APRESENTADO POR

Bom dia!

Hoje o cardápio vem com carne mais cara antes mesmo de chegar na grelha, STF chamando a turma da soja pra conversar e tentar evitar mais uma saga judicial, esmagamento recorde no radar da Abiove com Minas botando ovo pra fora, Cocatrel crescendo na base e a ADM trocando o pote do pet pelo cocho do gado, enquanto a guerra no Irã aperta o adubo e escancara o quanto o Brasil ainda depende do resto do mundo pra plantar sem susto.

Pra você acordar bem informado

Por Enrico Romanelli

TÁ QUANTO?

MERCADO
IBOVESPA (B3) 180.270,62 11,88%
BEEF3 R$3,84 -33,33%
SMTO3 R$19,00 25,66%
RAIZ4 R$0,56 -30,86%
TTEN3 R$15,28 -7,39%
Bitcoin US$70.395,99 -20,32%
Ethereum US$2.148,29 -28,09%

Os dados são publicados por BCB e Brapi.
As variações são calculadas em YTD (Year to date)

  • Minerva apanha na Bolsa. As ações da Minerva despencaram 10,70% ontem (19) e fecharam em R$ 3,84 após o balanço do 4º tri de 2025. O BB Investimentos rebaixou a recomendação pra neutra e citou risco com salvaguardas da China e logística no Oriente Médio. A XP também viu surpresa negativa, com queima de caixa bem acima do esperado, perto de R$ 500 milhões, e alavancagem mais alta.

SAFRA DE CIFRAS

Minerva volta pro lucro, mas 2026 promete boi caro e frete salgado pra todo mundo

Foto: Bloomberg/Victor Moriyama

Na edição de ontem (19), a gente te contou que a Minerva fechou o 4º tri no azul com lucro de R$ 85 milhões, mas o discurso de coisa boa durou pouco e o CFO da empresa já avisou que 2026 deve vir com a margem mais magrinha. Edison Ticle disse que a pressão de custo tá espalhada igual poeira em estrada de terra: menos boi disponível no Brasil e o frete marítimo subindo com a guerra no Irã, então o churrasco vai viajar mais caro antes mesmo de chegar na grelha.

Do lado do gado, a maré virou. Com pecuarista segurando fêmea pra recompor rebanho, o preço do gado começa a subir e o frigorífico perde aquela gordura que ajudou o setor no ano passado. Do outro lado do mundo, o conflito no Oriente Médio tá bagunçando rota, seguro e custo de transporte, e aí o boi não só fica mais caro, como chega mais caro também.

A Minerva ainda aposta que dá pra repassar parte dessa pancada pro preço final, porque a demanda global continua firme e a oferta mundial vai ficar mais magrinha. A empresa estima que a produção global de carne bovina pode cair até 1 milhão de toneladas em 2026, com EUA apertados por falta de gado e até a Austrália sinalizando produção menor. Ou seja, o mundo quer carne, mas o boi tá ficando raro e o frete tá cobrando pedágio.

NOS CORREDORES DE BRASÍLIA

STF chama tradings e produtores pra conversa e tenta evitar que a Moratória vire novela

GIF: Giphy

O STF resolveu reunir a rapazeada e tentar mediar um acordo entre produtores e tradings sobre os efeitos do possível fim da Moratória da Soja, aquele acordo de 20 anos atrás que proíbe as signatárias de comprar soja de áreas desmatadas na Amazônia depois de 2008. Nesta quinta-feira (19), Edson Fachin suspendeu o julgamento de 2 ações que contestavam leis de Mato Grosso e Rondônia que cortaram benefícios fiscais de empresa que eram ligadas ao acordo, e o tema foi pro Núcleo de Solução Consensual de Conflitos do tribunal.

O STF deu 90 dias pra ter reconciliação, com a turma da área econômica entrando no jogo pra ajudar a amarrar as pontas. Dias Toffoli e Flávio Dino podem esticar esse deadline e, se não sair consenso, a discussão volta pro plenário, do jeito tradicional, com voto, tensão e muita expectativa. Toffoli falou que o caso é complexo e pode virar um processo sem fim, e Dino bateu no ponto de que a cadeia é integrada e um não vive sem o outro, lembrando que já pintaram pedidos bilionários de indenização que podem levar 20 anos pra virar sentença.

