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Bom dia!

A edição de hoje mistura tesoura e lupa: a AgroGalaxy encosta a Sementes Campeã pra aliviar a reestruturação, enquanto a fusão BRF-Marfrig ganha mais um round com o TJ-SP aceitando ação que questiona o processo de fusão. No campo, o termômetro do dinheiro e da produção aparece com cana moendo menos no Norte e Nordeste, fruta fazendo recorde lá fora e soja caindo no porto. E pra fechar, a citricultura arma um centro de pesquisa parrudo pra tentar tirar o greening do centro do jogo, num ano em que o clima promete seguir imprevisível.

Pra você acordar bem informado

Por Enrico Romanelli

TÁ QUANTO?

MERCADO
IBOVESPA (B3) 165.145,98 2,50%
MDIA3 R$25,28 5,51%
SMTO3 R$16,40 8,47%
BEEF3 R$5,37 -6,77%
VALE3 R$78,92 9,67%
Bitcoin US$97.417,26 10,27%
Ethereum US$3.366,43 12,68%

Os dados são publicados por BCB e Brapi.
As variações são calculadas em YTD (Year to date)

  • Bolsa em alta, agro de olho. O Ibovespa fechou em 165.145,98 pontos, alta de 1,96% e 1ª vez acima de 165 mil no fechamento, puxado por Vale com salto de 4,74% e Petrobras subindo forte. Entrou grana de fora no começo de 2026 e o mercado já tá fazendo conta com possível queda da Selic, mesmo com ruído político no meio do caminho.

COLHENDO CAPITAL

AgroGalaxy joga Campeã pra escanteio e tenta manter a casa de pé

Foto: Redes Sociais/Reprodução

A AgroGalaxy resolveu encostar a Sementes Campeã a partir desta quarta-feira (14), e oficializou a pausa como parte do plano de recuperação judicial. A decisão passou pelo Conselho de Administração na terça-feira (13) e a mensagem é direta: 2026 tá prometendo ser casca grossa e a empresa quer reduzir as saídas antes que o caixa vire pó.

Na prática, a firma diz que tá redimensionando a operação pra priorizar as unidades com melhor eficiência e menor fome de capital de giro. A lógica é bem pé no chão: concentrar energia onde dá pra rodar com menos combustível, gerar receita suficiente e seguir honrando compromissos com clientes, fornecedores, parceiros, credores e a turma que ficou no barco.

E o rearranjo não parou na operação. Três conselheiros renunciaram, a empresa deixou vagas abertas em dois comitês até segunda ordem e já convocou uma Assembleia Geral Extraordinária pra 04/02, com proposta de reduzir o conselho pra 3 integrantes e eleger só um novo conselheiro. RJ tem dessas: além de cortar custos, também corta cadeira.

NAS CABEÇAS DO AGRO

Justiça puxa a cadeira dos comitês e a fusão BRF Marfrig ganha mais um round

GIF: Tenor

O TJ-SP aceitou uma ação civil pública da Abraicc contra alguns integrantes dos comitês independentes que avaliaram a fusão entre Marfrig e BRF, que virou a MBRF. A associação levantou a bola questionando se essa turma era mesmo independente e se as contas da operação foram tão limpinhas assim. O Ministério Público entra como coautor, e os réus têm 15 dias pra apresentar defesa.

Na ação, a Abraicc diz representar acionistas da antiga BRF que teriam saído no prejuízo, porque a incorporação teria empurrado a pior condição econômica pra eles. A relação de troca ficou assim: 1 ação da BRF virava 0,8521 ação da Marfrig. E aí vem o ponto central do processo: apesar de as empresas terem divulgado comitês independentes em cada lado, a associação alega que os membros tinham relações duradouras com BRF, Marfrig e/ou o controlador, o que bateria de frente com os requisitos de independência.

Do outro lado, a MBRF disse que não é parte na ação, já que o alvo são os membros dos comitês. E reforçou que o processo foi tocado com máxima transparência e dentro das regras, lembrando que os pontos já teriam sido examinados por instâncias competentes, incluindo a CVM, e também pelo Judiciário no ano passado, sem apontar nenhum B.O.

