
APRESENTADO POR
Bom dia!
E aí? Como foi seu Ano Novo? Esperamos que sua ressaca já esteja curada. A gente já volta com tudo nessa primeira edição do ano e o agro entrou em campo a milhão, sem aquecimento. O Mapa fechou 2025 com recorde de registros de agrotóxicos, enquanto a China decidiu colocar limite na carne bovina e jogar uma sobretaxa no excedente. No meio do caminho, a Abiove e 19 tradings sumiram do site da Moratória da Soja, e o mundo dá sinais mistos: trigo sobrando, milho batendo recorde de produtividade e frango querendo voar, mas com o alarme sanitário ligado. Pra completar, 2026 não tem recesso, o calendário de feiras tá abarrotado e o Plantão Rural chega com frio no Sul e Sudeste, conilon salvando a xícara e banana feiosa virando amido bonito.
Pra você acordar bem informado
Por Enrico Romanelli
TÁ QUANTO?
APRESENTADO POR AGNEST
Tem parceria nova na área: AgNest + Agro Espresso

A gente puxou o AgNest pra mesa do café. A parceria entre o AgNest e o Agro Espresso tá nascendo pra jogar mais luz no que tá rolando dentro do Farm Lab e encurtar a distância entre quem testa tecnologia no talhão e quem rala todo dia na lavoura. Nas próximas edições, você vai ver cada vez mais notícias, atualizações e bastidores direto desse laboratório a céu aberto.
O AgNest é um ambiente de experimentação e conexão feito pra colocar o campo como protagonista no desenvolvimento, no teste e na validação de soluções pro agro. No Farm Lab, as tecnologias encaram solo, clima e perrengue de verdade, com foco em gerar aprendizado consistente, resultado que aparece na planilha e ganho prático pra produtor, pesquisador, startup e parceiro.
Com essa parceria, a ideia é simples: dar visibilidade pros experimentos em andamento, pros desafios que aparecem na porteira, pros tombos e pros acertos de campo, e pras boas ideias que nascem no barro e não só no slide. A gente cuida do café e da newsletter, o AgNest cuida do laboratório. E você acompanha tudo de camarote.
Saiba mais sobre o AgNest aqui.
ASSUNTO DE GABINETE
Registro de defensivo batendo recorde e bioinsumo puxando a fila

Foto: G1
O Mapa começou 2026 do jeito que o agro gosta: com planilha cheia. No domingo (4), o ministério soltou o balanço de 2025 e fechou o ano com 912 novos registros de agrotóxicos e afins, um pulo de 37% sobre 2024, quando já tinha sido recorde com 663. Pra quem dizia que ia diminuir com a entrada do governo Lula, essa parada esquisitou.
Dentro desse pacotão, o destaque foi a onda dos biológicos. Foram 162 registros de bioinsumos, mais de 50% acima de 2024, quando tinham sido 106, e o maior volume da série. E não é só produto natureba: tem formulados biológicos, microbiológicos, bioquímicos, extratos vegetais, reguladores de crescimento e semioquímicos, inclusive com espaço pra agricultura orgânica.
Do lado químico, também teve novidade no cardápio. Entraram 25 registros de produtos novos, somando 6 produtos técnicos inéditos e 19 formulados com ingrediente ativo novo, e o Mapa ainda aproveitou o embalo e listou moléculas como Ipflufenoquina, Fluoxastrobina, Fluazaindolizine, Isopirazam, Fenpropidin e Ciclobutrifluram. A ideia é ampliar os modos de ação, reforçar o manejo integrado e segurar a resistência antes que ela mande na bagaça toda.
Pra não virar fila de banco ou de cartório, demorada e cheia de burocracia, o Mapa também mexeu no bastidor. O Ato nº 62, de 22/12/2025, centralizou tudo que gira em torno de protocolo e tramitação, e desde o ano passado todo pedido novo entra só pelo SEI/Mapa, sem precisar de protocolo feito direto na Anvisa ou no Ibama pra organizar fila. A primeira lista priorizou ingredientes ativos novos e bioinsumos com menor potencial de impacto, mas o ministério lembrou: registro não é sinônimo de uso no campo, tanto que em 2024, 58,6% das marcas de químicos registradas e 13,6% dos ingredientes ativos nem chegaram a ser comercializados.
