ninguém queria. E o etanol ganhou a briga do preço e perdeu a do tanque, por um motivo que não passa nem perto da bomba.

Pra você fechar a semana com “chave de ouro”.

Por Luciana Stival.

TÁ QUANTO?

A Minerva desligou o modo comprador

Os dados são publicados por CEPEA-Esalq/USP Indicadores sob licença CC BY-NC 4.0. As variações são calculadas em % diária e %YTD (Year to date)

O recado é que a próxima safra ficou mais barata de rolar enquanto o galpão, a terra e a máquina que se assinam pra pagar em dez anos ficaram mais caros no mesmo pregão.

POR DENTRO DO MERCADO

Será que o problema do etanol ainda é preço?

Fonte: CNN Brasil

Em julho só 29,2% da frota flex abasteceu com hidratado, contra 37,8% em julho de 2019. E hoje ele está mais competitivo do que lá atrás: ganha da gasolina em dez estados, que somam dois terços da demanda brasileira de combustível leve. O incentivo está lá. A resposta na bomba, não.

O Itaú BBA calcula que a cadeia precisa escoar 2 bilhões de litros por mês só pra não empilhar sobra, e avisa que a alta recente do preço não é virada de ciclo. Exportar não socorre, porque em julho os Estados Unidos taxaram o etanol brasileiro em 37,5%. Se você fornece cana, o seu preço não sai da bomba, sai do tanque cheio na usina.

E aí vem a parte que não cabe em planilha. Plínio Nastari, da Datagro, credita o travamento a desinformação, do tipo "o etanol danificou meu bico injetor" postado no YouTube sem ninguém conferir se o combustível era adulterado. Que é, convenhamos, o pior lugar pra se discutir bico injetor. No mesmo YouTube, Flávio Bolsonaro chamou de "reduflação" a mistura de anidro que subiu de 30% para 32%. Reduflação é o pacote de biscoito que encolhe com o preço igual: o mesmo litro levando menos gasolina dentro. Cinco entidades do setor lembraram que ele votou a favor da lei que criou esse cronograma, e que os ensaios oficiais não acharam prejuízo.

O outro lado é justo: o subsídio da gasolina passou o ano mascarando a vantagem do renovável na cabeça do motorista. Nós contamos em 14 de agosto que o hidratado começava a reagir. A reação chegou no preço, não no tanque.

COLHENDO CAPITAL

A renegociação não chegou no balcão

Fonte Giphy

Tem dívida que não é calote, é aposta. Muita gente segurou o pagamento apostando que o socorro do governo chegava antes da cobrança, e a aposta virou recorde: 8,8% da carteira de crédito rural de pessoa física com recursos direcionados está em atraso, o maior índice desde que o Banco Central começou a medir, em 2011. Recursos direcionados é o dinheiro que o banco é obrigado a mandar pro campo, tirado da poupança rural e do depósito à vista. Nas linhas contratadas a taxa de mercado, que é onde dói, o índice pulou de 13,1% para 15,5%.

O próprio dado credita a piora a duas coisas: os vencimentos que caíram em julho e a espera pela renegociação. A Medida Provisória 1.376, que autorizou renegociar até R$ 100 bilhões, foi publicada em 15 de julho e até agora a única coisa que renegociou foi o próprio prazo. Os bancos relatam mais atraso, não menos. E no banco público o buraco é outro: a carteira de agro da Caixa foi de 7,02% para 20,74% de inadimplência em doze meses.

Enquanto o dinheiro barato empaca, o caro apareceu. A 051 Capital já colocou R$ 250 milhões em produtores do Matopiba a CDI + 8% ao ano, que é o juro de referência do país mais oito pontos por cima, com dois anos de carência, a fazenda em alienação fiduciária e teto de 40% do valor dela. E uma condição que diz tudo sobre o momento: só sai se você se comprometer a quitar as dívidas mais caras primeiro. "Não inventa moda de comprar trator", resumiu o sócio Flávio Aragão.