O AGRO EM NÚMEROS

Cana no Norte e Nordeste perdeu ritmo e a fruticultura bateu recorde

Gif by Giphy

A safra 2025/26 de cana no Norte e Nordeste tá moendo menos do que tavam esperando: até 15 de dezembro, foram só 36,5 milhões de toneladas, queda de 8,5% vs. o mesmo recorte da safra passada. No Norte, a moagem caiu 11,9%, de 7,3 milhões pra 6,4 milhões; no Nordeste, recuou 7,7%, de 32,6 milhões pra 30,1 milhões. A coisa pro setor sucroenergético tá complicando em todo canto pelo jeito.

Enquanto a cana pisa no freio, a fruticultura foi no acelerador. As exportações de frutas bateram US$ 1,45 bilhão em 2025, recorde pelo 3º ano seguido, com alta de 12% em valor e 19,6% em volume. Manga seguiu líder com US$ 335 milhões, caiu 4% em valor, mas subiu 12,59% em volume e fechou perto de 280 mil toneladas. Agora o setor fica de zoião no acordo UE-Mercosul, babando na promessa de tarifa zero imediata pra uva e redução gradual pra outras frutas.

E a soja? Começou janeiro escorregando no porto. O indicador do Cepea em Paranaguá fechou a saca em R$ 130,90, com a 7ª queda seguida e recuo acumulado de 7,1% no mês. A conta tá ingrata: a cotação de Chicago ajudou a derrubar a daqui, o dólar não segurou a mão, e a safra recorde vai ganhando um tapa de realidade, deixando o comprador confortável e o produtor com aquela vontade de pedir socorro.

SAFRA DE CIFRAS

Frísia e Castrolanda fazem dobradinha nas sementes

Gif by clientliaison on Giphy

A Frísia e a Castrolanda fecharam um acordo de intercooperação pra unir seus negócios de sementes e parar de disputar espaço no mesmo balcão. As duas, donas das marcas Sementes Batavo e Sementes Castrolanda, juntas já colocam pouco mais de 2 milhões de sacas por ano na praça, com soja, trigo, feijão e cevada.

Na prática, elas vão juntar ativos de produção e logística. A Frísia entra com laboratório de análise em Ponta Grossa (PR) e beneficiamento em Ponta Grossa e Tibagi (PR), tudo no Paraná. A Castrolanda traz beneficiamento em Castro (PR) e Itaberá (SP), suporte laboratorial nas unidades e um centro de distribuição em Castro.

Do lado do recado oficial, o tom é de crescimento sem firula. A Frísia fala em modelo eficiente e escalável pra ganhar participação, e a Castrolanda diz que a parceria fortalece a competitividade do cooperado, otimiza processos e dá mais capilaridade pras marcas. No fim, o cooperado ganha mais opção e entrega mais redonda, e a semente chega com menos viagem e mais certeza no saco.

MENTES QUE GERMINAM

Missão (Im)possível: acabar com o greening

Giphy

Na segunda-feira (12), a citricultura paulista ganhou um reforço de peso e assinou o convênio que cria o CPA Citros, um centro de pesquisa aplicada pra inovação e sustentabilidade na laranja. Fapesp, Esalq/USP e Fundecitrus fecharam o acordo em Piracicaba (SP), com R$ 90 milhões pra rodar em 5 anos, bancados pelo Fundecitrus com apoio de citricultores e indústrias de suco, mais a Fapesp entrando junto com recursos do governo de SP.

São 75 pesquisadores, 19 instituições, 36 departamentos e gente de 7 países, com base na Esalq e laboratórios conectados no Brasil e lá fora, uma verdadeira rede de conhecimento. O alvo principal é o greening, velho inimigo da citricultura e que já acabou com a produção americana de laranjas. O modelo deles promete pesquisas colaborativas contínuas, com resultado saindo do papel e virando prática no campo, sem ficar preso em vitrine científica.