E como nem todo mundo joga limpo, teve a parte do xerife. O registro no Brasil segue tripartite, com Mapa olhando eficácia, Anvisa avaliando risco à saúde e Ibama medindo impacto ambiental, e só sai com aval dos 3. Em 2025, o Mapa chamou pra uma conversinha e revisão pra falar de ativos como Glifosato, 2,4 D, Glufosinato e Atrazina, também suspendeu cautelarmente 34 produtos no Ato nº 61, de 22/12/2025, e apreendeu 1.946 litros de agrotóxicos ilegais. Pra 2026, a promessa é o SISPA, o sistema unificado previsto pra dar mais ordem na casa, porque até burocracia precisa de tecnologia pra não virar praga.
O AGRO EM NÚMEROS
Trigo barato, milho recordista e frango querendo voar mais

Giphy
O mundo começou o ano com trigo sobrando e preço se comportando: a safra global de 2025/26 pode chegar a 837,81 milhões de toneladas, acima da demanda estimada em 819 milhões, segundo o USDA, e isso ajudou a empurrar os preços lá em Chicago pra baixo em 2025, com queda de 4,3%. No embalo, Argentina e Austrália colocaram quase 10 milhões de toneladas extras no mercado, e a guerra Rússia/Ucrânia, que já foi o vilão do pão, hoje tá mais pra coadjuvante num cenário em que sempre aparece outro fornecedor pra segurar a bronca.
Enquanto o trigo derruba preço, o milho resolveu subir a régua e bater palma pra si mesmo: no Concurso de Produtividade Milho Inverno 2025, Mateus Passinatto cravou 268,4 sc/ha, mais que o dobro da média brasileira de 106 sc/ha citada pela Conab na safra 2025/26. O troféu veio depois de quase 10 anos de ajuste no solo e no manejo, com descompactação a 45 cm, correção em profundidade, nutrição na ponta do lápis e um ponto que ele mesmo martela como determinante: equipe afinada e comunicação interna, porque produtividade alta não nasce só de produto, nasce de rotina bem executada.
E pra fechar o trio, a avicultura quer manter o ritmo de crescimento em 2026, mas com o alarme sanitário ligado: o Cepea projeta produção de 14,73 milhões de toneladas, alta de 3,8% sobre 2025, e avanço de 2,4% nas exportações, num Brasil que já responde por cerca de 33% dos embarques globais de carne de frango. Do lado da demanda, a ABPA estima consumo de 47,3 kg per capita de frango e o país chegando a 307 ovos por habitante em 2026, só que tudo isso depende de biosseguridade constante, porque ninguém quer ver outro foco de influenza aviária em granja comercial.
SAFRA DE CIFRAS
China fechou a mão e a picanha ficou em choque

Foto: Ricardo Stuckert
A China começou 2026 botando catraca na carne bovina. Desde quinta-feira (1), tá valendo um limite anual por fornecedor e, se passar do teto, vem uma sobretaxa de 55%, aquele tipo de pode até mandar, mas vai doer no bolso. No caso do Brasil, a cota fica em pouco mais de 1 milhão de toneladas por ano. Bem abaixo do que a gente embarcou em 2025, que ficou entre 1,5 milhão e 1,7 milhão… Sem falar que a China é um cliente que compra quase metade da nossa carne exportada.
Como resultado, sobra boi procurando destino e o varejo já se pergunta se o churrasco vai agradecer enquanto o produtor chora. Especialistas veem um freio na alta dos preços e até uma possível queda pontual de uns 5% em cortes do traseiro, tipo picanha, alcatra e filé mignon, mas sem milagre. No começo do ano, o consumo já costuma dar uma murchada com IPTU, IPVA e material escolar batendo na porta, então a chance é mais de promoção fake, tipo uma black fraude, do que ofertas imperdíveis.
