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Bom dia!

Do outro lado do Atlântico, a UE carimbou o ok provisório pra assinatura do acordo com o Mercosul, e o jogo virou sobre quem ganha acesso, quem perde margem e o que ainda falta pra isso virar regra de verdade. No Brasil, o agro comemora o tabuleiro maior, mas já olha torto pras salvaguardas e pras cotas que podem vir com letra miúda. No cardápio de hoje ainda tem recorde de exportação brigando com crédito mais curto, carne bovina pedindo negociação com a China, óleo de cozinha usado virando biodiesel barato e o clima trocando de marcha pro 2º semestre.

Pra você acordar bem informado

Por Enrico Romanelli

TÁ QUANTO?

MERCADO
IBOVESPA (B3) 163.370,31 1,39%
MDIA3 R$24,50 2,25%
SMTO3 R$14,91 -1,39%
BEEF3 R$5,30 -7,99%
VALE3 R$74,72 3,84%
Bitcoin US$90.335,24 2,25%
Ethereum US$3.102,78 3,86%

Os dados são publicados por BCB e Brapi.
As variações são calculadas em YTD (Year to date)

NAS CABEÇAS DO AGRO

Resumão do acordo UE-Mercosul

Foto: Gustavo Magalhães/MRE

O acordo UE-Mercosul foi aprovado na última sexta-feira (9), de forma provisória, pelo bloco de lá do outro lado do Atlântico. Na prática, esse acordo é um pacote de regras pra reduzir tarifas, abrir mercado e dar previsibilidade pro comércio entre os 2 blocos, depois de mais de 25 anos de negociação.

Só que assinatura não é só apertar um botão e já era. Pra entrar em vigor de vez, o acordo completo ainda precisa de trâmites de aprovação, com o Parlamento Europeu no roteiro e, no caso do texto amplo, ratificações formais também. A gente compilou aqui tudo que você precisa saber pra ficar por dentro desse acordo e do que muda com ele, confere aí:

  • O que foi aprovado agora na UE

    • Embaixadores dos 27 países deram suas posições em votação, o que culminou na aprovação provisória, já que bateu o mínimo de 15 países que somam 65% da população do bloco, que é a régua de maioria qualificada.

    • Isso libera a Comissão Europeia, com Ursula von der Leyen, a assinar com o Mercosul.

    • Pra começar a valer 100% falta o parlamento deixar o acordo avançar e ele ser assinado por geral.

  • O que significa a aprovação provisória e o acordo interino

    • Provisória aqui é um ok pra assinar, não quer dizer que já tá assinado.

    • O interino funciona como um guarda-chuva comercial separado, pra colocar reduções tarifárias e regras de comércio pra rodar antes do acordo completo ficar totalmente ratificado.

  • Por que a UE acelerou isso agora

    • A Comissão Europeia e países como Alemanha e Espanha vendem o acordo como salvação a esse mundo mais protecionista de hoje, tentando compensar as perdas com tarifas dos EUA e podar a dependência da China.

    • Do lado europeu, o acordo também corta bastante custo: a UE fala em reduzir papo de € 4 bilhões em impostos sobre exportações pro Mercosul.

  • O bloco europeu tá unido? Nem de longe

    • A França lidera a resistência, com Polônia e Irlanda também batendo o pé em diferentes momentos, e agricultor europeu indo pra rua com trator, bloqueio e pressão política.

    • A ministra da Agricultura da França já saiu falando que a briga continua e que agora mira a votação no Parlamento Europeu.

    • Entidades ambientalistas europeias também criticaram o acordo, falando de impactos climáticos e de sustentabilidade. Aquele mesmo papinho de sempre.

  • Reação do governo brasileiro

    • Carlos Fávaro disse que a aprovação provisória é um avanço importante e minimizou as salvaguardas, dizendo que o foco tá na ampliação de oportunidades.

    • Geraldo Alckmin disse que o governo espera o acordo em vigor ainda em 2026 e falou em fortalecimento do multilateralismo, comércio e investimentos.

  • Expectativa de negócios e tamanho do tabuleiro

    • A ApexBrasil fala em um mercado perto de US$ 22 trilhões e chuta um potencial de +US$ 7 bilhões nas exportações brasileiras com o acordo.

