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Bom dia!
Pega o café, que em cinco minutinhos você entra no sábado sabendo o que mudou de lugar. Um grupo de Mato Grosso costurou o plano de recuperação com os credores e a Justiça já bateu o martelo. Quem cria peixe pode passar a ser medido pelo que produz e pelo sistema que usa, não mais pelo tamanho que ocupa. Uma japonesa botou um bioracional na mesa prometendo saca a mais no enchimento do grão, com a conta feita em casa. O governo voltou pra roda do arroz com o teto do lance combinado antes de sentar. Bruxelas deu o carimbo no frango e no mel, e deixou o boi na fila por causa de remédio. E a sua venda pra China, sim, a sua, encolheu em agosto, só que não foi ela que fechou a porta, foi a cota.
Pra você fechar a semana sabendo o que abriu, o que travou e o que só mudou de régua.
Por Luciana Stival.
TÁ QUANTO?
Os dados são publicados por CEPEA-Esalq/USP Indicadores sob licença CC BY-NC 4.0. As variações são calculadas em % diária e %YTD (Year to date)
O emprego nos Estados Unidos veio forte demais e jogou o Fed de volta na conversa de juro alto, e dinheiro caro lá fora encarece dinheiro no mundo inteiro. Quem decide investir aqui sente isso na régua, porque o fundo que olharia um ativo do agro brasileiro passa a exigir mais para tirar o dinheiro do porto seguro americano.
DE OLHO NO PORTO
Carne bovina à China cai quase 90% em agosto

Fonte: Canal Rural
As exportações de carne bovina do Brasil para a China somaram 16,080 mil toneladas em agosto, bem abaixo das 158,06 mil toneladas de agosto de 2025. É o pior mês desde dezembro de 2021.
O Ministério do Comércio chinês comunicou em 10 de agosto que o Brasil já tinha usado 90% da cota, movimento que provavelmente segurou o ritmo dos embarques. Sobre o que passar do volume livre de taxação, de 1,106 milhão de toneladas para o Brasil em 2026, a China decidiu cobrar tarifa de 55%.
No mesmo mês, as exportações do agro brasileiro como um todo cresceram 11,4% em valor. A gente chora, mas chora faturando.
RADAR SANITÁRIO
UE conclui auditoria com controles de aves e mel satisfatórios

Fonte: Canal Rural
A auditoria das autoridades sanitárias da União Europeia no Brasil, iniciada em 24 de agosto, foi encerrada na manhã de 4 de setembro, e os controles brasileiros foram considerados satisfatórios para aves e mel.
Mas, calma, que alegria de pobre dura pouco. Falta o trâmite burocrático para o Brasil voltar à lista de fornecedores do bloco, segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária. A reinclusão ainda depende desse trâmite.
Para a carne bovina, a conta é de anos. A Safras & Mercado calcula no mínimo dois anos de ausência da Europa, porque o ciclo da bovinocultura é mais longo que o da avicultura. A Europa compra cerca de US$ 1 bilhão ao ano de carne bovina brasileira, enquanto a China gera quase nove vezes mais receita cambial no segmento.
Pela régua europeia, os embarques poderão ser retomados assim que o Brasil demonstrar conformidade com as regras de resistência antimicrobiana. O que é bom, apesar da ansiedade.
ASSUNTO DE GABINETE
Portaria destina até R$ 500 milhões a compras de arroz

Fonte: Canal Rural
A Portaria Interministerial MDA/Mapa/MF nº 20, publicada em 4 de setembro, autoriza a Conab a comprar arroz longo fino em casca da safra 2025/2026 em leilões públicos, com até R$ 500 milhões. A medida é enquadrada como mitigação dos impactos do El Niño.
A referência das operações é o arroz em casca, a granel, Tipo 1, com rendimento entre 57% e 59% de grãos inteiros. O teto de pagamento é de 125% do preço mínimo vigente na unidade da federação, e o preço de abertura deve ser divulgado com no mínimo dois dias de antecedência.
As aquisições poderão ocorrer em qualquer unidade da federação produtora de arroz em que o preço de mercado apurado pela Conab esteja acima do preço mínimo vigente. Podem participar produtores rurais e cooperativas de produção constituídas por produtores rurais. Então, hora de pesquisar no Google como faz para participar.
MENTES QUE GERMINAM
Sumitomo lança TopGrain e promete até 3 sacas por hectare

Fonte: Revista Cultivar
A Sumitomo Chemical lançou o TopGrain, produto à base de ácido abscísico voltado a soja e milho, que atua no enchimento de grãos. Em grânulos solúveis, é aplicado junto com os defensivos, no mesmo maquinário.
A expectativa da empresa é acrescentar até 3 sacas de soja e 7 sacas de milho por hectare, com custo de aplicação abaixo do valor de uma saca na soja e pouco acima de uma saca no milho. A companhia calcula ganho líquido próximo de 5% ante a produtividade média brasileira da safra 2025/26, segundo dados da Conab.
O produto não entra no lugar do defensivo: mexe no aproveitamento do que a lavoura já recebeu de adubo. A operação brasileira faturou R$ 4,1 bilhões em 2025 e a empresa quer dobrar de tamanho no Brasil até 2030.
Os números de desempenho são da Sumitomo, apresentados no evento de lançamento; as matérias consultadas não citam ensaio independente.
PAUTA VERDE
Proposta no Conama troca o critério de licenciamento da aquicultura

