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Bom dia!

A edição de hoje começa no Oriente Médio e termina num viveiro de pirarucu, mas no meio do caminho tem adubo 39% mais caro, China trocando os EUA pelo Brasil na soja, Fávaro deixando o Mapa e Show Safra abrindo as portas em Lucas do Rio Verde. Spoiler: o produtor vai precisar de mais do que boa vontade pra fechar a conta esse ano.

Pra você acordar bem informado

Por Enrico Romanelli

TÁ QUANTO?

MERCADO
IBOVESPA (B3) 176.219,40 9,37%
BEEF3 R$3,64 -36,81%
SMTO3 R$18,78 24,21%
RAIZ4 R$0,55 -32,10%
TTEN3 R$15,41 -6,61%
Bitcoin US$68.090,07 -22,93%
Ethereum US$2.049,89 -31,39%

Os dados são publicados por BCB e Brapi.
As variações são calculadas em YTD (Year to date)

DE OLHO NO PORTO

Adubo em chamas e bioinsumo no radar

Foto: Getty Images

O adubo entrou no noticiário pela porta da frente e sem pedir licença. Com nitrogenados disparando desde o começo de março, por conta dos ataques dos EUA e Israel no Irã, e 80% a 90% dos fertilizantes vindo de fora, o agro brasileiro tá vendo a geopolítica fazer cobrança automática no caixa. E quando o assunto é custo, não tem romantismo, tem boleto.

Nesse cenário, o debate sobre bioinsumos voltou a ganhar volume, mas sem aquele papo de trocar tudo. Biofertilizantes e outros biológicos entram como complemento pra reduzir parte da demanda importada, aliviar a exposição a conflito e, de quebra, criar emprego e desenvolvimento local. A comparação é com a crise do petróleo nos anos 1970, quando o Brasil foi obrigado a diversificar na marra.

O problema é que bioinsumo ainda é nicho. Hoje ele representa menos de 10% do mercado, mesmo crescendo mais rápido que os químicos. Falta de coordenação institucional e incentivos econômicos ainda deixam o fertilizante fóssil importado mais atraente e a estrutura do mercado segue dominada por insumos químicos, o que mantém o biológico no banco de reservas.

Aí entra o aviso mais indigesto da StoneX. O mercado tá saindo da parte que é só atraso de navio e indo pra um terreno mais perigoso, quando o risco deixa de ser só logística no Estreito de Ormuz e vira ameaça à produção global. Com ataques atingindo infraestrutura de energia no Oriente Médio, o problema pode ser recuperação lenta de usinas e fábricas e oferta incerta por mais tempo.

E isso pega no pior momento, porque a janela de compra pro adubo da safra de verão costuma ficar entre o fim de maio e o começo de julho. Parar de comprar não é opção se a meta é não perder produtividade, e desse jeito o planejamento vira refém da volatilidade e o custo deve escorrer pela cadeia inteira, do grão ao prato.

SAFRA DE CIFRAS

Guerra no Irã dá empurrãozinho nos grãos e puxa freio das carnes na bolsa

GIF: southpark on Giphy

Além dos fertilizantes, a guerra entre EUA e Irã também entrou no mercado financeiro como aquele empurrão que ninguém pediu, ajudou alguns, atrapalhou outros e bagunçou o cardápio do agro. Segundo o BB Investimentos, soja e milho ganharam fôlego com o petróleo mais caro, já que o biocombustível costuma andar de mãos dadas com o barril. Em fevereiro, a soja subiu 6,7% em Chicago, puxada pela expectativa de consumo maior nos EUA, chance de mais demanda chinesa e apostas no uso de óleo de soja pra biocombustíveis. Em março, a treta no Oriente Médio voltou a jogar lenha e manteve a oleaginosa em alta.

No milho, fevereiro foi mais morno, com queda de 0,3% na comparação com janeiro por conta de perspectiva de menos espaço pro trade americano, mais competição da América do Sul e demanda global sem grande animação. Só que a guerra também jogou seu tempero especial e empurrou a cotação, que chegou a fechar em US$ 4,53 no dia 12 contra US$ 4,33 do começo do mês.