Só que o roteiro não tá escrito em pedra, tá escrito em agenda. No curto prazo, frigoríficos devem largar um pouco a demanda por aqui e correr pra encher a cota de exportação logo, concentrando os embarques no início do ano e segurando o mercado mais firme. E parte desse volume ainda pode tentar dar a volta no quarteirão via arbitragem por Argentina e Uruguai, que têm cotas mais folgadas. A pressão maior, se vier, deve aparecer mais no 2º semestre, quando a oferta de gado costuma cair e aí a cota chinesa começa a mostrar o tamanho da pedra no sapato.
NOS CORREDORES DE BRASÍLIA
Abiove virou a página e sumiu do site da Moratória

O site da Moratória da Soja amanheceu diferente, tipo feed do X depois de treta entre influencers na madrugada. A Abiove e mais 19 tradings simplesmente não aparecem mais na lista pública de participantes no site do acordo. Quem ficou por lá, pelo que o Valor apurou, foi a Anec e o nome de 10 empresas, enquanto o Grupo de Trabalho da Soja, que gerencia o acordo, já tinha sido avisado pela Abiove sobre a retirada dos logos. Só que, até ali, o setor privado não tinha feito aquele comunicado formal, com carimbo e assinatura, dizendo tava fora de vez, o que deixou as ONGs com a sobrancelha levantada.
No fim da noite de sexta-feira (2), veio o capítulo que faltava: segundo uma fonte, a Abiove avisou por e-mail as organizações da sociedade civil que vai sair do acordo. E aí o contexto pesa, porque a Moratória tá em vigor desde 2006 e funciona com uma regra simples e incômoda pra quem desmata: não comprar soja de áreas desmatadas na Amazônia depois de julho de 2008, mesmo quando o desmate é legal. É um dos mecanismos mais conhecidos pra segurar devastação no bioma, então a saída do principal signatário do lado privado não é só mudança de layout, é mudança de rota, e até de norma.
Por trás dessa decisão tem um combo de pressão política e risco jurídico. A retirada dos nomes acontece junto com o início da vigência da lei de Mato Grosso que prevê cortar benefícios fiscais de empresas que aderirem a acordos ambientais coletivos mais exigentes que a lei brasileira, e o estado publicou decreto regulamentando isso na terça-feira (31). Ao mesmo tempo, a AGU pediu ao STF pra prorrogar a suspensão da lei, e as conversas pra repactuar a Moratória vinham rolando com ONGs, tradings, MMA e MPF, incluindo ideias como plataforma com dados do Prodes e compromissos individuais pra evitar discussão de cartel. Só que o receio do setor aumentou depois que o Cade abriu inquérito pra investigar executivos e dirigentes, e aí, quando a fiscalização chega, muita gente prefere sair pela porta dos fundos antes que a placa caia.
CALENDÁRIO DO AGRO
O agro em 2026 não tem recesso

Se você achava que 2026 tava com cara de calmaria, pode desistir: o calendário do agro veio com 58 eventos (até agora) de janeiro a novembro, espalhados por todas as regiões do Brasil. É feira, congresso, vitrine de tecnologia, rodadas de negócio e debate pra todo lado, com produtor, indústria, pesquisa, cooperativa e governo no mesmo corredor, todo mundo fingindo que foi só dar uma olhadinha e saindo com um orçamento na mão e negócios fechados.
Março é o mês que mais promete perna cansada e crachá pendurado, com 12 eventos, quase uma maratona. No mapa, o Sudeste concentra a maior quantidade, com São Paulo liderando o bloco, enquanto o Centro-Oeste aparece forte na turma que respira grãos e pecuária, aquele combo clássico de máquina grande, solo no sapato e negociação no modo turbo.
E se você quer se organizar, já dá pra ir marcando: janeiro abre com Dinetec Canarana (MT) e Show da Soja (MS), fevereiro vem pesado com Show Rural Coopavel (PR) e uma sequência de eventos técnicos, e abril chega com pacote completo, incluindo Tecnoshow Comigo (GO), Expozebu (MG) e Agrishow (SP), o tipo de mês em que o agro faz networking até na fila do pastel.