Fonte: Canal Rural
Uma proposta de atualização da Resolução nº 413/2009, discutida no Conama, troca o critério de enquadramento do licenciamento ambiental da aquicultura. Pelo modelo anterior, o enquadramento levava em conta principalmente a área ou o volume ocupado pelo empreendimento, além do potencial de severidade da espécie utilizada.
Pela proposta, os empreendimentos serão classificados em pequeno, médio ou grande porte conforme os limites de produção definidos para cada atividade, e o enquadramento passará a considerar o sistema de cultivo, aberto ou fechado. A combinação dos dois fatores definirá a modalidade de licenciamento.
As modalidades vão da Licença por Adesão e Compromisso (LAC), com documentos básicos e informações simplificadas, à Licença Ambiental Única (LAU), que exige Plano de Controle Ambiental, e ao licenciamento bifásico (LP + LIO) ou trifásico (LP + LI + LO).
A medida foi defendida pela CNA nas discussões do Conama. O texto apresentado tem caráter preliminar até a publicação da versão final da norma.
COLHENDO CAPITAL
Nova Fronteira aprova plano com deságio médio estimado em 70%

Fonte: TheAgriBiz
O grupo agropecuário Nova Fronteira, de Mato Grosso, aprovou com os credores o plano de recuperação judicial, já homologado pela Justiça, quase dois anos depois de entrar em recuperação com R$ 600 milhões em dívidas.
A adesão foi de 76% dos credores: 100% dos trabalhistas, 100% das micro e pequenas empresas, 84,2% dos credores com garantia real e 66,6% dos quirografários. O Banco do Brasil votou contra o plano; a Caixa, que tinha objeções no começo do ano, aprovou na negociação final, em agosto.
Os bancos somavam mais de R$ 325 milhões do passivo, com BRB (R$ 70 milhões), Rabobank (R$ 57 milhões), Caixa (R$ 54 milhões), Banco do Brasil (R$ 40 milhões) e Banco da Amazônia (R$ 32 milhões) entre os maiores credores. O grupo estima deságio médio de 70% sobre a dívida original, com carência média de três anos e pagamento nos dez anos seguintes.
PLANTÃO RURAL
O carimbo saiu do outro lado do mundo: a Indonésia habilitou 21 novas plantas brasileiras de carne bovina e o país chegou a 73 autorizadas, em dez estados, num destino que não substitui China nem União Europeia.
O programa do adubo virou lei com um pedaço a menos: o Profert saiu no Diário Oficial com veto ao trecho que definia fertilizante nacional, e a mistura obrigatória de produto brasileiro sobe de 2% em julho de 2027 a 10% em janeiro de 2037.
Quem cria gado nos Estados Unidos ganhou duas canetadas de uma vez: Trump assinou ordens executivas que mandam o Interior avaliar a retirada do lobo-cinzento da lista de espécies ameaçadas e o USDA revisar a rotulagem obrigatória de origem, hoje um selo voluntário.
A fabricante de fertilizante já deixou o plano B assinado em ata: o conselho da Heringer autorizou por unanimidade, em 24 de agosto, avançar para a recuperação extrajudicial, com passivo de R$ 813 milhões, e a suspensão de cobranças por 60 dias alcança só quem foi convidado à mediação.
Tem areia no caminho do grão que desce pelo Pará: o impasse na dragagem do Tapajós pode empurrar de 3 a 5 milhões de toneladas da balsa para o caminhão na seca, de outubro a fevereiro, com frete de US$ 29 a 48 a mais por tonelada.
Quem entrega porco em São Paulo chegou ao fundo do poço: a média do suíno vivo posto na indústria foi de R$ 4,97 o quilo em agosto, 4% abaixo de julho e o menor preço real da série do Cepea, que começou em março de 2002.
O prato do mundo ficou mais caro, e a usina brasileira ajudou: o índice de preços de alimentos da FAO marcou 133,3 pontos em agosto, alta de 1,9% no mês com o açúcar subindo 11,9%, e a menor produção do Centro-Sul entra entre os fatores da oferta apertada.
SE DIVERTE AÍ
No Espião em Ação você vira agente secreto e cumpre a missão em minijogos curtos: acerta a ordem dos pinos da fechadura, gira o disco do cofre lendo só o medidor que sobe quando chega perto, decora a sequência e liga os cabos que derrubam a câmera. O medidor não entrega o número, só diz se você tá quente. Que comecem os jogos!
VIVENDO E APRENDENDO
Resposta da edição passada: é o Tesouro bancando a diferença. O banco empresta na taxa dele, você paga a taxa camarada do Plano Safra, e o governo cobre o buraco no meio. Juro barato não nasce barato, alguém paga a conta.
Pergunta de hoje: o que decide se o ovo sai de casca branca ou vermelha?
A resposta você confere na próxima edição!