A confusão vem de trás. Dino já tinha reconhecido em 2025 a legalidade de quase toda a lei mato-grossense, que entrou em vigor em 2026, o que ajudou a empurrar as tradings ligadas à Abiove pra fora do acordo e ainda suspendeu os processos judiciais e administrativos que falavam da Moratória, incluindo uma ação em Mato Grosso pedindo mais de R$ 1 bilhão e uma investida no Cade com acusação de cartel. Agora, o STF quer um acordo pra evitar que a conta volte a cair no colo do Judiciário quando o mérito for julgado. Enquanto AGU e ONGs batem na tecla do risco climático e de mercado no caso do fim da Moratória, Aprosoja e CNA dizem que o acordo atropela o Código Florestal e trava a soja com discurso ambiental, e o STF tá tentando impedir que essa disputa vire figurinha repetida.

O AGRO EM NÚMEROS

Esmagamento recorde e ovos mineiros em alta

GIF: Giphy

A Abiove mexeu nas expectativas e buffou o esmagamento de soja de 2026 pra 61,5 milhões de toneladas, um novo recorde que vem junto de uma produção maior, 177,847 milhões de toneladas, além de 47,4 milhões de toneladas de farelo e 12,35 milhões de toneladas de óleo.

E Minas botou ovo na mala e ganhou mais espaço lá fora. No 1º bimestre, as exportações de ovos do estado cresceram 15,7% em volume e chegaram a 1,1 mil toneladas, com receita de US$ 1,5 milhão. O Chile levou 70% do pacote, embalado pela abertura do mercado no modelo pre-listing, mas a produção também pingou em destinos como Itália e Japão.

COLHENDO CAPITAL

Cocatrel engorda a base, puxa 732 novos cooperados e mira 1,95 milhão de sacas

Foto: Assessoria de Imprensa Cocatrel

A Cocatrel passou 2025 fazendo o que cooperativa gosta de fazer, juntando gente e volume. Foram 732 novos cooperados no ano e a base subiu praticamente 8%, batendo 9,3 mil associados. Com esse crescimento, a expectativa é de que a originação chegue a 1,95 milhão de sacas em 2026, pra deixar pra trás as 1,84 milhão de sacas recebidas em 2025. No discurso da cooperativa, a crise em algumas empresas e a incerteza do mercado empurraram o produtor pra quem parece mais sólido e previsível.

Pra caber mais café, a cooperativa também mexeu na casa. Em 2025, eles investiram de R$ 15 milhões a R$ 20 milhões pra modernizar e aumentar a capacidade de estocagem, incluindo a compra de um armazém novo em Ilicínea (MG) e a inauguração de uma loja em Três Pontas (MG). E já tem spoiler da próxima temporada, o plano pra 2027 é abrir outro armazém do mesmo porte e mais 2 filiais. Tudo isso pra garantir uma logística mais lisa, já que café chegando sem lugar pra guardar vira dor de cabeça das brabas.

No balanço, a Cocatrel faturou R$ 3,4 bilhões em 2025, alta de 3%, e o recebimento de café cresceu no mesmo ritmo. Já o volume vendido caiu 34,9%, pra 1,42 milhão de sacas, porque safra menor e produtor segurando estoque pra ver se o preço dá aquele up. Hoje, 25% a 30% do café é exportado diretamente, mas quando entra o que vai via tradings, o total chega a 60%, com o resto ficando no mercado interno. E com a chuva ajudando desde o início do ano, a cooperativa aposta que 2026 vai ter mais café entrando pela porta.