PLANTÃO RURAL
Frio chegando de voadora. A primeira massa de ar polar de 2026 já entrou no Sul e Sudeste e deve derrubar as temperaturas nesta semana. Nas serras do RS e de SC pode rolar mínima abaixo de 10°C, e a frente fria ainda traz chuva e ajuda a montar uma ZCAS na costa.
Conilon salvou a xícara no ano-não. Mesmo com 2025 sendo um ano de bienalidade negativa, a Conab estimou alta de 4,3% na produção total de café, pra 56,6 milhões de sacas, puxada pelo conilon, que saltou 42,1% e chegou a 20,8 milhões, enquanto o arábica caiu 9,7% pra 35,7 milhões com clima ruim e perda de produtividade. Pra 2026 o mercado já sente o cheirinho do ano-sim com florada melhor, mais tecnologia e mais sacas por hectare.
França quer importar fruta, mas sem resíduo proibidão. O governo francês disse que vai emitir decreto pra barrar alimentos da América do Sul e de outros lugares que tenham pesticidas proibidos na UE, citando mancozeb, glufosinato, tiofanato-metil e carbendazim. A lista de produtos citada inclui abacate, manga, goiaba, cítricos, uva e maçã, e o anúncio rola bem no meio da novela Mercosul-UE.
Seguro rural e Embrapa perderam a trava de segurança. O presidente Lula vetou na LDO 2026 o trecho que impedia contingenciamento de despesas com subvenção do Seguro Rural e com pesquisa e infraestrutura da Embrapa, além de defesa agropecuária e fiscalização. A FPA chiou e disse que vai tentar derrubar o veto quando o Congresso voltar em fevereiro.
Amendoim virou exportação com crachá. A Embrapa apontou produção acima de 800.000 toneladas em cerca de 220.000 hectares, com SP puxando o bonde e avanço em MG, MT, MS, GO e TO. De 60% a 70% vai pra fora, então rastreabilidade e controle de resíduos deixam de ser diferencial e viram senha de entrada no mercado.
Mapa abriu 525 portas e ainda chamou de “potencial”. Em 2025, o Brasil abriu 525 novos mercados agro em 58 destinos, com estimativa de gerar um potencial de US$ 37,5 bilhões por ano em 5 anos se o fluxo engrenar. Proteínas animais lideram as aberturas, e o México foi o destino com mais autorizações, segundo a plataforma do ministério.
Conab já soltou o calendário pra ninguém fingir surpresa. O 4º Levantamento da Safra de Grãos 2025/26 sai em 15/01, e o cronograma prevê 12 levantamentos no ciclo até 15/09, com o 1º de 2026/27 em 15/10. O Prohort aparece em 22/01, o Boletim de Monitoramento Agrícola estreia em 29/01 e o café dá as caras em 05/02.
Banana feiosa pode virar amido bonito. Uma pesquisa do Ifes quer transformar banana fora do padrão em amido pra indústria e reduzir o desperdício que, hoje, chega a até 10% da colheita. A ideia é criar uma nova cadeia produtiva, gerar emprego e ainda garantir renda extra pro produtor, com o Incaper citando ganho que pode chegar a R$ 1.000/mês em alguns cenários.
SE DIVERTE AÍ
Pra entrar no clima da Copa São Paulo de futebol, o desafio de hoje é o Missing 11, o jogo em que você precisa adivinhar a escalação completa de um time a partir de algumas pistas e posições que vão aparecendo na tela. Parece tranquilo até faltar justo aquele lateral que jogou 3 meses no clube e sumiu do mapa. Chama o pessoal do escritório ou da fazenda, cada um joga no seu celular e vence quem fechar o 11 primeiro; o resto decide se paga o próximo cafezinho ou finge que travou de propósito.
VIVENDO E APRENDENDO
Resposta da edição passada: Pupunha
Pergunta de hoje: Qual grão, cultivado pelos astecas, era usado em rituais religiosos e hoje é ingrediente de barras de cereal?
A resposta você fica sabendo na próxima edição!