Já nas carnes, o humor muda de mesa. O BB tá de olho na pressão de preço e de rentabilidade, com a bovina sentindo desaceleração de abates, mas exportações ainda firmes, e a arroba do boi gordo girando perto de R$ 350. Em frango e suínos, o roteiro é parecido, abate crescendo e exportação mais fraca, o que aperta margem no mercado doméstico e lá fora.

E tudo isso mexe, e muito, com a bolsa. Pra quem tá em dúvida de onde investir esse ano, o BB também deixou suas dicas. Minerva, Marfrig, 3Tentos e JBS, todas receberam recomendação de compra. Minerva com preço-alvo em R$ 8,00 e potencial de 82,2%, e Marfrig com alvo de R$ 28,60 e potencial de 69,9%. 3Tentos com alvo de R$ 20,80 e potencial de 38,5%, JBS com alvo de R$ 109,00 e potencial de 37,4%. A Boa Safra tem alvo de R$ 14,90 e potencial de 84,2%, mas mesmo assim, continua com recomendação neutra, do tipo que o upside é bonito, só que o risco tá fazendo barulho no rádio.

O AGRO EM NÚMEROS

Café solúvel dá sinal de vida e a China troca a soja dos EUA pela brasileira

GIF: theoffice on Giphy

O café solúvel brasileiro teve um fevereiro mais animado, com 7,4 mil toneladas embarcadas, o equivalente a 321,1 mil sacas e uma alta de 14% contra fevereiro de 2025. E isso sem falar da receita que subiu 10,9% e ficou em US$ 90,2 milhões, segundo a Abics. Mesmo com o solúvel ainda taxado em 10% nos EUA, o mercado americano aumentou compras no mês.

Na soja, a China basicamente colocou o Brasil como fornecedor padrão no início de 2026. As importações chinesas vindas dos EUA somaram 1,49 milhão de toneladas em janeiro e fevereiro, queda de 83,7% contra as 9,13 milhões no mesmo período do ano passado, enquanto o volume do Brasil subiu 82,7% e chegou a 6,56 milhões de toneladas. A Argentina também apareceu mais, com 3,27 milhões de toneladas, puxada por compras feitas depois que Buenos Aires suspendeu temporariamente impostos de exportação.

COLHENDO CAPITAL

Caramuru moeu mais, vendeu mais e fez 2025 dobrar o lucro líquido

GIF: spongebob on Giphy

A Caramuru fechou 2025 voando, vendeu 2,73 milhões de toneladas, 10,3% a mais que o ano anterior, surfando a onda da safra, que foi bem boa, com mais volume de soja e milho nessa maré. Na originação, a companhia puxou ainda mais grão pra dentro, 2,9 milhões de toneladas, alta de 13,7%, com a soja liderando com 2,14 milhões de toneladas e avanço de 11,9%, enquanto o milho somou 678 mil toneladas e subiu 16,3%. Pra resumir, teve mais grão entrando e mais produto saindo, do jeitinho que o caixa gosta.

Só que não foi só correria, teve margem também. O CEO Marcus Erich Thieme disse que a rentabilidade melhorou significativamente, com ajuda do aumento do percentual de mistura de biodiesel no segundo semestre e de uma crush margin mais simpática no começo da safra. A dinâmica entre os preços do farelo e do óleo de soja entrou como parceira de dança e ajudou a empresa a capturar margem antes do mercado mudar de humor.

No final, o caixa sorriu mostrando todos os dentes. O lucro líquido chegou a R$ 571 milhões em 2025, alta de 109,8% sobre 2024, e o Ebitda ajustado foi pra R$ 812,5 milhões, avanço de 94,7%, ajudado também porque 2024 teve despesas não recorrentes pesando. A receita líquida fechou em R$ 8,16 bilhões, alta de 12,2%, com biocombustíveis adicionando R$ 390 milhões na conta e commodities colocando mais R$ 375 milhões, tudo isso na base de mais volume e preço segurando a pose.