NAS CABEÇAS DO AGRO

ADM quita da pet food e foca em premix pra gado

Foto: Reprodução/AgFeed

Depois de largar de vez a pet food no Brasil no ano passado, a ADM resolveu trocar o pote do cachorro pelo cocho do gado e inaugurou uma nova fábrica de premix em Apucarana (PR). A planta fica ao lado de um centro de distribuição da empresa, tem 7,5 mil m² e capacidade pra produzir 40 mil toneladas por ano, com espaço pra dobrar pra 80 mil se o mercado pedir bis. A ideia é fazer dali o polo nacional do premix, aquela mistura concentrada de micronutrientes que deixa a ração mais redonda, especialmente pra produtor grande que não tá a fim de improviso na dieta do rebanho.

A unidade foi desenhada como projeto do zero, com um modelo de produção mais horizontal e integrado, diferente do padrão mais vertical que manda nesse mercado. No começo, a operação deve rodar em 1 turno, mirando até 15 mil toneladas, e a ideia é acelerar até chegar em 3 turnos lá pra frente. A ADM também já avisou que a fábrica menor de premix que ela mantém na cidade, com capacidade perto de 24 mil toneladas, deve sair de cena quando a nova engrenar de vez.

O plano é fazer de Apucarana um hub pra abastecer o Brasil inteiro e até atender os vizinhos, tipo Paraguai, Bolívia, Argentina e Uruguai. A lógica é bem prática, quando a ração viaja muito, a margem começa a sumir no meio do frete, mas premix aguenta estrada longa sem virar prejuízo. E como Paraná e Santa Catarina concentram muito da produção e da exportação de proteína animal, a ADM tá colocando a fábrica no lugar onde o apetite nunca tá em dieta.

DE OLHO NO PORTO

Guerra no Irã aperta o adubo e expõe o calcanhar de Aquiles do agro brasileiro

Foto: Reprodução

A guerra entre Estados Unidos e Israel contra o Irã tá causando BO pro mundo inteiro, nos mais diversos setores, e aqui o conflito tá batendo onde o produtor menos gosta, no custo do insumo. Com o Estreito de Ormuz bloqueado, entre 25% e 30% das exportações globais de fertilizantes nitrogenados ficam reféns da sorte no Golfo, e o mercado já tá cobrando taxa extra de nervosismo junto com o frete.

No Brasil, o susto vira um espelho e força uma reflexão que já é necessária faz tempo. Em 2025, a gente importou 45,5 milhões de toneladas de fertilizantes, 92%, ou quase tudo, das 49,1 milhões de toneladas que foram consumidas. E agora fica nítido que não dá pra ficar à mercê do humor da geopolítica mundial pra fechar a conta no fim da safra. A fatura fechou em US$ 15,5 bilhões, mas teve seu auge quando foi de US$ 24,7 bilhões em 2022, quando a tonelada resolveu dobrar de preço por causa da guerra entre Rússia e Ucrânia. Pelo andar da carruagem, esse recorde pode cair em breve.

A CNA diz que, por enquanto, não parece que vai ter falta de produto, mas o bolso já tá sentindo a pancada e a logística tá com pavio curto. A ureia já tá cerca de 39% mais cara do que antes da guerra, e os fertilizantes costumam morder de 40% a 50% dos custos variáveis de grãos, então qualquer alta aparece na planilha sem pedir licença. O Plano Nacional de Fertilizantes, lançado em 2022, mirava reduzir a dependência pra 45% até 2050, só que o mundo de 2026 tá chegando pra mostrar que esse plano tem que apertar o passo.

PLANTÃO RURAL

SE DIVERTE AÍ

Hoje o rolê é testar se tu reconhece mais lavoura que o Google. No GeoGuessr, o jogo te joga no meio de uma estrada aleatória do planeta, em visão de rua, e tu tem que adivinhar onde tá no mapa. Vale procurar pista em placa, tipo de solo, pivô de irrigação, padrão de cerca, tipo de caminhão e até formato de telhado de galpão. Entra lá, escolhe um modo mundo ou América do Sul, chuta o lugar e depois conta pra gente se tu mandou o palpite certeiro ou jogou uma fazenda do Kansas no meio do Mato Grosso.

VIVENDO E APRENDENDO

Resposta da edição passada: Tilápia

Pergunta de hoje: Qual gigante amazônico teve manejo comunitário certificado que elevou preço e conservou estoques naturais?

A resposta você fica sabendo na próxima edição!

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