  • Reação da FPA

    • Tereza Cristina disse que é um avanço, mas não o acordo dos sonhos, criticou salvaguardas e reforçou que o livre comércio ainda fica distante, mesmo reconhecendo que o acordo pode abrir alternativas num mundo mais protecionista.

  • Reação de entidades do agro, com aplausos e freios de mão

    • Faesp: viu avanço e lembrou que o tarifaço dos EUA reforça a necessidade de acordos, mas cobrou postura do Brasil pra proteger produtor daqui também, citando alguns problemas internos como seguro, juros e crédito.

    • Farsul: reconheceu um ganho histórico, mas carimbou que tem muito protecionismo europeu no texto, grifando as salvaguardas e barreiras ambientais e sanitárias. Também criticou a postura do governo brasileiro por acomodar medidas unilaterais pra não perder o acordo.

    • Abag: tratou o acordo como estratégico e abriu o radar pra novas agendas, tipo combustíveis sustentáveis pra aviação e transporte marítimo, mobilidade híbrida e cooperação tecnológica, defendendo um roteiro de longo prazo entre os blocos.

  • Reação do mercado, com termômetro na B3

    • Ações ligadas a etanol subiram no dia da confirmação, com até a Raízen avançando perto de 5%, São Martinho subindo mais de 5% e Jalles Machado com alta acima de 2%. Lá fora, Adecoagro também subiu mais de 5% em Nova York.

    • O gatilho foi a previsão de cotas de etanol no mercado europeu, com uma parte isenta e outra com redução tarifária, mas a divisão dessas cotas entre países do Mercosul ainda é papo pra mais pra frente.

O AGRO EM NÚMEROS

Recorde no porto, freio no crédito

Giphy

Se o ano de 2025 do agro brasileiro fosse um filme, ia chegar nas cabeças das premiações, brigando contra O Agente Secreto pra levar a estátua pra casa. No ano, a gente bateu US$ 169,2 bilhões em exportações, com alta de 3,6% no volume embarcado segurando uma queda de 0,6% nos preços médios.

Os recordes vieram espalhados por tudo que dá pra mandar pra fora. A soja seguiu rainha com 108,2 milhões de toneladas, avanço de 9,5% em 1 ano. O algodão carimbou 3,03 milhões de toneladas, crescendo 9%. E a lista ainda teve carne bovina com 3,5 milhões de toneladas, carne de frango com 5,324 milhões de toneladas e aumento de 0,6%, carne suína com 1,510 milhão de toneladas e alta de 11,6%, ovos com 40,89 mil toneladas e salto de 121,4%, além de gado vivo batendo 1,05 milhão de cabeças com alta de 5,53%. Nem o tarifaço segurou a gente.

Só que tem um número que não aparece na conta e pode dar muito pepino pra produtor. No Plano Safra 2025/26, o desembolso de julho a dezembro somou R$ 186,146 bilhões, o equivalente a 45,8% do total disponível de R$ 405,9 bilhões sem contar CPRs, e ficou 15,54% abaixo do mesmo período da safra 2024/25, quando tinha chegado a R$ 220,384 bilhões. Até o fim de dezembro, foram 1,241 milhão de contratos, uma leve queda de 0,5% em relação aos 1,247 milhão do ciclo anterior. A leitura do mercado é de que o produtor tá mais cauteloso pra contratar e banco tá mais seletivo pra liberar, com endividamento alto, onda de recuperações judiciais e regra do Banco Central apertando a régua de provisão, então a turma corre mais pra alternativas como CRA e barter quando o crédito oficial não encaixa.

E o recorte por modalidade deixa isso ainda mais nítido. O custeio somou R$ 107,494 bilhões e recuou 15,5%. Investimento encolheu com força e ficou em R$ 41,490 bilhões, uma queda de 30,56%. Comercialização bateu R$ 18,124 bilhões, 9,14% menor. A exceção foi industrialização, que chegou a R$ 19,038 bilhões e cresceu 40,5%. No recorte por público, o Pronaf fechou R$ 37,174 bilhões com recuo de 5%, o Pronamp ficou em R$ 39,452 bilhões com queda de 6,4% e os grandes produtores somaram R$ 109,519 bilhões, retração de 21,3%.