QUAL A BOA?

Show Safra começa hoje e projeta 200 mil cabeças circulando por lá

Foto: Divulgação

O Show Safra começa hoje (23), lá em Lucas do Rio Verde (MT), e vai até quinta-feira (27), com mais de 170 horas de programação. Vai rolar palestra, painel, demonstração de campo e até rodada de negócio, o rolê perfeito pra você sair de lá com o networking feito, contato no zap e ideia na cabeça. A entrada é grátis e a feira funciona das 8h às 18h e a organização tá apostando em cerca de 200 mil pessoas circulando por lá nos 5 dias.

Pra ninguém se perder no mapa, a feira separou tudo em centros temáticos: Show Safra Connect (para startups e inovação), Pecuária, Agro 360, Aero, Negócios e Mulher. A novidade do ano fica com o Show Safra Educação, puxando ensino e tecnologia pra dentro do evento e abrindo espaço também pra estudantes e instituições.

No conteúdo, o cardápio mistura produtividade, sustentabilidade, crédito rural, inovação tecnológica e cenário econômico, com pit stop em reforma tributária, gestão e liderança. No Show Safra Mulher, por exemplo, tem pauta de liderança feminina, inteligência financeira, gestão sustentável e políticas públicas, com cerca de 25 palestrantes.

MENTES QUE GERMINAM

IA vira vigia de viveiro e tenta adivinhar a hora do ninho do pirarucu

GIF: spongebob on Giphy

A Embrapa botou a IA pra virar vigia de viveiro e tentar tirar a reprodução do pirarucu do olhômetro. Em parceria com a UFMG, o projeto da estatal instalou 12 câmeras em 12 viveiros escavados e deixou o sistema filmando das 6h às 18h, todo santo dia com luz. Cada vez que o pirarucu sobe pra respirar, o algoritmo marca o ponto e cospe numa planilha que não dorme no serviço.

Só que pra enxergar peixe na água não basta boa vontade. Os pesquisadores treinaram a máquina marcando manualmente o viveiro e as aparições na superfície e ainda ensinaram a lidar com sol de meio dia, céu nublado, chuva e entardecer, porque os reflexos na água e as sombras também tentaram sabotar o trampo. O projeto roda com software de código aberto e tem grana do Aquavitae, da FAPT e de emenda do senador Eduardo Gomes (PL-TO).

O objetivo maior é acertar o timing do ninho. Depois da indução hormonal, o pirarucu faz o ninho, a fêmea deposita os ovos, o macho fertiliza e o casal muda de comportamento, fica rondando o mesmo lugar e até faz um jejum. Se o sistema conseguir reconhecer esse padrão cedo e avisar na hora certa, dá pra recolher ovos recém fertilizados e reduzir o prejuízo de perder alevino por demora. E de quebra, os dados ainda podem ajudar a ligar respiração com temperatura, oxigênio e amônia, mapear estresse pós manejo, indicar doença e até estimar biomassa por imagem, o que é uma mão na roda quando o bicho passa de 100 kg e ninguém tá a fim de pegar esse BO no braço.

PLANTÃO RURAL

SE DIVERTE AÍ

Hora de dar um descanso pros números e espremer o cérebro em outra lavoura: o vocabulário. Hoje a pedida é o Termo, aquele jogo em que você tem 6 tentativas pra adivinhar a palavra do dia. Vale combinar com o pessoal da fazenda, do escritório ou da república e ver quem acerta primeiro. Depois do café, já sabe: abre o Termo, chuta uma palavra qualquer e deixa a cor dos quadradinhos dizer se sua cabeça tá mais pra lavoura bem manejada ou pra área que precisa de reforço técnico.

VIVENDO E APRENDENDO

Resposta da edição passada: Pirarucu

Pergunta de hoje: Qual bebida clara e sem álcool virou patrimônio cultural do Piauí?

A resposta você fica sabendo na próxima edição!

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