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Bom dia!
Pega o café e senta que em 5 minutinhos você fica em dia com a semana do agro. O boi anda mais animado na tela do investidor do que no cocho do pecuarista. A soja reaqueceu a compra de adubo, mas quem vende fertilizante não está comemorando o ano. As fabricantes de máquina confirmaram no balanço o inverno que o produtor já vinha sentindo na porteira. A parte do agro que é dos próprios produtores cresceu dois dígitos e quase encostou no meio trilhão. Uma gigante de sementes e defensivos resolveu se dividir bem no seu melhor momento. E a maior joint-venture do agro conseguiu na Justiça o fôlego que pediu, com prazo pra provar que paga.
Pra você começar a semana um passo à frente do mercado.
Por Luciana Stival.
TÁ QUANTO?
Os dados são publicados por CEPEA-Esalq/USP Indicadores sob licença CC BY-NC 4.0. As variações são calculadas em % diária e %YTD (Year to date)
A semana começa de olho na quarta, quando o Copom decide a Selic e o mercado já aposta em mais um corte. Juro menor é oxigênio pra um agro que passou o ano reclamando de crédito caro e adiando a compra do trator.
COLHENDO CAPITAL
A Raízen ganhou fôlego, não perdão

Fonte: TheAgriBiz
A Justiça de São Paulo homologou o plano de recuperação extrajudicial da Raízen, a joint-venture de Cosan e Shell, com adesão de mais de 81% dos credores sobre um passivo de R$ 65 bilhões, o maior do gênero já montado no país.
Só que homologação é largada, não chegada. Homologar um plano não paga a conta, só reorganiza o vencimento dela.
Agora ela precisa separar a distribuição de combustíveis, a bandeira Shell que o investidor quer, das usinas, que só geram caixa de verdade se o açúcar melhorar.
Pro setor, o recado é duro e claro: nem a maior joint-venture do agro brasileiro escapou de sentar com os credores, e o preço do açúcar ainda vai decidir se essa conta fecha.
SAFRA DE CIFRAS
A Corteva vai se dividir na alta

Fonte: CNN Brasil
Tem empresa que se parte na crise e tem empresa que se parte na alta, e a Corteva escolheu a segunda. A multinacional fechou o primeiro semestre com receita de US$ 11,28 bilhões e margem melhor, elevou o guidance do ano e confirmou pra 1º de outubro a cisão que vai separar sementes de proteção de cultivos em duas companhias na bolsa.
O trimestre não foi redondo, o lucro caiu 11%, mas quem segurou o resultado foi justamente a América Latina, com o Brasil no meio do balanço. A jogada é apostar que duas empresas com um cardápio só valem mais que um conglomerado que faz um pouco de tudo, e a bolsa costuma gostar de quem escolhe foco.
O AGRO EM NÚMEROS
A parte do agro que é dos produtores encostou no meio trilhão

Fonte: AGFeed
Enquanto boa parte do agro discute aperto, a fatia dele que é dos próprios produtores cresceu dois dígitos e quase encostou no meio trilhão. As cooperativas agropecuárias somaram R$ 487,3 bilhões em 2025, alta de 11,2% sobre o ano anterior, quando tinham avançado só 1,9%, segundo o Anuário do Sistema OCB. Sozinhas, elas já respondem por 57,4% de todo o faturamento do cooperativismo brasileiro, e a OCB já mira R$ 1 trilhão nos próximos três anos. Ou seja, no ano em que a margem apertou e o crédito encareceu, o modelo que divide risco e estrutura entre muitos foi o que melhor aguentou o tranco, surfando a recuperação de preços de commodities e insumos.
PROGRAMA DE INDICAÇÃO
O desafio está lançado

Fonte: Giphy
Ó, faz um teste rápido antes de seguir a leitura. Pensa numa pessoa que você conhece e que só vai ficar sabendo de tudo isso na semana que vem, quando já não der mais pra fazer nada.
É pra essa pessoa também que existe o Programa de Indicação da Agro Espresso, que voltou reformulado. Ela passa a receber de graça a news que você já lê todo dia, e você ganha assim que ela se inscrever pelo seu link. Já cai na sua mão, com 1 indicação, a edição especial mensal que não sai pra base inteira. Daí os prêmios vão se somando, um em cima do outro, até o gift card de R$200!
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QUEM COMPROU E QUEM SÓ OLHOU
A máquina do agro esfriou de vez