O outro lado tem razão em parte. Com juro nesse patamar, tem passivo que não fecha conta em cenário nenhum, e esperar o socorro é decisão racional de quem não tem plano B.

COMO TÁ LÁ FORA

Trump quer o pecuarista americano vendendo direto

Fonte: Globo Rural

Duas das quatro empresas que ele chamou de "monopólio desonesto" nesta sexta são brasileiras. Trump mandou preparar os documentos legais para liberar agricultor e pecuarista americano a processar a própria produção, e disse com todas as letras que o incômodo é a propriedade dessas companhias estar sediada fora dos Estados Unidos. As quatro: Tyson, Cargill, JBS USA e National Beef, as duas últimas da JBS e da MBRF, respondem juntas por cerca de 85% do processamento de carne bovina por lá.

O detalhe é que não existe texto ainda. Foi post em rede social e ordem pra redigir, não decreto assinado, e o que está em jogo é a venda de carne processada fora de estabelecimento com inspeção federal. Abater pro consumo próprio, por sinal, o americano já podia.

E aqui é onde isso encosta na sua arroba. Oligopsônio é palavra feia pra uma coisa simples: quando tem muito boi e pouco comprador, quem faz o preço é quem compra. Se o produtor americano ganhar a opção de processar e vender direto, o poder de compra das quatro cai lá dentro, e nada disso vale aqui por tabela, porque decisão de governo americano não atravessa a fronteira. O que atravessa é o precedente. A conversa sobre concentração de abate deixou de ser tese de congresso e virou pauta de presidente.

O outro lado é sério e merece o microfone: escala e inspeção federal não existem por capricho, existem porque abate tem sanidade e custo fixo no meio, e pulverizar processamento pode dar preço melhor pro criador e rastro pior pro produto. Os próprios pecuaristas americanos já tinham reagido contra a outra medida da semana, a cota de importação, dizendo que carne barata de fora não recompõe rebanho.

Contamos, inclusive, na quinta, que a cota de 300 mil toneladas foi assinada. Em quatro dias o mesmo governo abriu a porta pro boi de fora e mirou quem processa esse boi lá dentro. Alguma coisa nessa conta vai ter que ceder.

NAS CABEÇAS DO AGRO

A Minerva desligou o modo comprador

Fonte: Globo Rural

Balanço de frigorífico interessa a quem cria boi? Quase nunca. Mas esse aqui interessa, e o motivo cabe numa palavra que o CFO repetiu três vezes quando perguntaram do futuro dela: desalavancar. Isso é baixar a dívida em relação ao caixa que a empresa gera, tendo em consideração om juro nesse tamanho, não tem negócio que sobreviva com dívida alta.

A companhia quase dobrou de tamanho em quatro anos e somou 19 aquisições em 20 anos, ritmo de quem ia ao mercado e voltava com um frigorífico junto do pão. A última foi o pacote de plantas da antiga Marfrig, R$ 7,5 bilhões, em 2024.

Mas a conta tem outro lado. O Brasil respondeu por 57,1% da receita bruta da Minerva no segundo trimestre, e o próprio Queiroz diz que o acesso à nova cota americana ficou com Brasil e Paraguai. Quem precisa embarcar mais precisa comprar mais boi. Apertar a compra de matéria-prima justo agora seria serrar o galho em que ela está sentada.

ASSUNTO DE GABINETE

A lei do adubo saiu com data pra 2027

Fonte: Agrolink

Tem ajuda que chega no endereço certo e na hora errada. A Lei Complementar 235 foi publicada nesta sexta e autoriza a União a conceder crédito fiscal de até 20% do que se gastar produzindo fertilizante e matéria-prima dentro do país, com teto de R$ 1 bilhão por ano entre 2027 e 2031, que o Executivo pode dobrar. Daí a conta de até R$ 10 bilhões. Mas crédito fiscal não é depósito, é abatimento de imposto: só vale pra quem tem imposto a pagar, e o primeiro real aparece em 2027.