E a urgência tá nos números. O Brasil segue líder mundial em laranja e exportação de suco, e o cinturão de SP e MG colheu perto de 230 milhões de caixas na última safra. Só que o greening continua cobrando pedágio, e tá ficando caro: nas últimas 5 safras, já foram 102,26 milhões de caixas perdidas, e 47,6% das plantas nos pomares comerciais dessas regiões tão afetadas. Com pesquisa bem coordenada e transferência de tecnologia andando junto, a aposta do setor é de que dá pra tirar essa ameaça do centro do jogo e manter o pomar competitivo.

E ESSE TEMPO, HEIN?

O que tá ruim sempre pode piorar

Foto: Getty Images/Canva

Se 2025 já deixou o Brasil com aquela sensação de que o céu tá jogando na roleta pra decidir o clima, 2026 vai fazer parecer uma roleta-russa. Meteorologistas apontam um ano mais instável e difícil de prever, com menos padrão entre as estações e mais mudanças bruscas de temperatura e chuva ao longo dos meses, do tipo que bagunça plantio, colheita e até a agenda.

Pra esse ano, o pessoal do Climatempo tá esperando alternância entre períodos bem quentes e secos, com veranicos e até ondas de calor, e dias mais molhados com chuva forte e queda de temperatura, tudo em sequência, sem muita cerimônia, bastante bipolar. E o calor tende a ficar acima da média histórica não só no verão, mas praticamente no ano inteirinho.

No pano de fundo, La Niña e El Niño entram como protagonistas de revezamento. A presença inicial da La Niña favorece uns contrastes mais acentuados e bastante instabilidade, depois o cenário pode caminhar pra neutralidade e, mais pra frente, volta a loucura com a possibilidade de formação de El Niño, que geralmente mexe muito com regimes de calor e chuva no Brasil. Pra completar o combo, oscilações como Madden-Julian e Oscilação Antártica também devem influenciar o entra e sai de frentes frias e bloqueios atmosféricos, aumentando a chance tanto de friaca pontual quanto de calor escaldante.

PLANTÃO RURAL

  • Lista de exóticas entrou no freezer. Depois de pressão da FPA no Congresso, o Ministério do Meio Ambiente suspendeu temporariamente a Lista Nacional de Espécies Exóticas Invasoras, que colocava na mesma prateleira tilápia, camarão vannamei, eucalipto, pinus e até manga, goiaba e jaca. Agora o governo promete mais diálogo antes de retomar o tema.

  • SLC pagou menos no pacote. A SLC ajustou o preço final da compra da Sierentz de US$ 135,2 milhões pra US$ 129 milhões, após ajustes contratuais. O negócio envolve 3 fazendas arrendadas em MA, PI e PA, com 96 mil hectares físicos e potencial de cerca de 135 mil hectares plantados.

  • JBS largou o beef jerky no balcão. A JBS vendeu sua fatia de 50% na joint venture Meat Snacks Partners pra Jack Link’s, que já tinha a outra metade. A operação no Brasil inclui fábricas em Santo Antônio de Posse (SP) e Lins (SP), e a participação tava avaliada em US$ 22,8 milhões no balanço do 3º tri de 2025, ainda sujeita ao ok do Cade.

  • RS pediu extensão no calendário. A Farsul solicitou prorrogar o prazo de plantio da safra de verão no Rio Grande do Sul de 28/01 pra 15/02, por causa do milho semeado mais tarde com clima irregular. A Emater RS aponta colheita do milho em 2% da área, bem abaixo dos 9% do ano passado e da média de 12% dos últimos 5 anos.

SE DIVERTE AÍ

Hoje a brincadeira é com o Tradle, o joguinho estilo wordle da balança comercial. Você recebe a lista dos principais produtos que um país exporta e tem que adivinhar quem é o dono dessa pauta. Vale ler com olhar de agro nerd mesmo: reparou muito grão, carne e minério, já pode chutar Brasil ou vizinho forte no campo. Se pintou muito eletrônico, máquina e química, talvez seja alguém lá da Europa ou da Ásia. Bora testar se você tá afiado pra bater o olho na lista de exportações e adivinhar o país antes do sexto palpite.

VIVENDO E APRENDENDO

Resposta da edição passada: Trigo

Pergunta de hoje: Qual cultura andina era considerada sagrada pelos incas e usada em cerimônias religiosas antes de ser levada à Europa?

A resposta você fica sabendo na próxima edição!

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