Fonte: AGFeed
A conta que o produtor adiou apareceu no balanço de quem vende máquina. Depois das vendas de máquinas agrícolas caírem 21% no primeiro semestre, agora são as próprias fabricantes confirmando o inverno: a AGCO viu o lucro despencar 76% no trimestre e cortou o guidance de 2026, com América Latina e Brasil entre os piores pontos do balanço.
E não é caso isolado. A Volvo, líder em caminhões pesados, prevê queda de até 10% no mercado em 2026, lembra que 60% do que vende está amarrado ao agro e admite que nem o programa de incentivo do governo segurou a maré. A questão é que juro alto não trava só a compra, ele empurra a decisão pra frente, e trator e caminhão viram a primeira coisa que o produtor deixa pra depois.
NAS CABEÇAS DO AGRO
A soja reaqueceu o adubo, mas o bolo encolheu

Fonte: Giphy
A soja subir quase 10% no mês fez o produtor voltar a comprar adubo, mas quem vende fertilizante não deve comemorar o ano. Com a relação de troca de volta aos níveis de 2025, 78% das compras de fertilizante pro plantio que começa em setembro já estavam fechadas em meados de julho, segundo a Veeries; ainda assim, o mercado deve encolher 7% em 2026, com o produtor cortando fosfatado e de olho no enxofre travado no Oriente Médio.
No meio dessa gangorra, uma aposta de longo prazo, a Tello, criada por gigantes como Amaggi e Coopercitrus, concluiu R$ 180 milhões em São Paulo, prepara operação no Mato Grosso e tem R$ 900 milhões no radar pra fazer fertilizante "biointeligente" e diminuir a dependência do NPK importado.
A leitura é que o adubo virou tema estratégico, não só linha de custo: enquanto o preço manda no humor da safra que vem, quem tem capital está montando a fábrica que quer mandar na próxima década.
POR DENTRO DO MERCADO
O boi bombou na tela e travou no cocho

Fonte: Freepik
As posições em aberto no mercado futuro do boi na B3 subiram pela quarta semana seguida, a 64 mil contratos, perto da máxima do ano, e o contrato de dezembro projeta novo recorde nominal, sinal de que o apetite tá lá em cima. Só que, no físico, a demanda interna limita as altas da arroba, que fechou sexta a R$ 346,55 no Cepea, praticamente de lado.
É o velho descompasso entre a aposta e a boiada: o mercado futuro enxerga oferta mais apertada lá na frente e paga pra se posicionar, enquanto o açougue de hoje não deixa o preço correr. A mensagem que fica é usar a tela pra travar a margem de dezembro sem depender do freguês de agosto pagar mais, porque o futuro promete o que o presente ainda não entrega.
PLANTÃO RURAL
A pressão financeira está incubando a pirataria de sementes: com caixa apertado, cresce o uso de semente pirata e salva no país, um risco que mistura economia e disputa de royalty no campo.
Agosto já começa com o alerta de El Niño forte: a ONU elevou o risco de um El Niño intenso, o que reforça a preocupação com chuva, replantio e custo extra na safra que vem.
A mistura maior de etanol vai puxar 1 bilhão de litros: o aumento do porcentual de etanol na gasolina deve gerar uma demanda adicional bilionária, fôlego novo pro setor sucroenergético.
O mercado de carbono começou a bater na porteira: cresce a procura por inventários de carbono em propriedades rurais, primeiro passo de quem quer vender crédito ou provar rastro verde.
As usinas descobriram um crédito mais barato: com a debênture incentivada, grupos sucroalcooleiros captam a spread bem menor que o do CRA, mostra relatório do Banco ABC.
A Pamplona quer virar potência do suíno pela ciência: a catarinense vai investir R$ 64 milhões com apoio da Finep em tecnologia e genética própria, mirando bem-estar e valor agregado.
O azeite gaúcho Lagar H cresceu 45% com safra recorde: a marca do Rio Grande do Sul avançou quase a metade em um ano e agora mira audiência nacional, no embalo do boom da olivicultura brasileira.
SE DIVERTE AÍ
Segunda-feira pede acordar o cérebro sem esforço demais, e viajar no tempo e no mapa dá conta do recado. A dica é o TimeGuessr, jogo diário em que você vê uma foto e precisa acertar duas coisas de uma vez: em que lugar do mundo ela foi tirada e em que ano. Perfeito pra quem acha que conhece o mundo até levar um susto ao errar o continente e a década na mesma imagem.
VIVENDO E APRENDENDO
Resposta da edição passada: o gado zebu, base do rebanho de corte brasileiro, veio originalmente da Índia. O Nelore, a raça zebuína que sustenta a maior parte da nossa pecuária, aportou por aqui no fim do século XIX e se deu bem no clima tropical, onde o boi europeu penava.
Pergunta de hoje: o que significa a sigla NPK, os três nutrientes principais do adubo?
A resposta você confere na próxima edição!