Um dia antes, o Conselho Monetário Nacional mexeu na outra ponta e liberou a cadeia de fertilizante a usar as linhas de capital de giro do Brasil Soberano, que antes só financiavam máquina e investimento. Também cortou o encargo de projetos de minerais críticos de 8% e 6,5% para 3% ao ano e esticou o prazo de pedido no BNDES até o fim de 2027. Dinheiro mais barato, portanto, pra quem fabrica adubo, não pra quem espalha.

Contamos aqui na quarta que o adubo aperta em setembro. O que mudou é que a lei saiu, e ela não é pra setembro. Nada nesse pacote baixa o preço do MAP que você vai negociar nas próximas semanas, porque ele inteiro foi desenhado pra fábrica, para o Brasil depender menos de navio lá na frente. É política que chega com um ano e meio de distância da decisão que está na sua mesa hoje.

O tamanho da mesa, aliás, é este: a semanas do plantio, entre 15% e 20% do fertilizante da soja 26/27 ainda não tinha sido comprado, e a parte que falta é justamente a que depende de crédito. Quem financia insumo ficou mais exigente com garantia, e quem empurrou a compra vai comprar no mês mais apertado do ano.

E o outro lado é honesto: fábrica de fertilizante não sai do papel em uma safra, e incentivo industrial com prazo de lavoura seria promessa de palanque. O erro não é a lei. É achar que ela é remédio pra dor de agora. Remetente certo, destinatário errado, e o carteiro só passa em 2027.

MENTES QUE GERMINAM

A seguradora chegou antes da regra

Fonte: Giphy

A frota de drone agrícola saltou de 3 mil equipamentos em 2021 para 35 mil em 2025, com outros 11 mil previstos pra este ano, e só agora apareceu uma apólice desenhada pra ele. A Pottencial cobra em média 5% do valor da aeronave, que aqui custa de R$ 40 mil a R$ 200 mil.

O detalhe é o que ela exige pra assinar: operador e equipamento regulares na Anac e no Mapa. O drone deixou de ser compra e virou cadastro. Tem ficha agora.

E é aqui que muda a sua conta. Seguradora não cria produto pra risco que ela não sabe medir, e essa já mediu. Indenização média de R$ 150 mil, reparo parcial entre R$ 15 mil e R$ 30 mil. Equipamento com risco precificado é equipamento que entra na conversa de financiamento, com valor de garantia e não de aposta. Foi assim com trator.

Na mesma semana a inteligência artificial andou o mesmo caminho, pelo lado da norma. A Embrapa Agricultura Digital sentou com a AgGateway pra discutir regulação, e o que estava na mesa não era algoritmo: era o PL 2.338, o marco regulatório da IA que o Senado aprovou e a Câmara segura desde março do ano passado, e o alcance do AI Act europeu sobre fornecedor de fora. Junto veio a parte que ninguém lê no contrato do software: dado de solo, de produtividade, de preço e de contrato é dado seu, e ele já entrou na discussão jurídica.

Do lado da máquina o mercado não esperou o Congresso. A IA virou critério de compra de trator e colhedora, e 83% das agtechs brasileiras dizem já usar alguma coisa dela.

PLANTÃO RURAL

SE DIVERTE AÍ

Sábado pede jogo que não cobra pressa, e esse já entrega o recado no nome. No Paciência Spider, são dez fileiras com carta virada pra baixo, e você só descobre o que tem embaixo depois de tirar a de cima, empilhando do rei ao ás até fechar a sequência inteira.

VIVENDO E APRENDENDO

Resposta da edição passada: Cerca de 27,2 kg, ou 60 libras. E cada grão tem o seu: o mesmo bushel dá 25,4 kg no milho. Ele nasceu como medida de volume, o tanto que enchia um cesto, e só virou peso depois, no mercado americano.

Pergunta de hoje: o que é o calado de um navio?

A resposta você confere na próxima edição!


A resposta você confere na próxima edição!

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