PAUTA VERDE

Fritura que vira combustível

Foto: Getty Images

Tem óleo de cozinha usado que já tá achando que o destino dele é só entupir pia e acabar na bronca do encanador. Só que uma pesquisa da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), no Rio Grande do Sul, Universidad Tecnológica del Uruguay (UTEC) e Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM), em Minas Gerais, mostrou que esse resto de fritura pode virar biodiesel com tempero de bom negócio, e não só de ideia sustentável pra postar.

O estudo simulou a produção numa biorrefinaria piloto de 475 toneladas por ano e achou um dado que faz qualquer um sorrir: quando a matéria-prima é o óleo residual, ela pesa só 21% do custo total. Pra comparar, usando óleo de soja ou sebo bovino, a matéria-prima engole 78% do custo. A diferença é assombrosa.

Além do lado verde, o trabalho aponta um caminho bem pé no chão pra rodar em escala menor: pequenas biorrefinarias podem ser viáveis se estiverem ligadas a sistemas locais de coleta do óleo usado, abrindo espaço pra cooperativas e iniciativas públicas e privadas transformarem resíduo em receita. A pesquisa saiu na Revista Agropampa, da Unipampa, com acesso gratuito aqui.

DE OLHO NO PORTO

China puxou o freio e o frigorífico chamou o Mapa no zap pra pedir socorro

Giphy

A China decidiu que 2026 vai ter limite de consumo na mesa, pelo menos quando o assunto é carne bovina do Brasil. A indústria frigorífica botou na mesa do Ministério da Agricultura um pedido pra negociar com a China a salvaguarda da carne bovina anunciada no fim de 2025. A meta deles é ou derrubar a medida, ou pelo menos melhorar o desenho da cota de 1,1 milhão de toneladas pra 2026, porque do jeito que tá, pode complicar pra bastante gente.

No ofício enviado em 09/01 pro ministro Carlos Fávaro, a Abrafrigo e a Abiec dizem que o Pará apanha mais nessa história. O Estado manda 77% das exportações anuais pra China e, se a torneira chinesa apertar, falta torneira reserva, já que várias plantas paraenses ainda não tão habilitadas pra mercados que poderiam absorver parte do volume, como Estados Unidos, México, Chile e União Europeia. Traduzindo: tem boi, tem planta, tem escala, mas o visto ainda não saiu.

E o tamanho do Pará nessa conversa não é detalhe. Com o 2º maior rebanho do país, 25,6 milhões de cabeças, e produção estimada em 700 mil toneladas, o Estado tem 8 frigoríficos habilitados pra China. Em 2025, essas unidades despacharam 170,9 mil toneladas pros portos chineses, mais de 10% do total do Brasil pra lá.

No mesmo pacote, as entidades pedem pra sentar na mesa em todas as conversas sobre como o governo vai distribuir essa cota e defendem que a divisão seja por SIF exportador em 2025, planta por planta, e não por empresa no geral, pra evitar concentração e espalhar melhor o acesso ao mercado chinês. Luis Rua, do Mapa, disse que já solicitou uma reunião virtual com os chineses pra próxima semana e quer discutir pontos como redistribuição de cotas ociosas e a situação das cargas que já tavam em trânsito quando a decisão saiu, na véspera de réveillon, inclusive o pedido pra desconsiderar cerca de 350 mil toneladas no caminho. E, pra não ficar refém de 1 cliente só, o setor também pressionou por mais habilitações e novas aberturas, com Vietnã no radar e Japão e Coreia do Sul na lista.

PLANTÃO RURAL

  • Seguro rural ainda é artigo de luxo. Hoje, só 16% da área cultivada no Brasil tá segurada, segundo a FPA, e o resto segue apostando que o clima vai colaborar. O seguro cobre perdas por seca, excesso de chuva, pragas e doenças.

  • Ferrugem asiática virou alarme ligado no Sul. A ferrugem da soja já soma 148 ocorrências confirmadas no Brasil, com o Paraná concentrando 90 registros em dezenas de municípios. Tem caso em área comercial e em soja voluntária, com esporos no ar aumentando risco.

  • Orgânico no Paraná entrou na mira. O Paraná, líder em orgânicos com mais de 4.500 produtores certificados, iniciou um censo inédito pra mapear o perfil dos produtores e orientar políticas públicas focadas nos orgânicos, com conclusão prevista pro 1º semestre de 2026.

  • Tornado no Paraná entregou o caos. São José dos Pinhais (PR) foi atingida por um tornado na noite de sábado (10), com ventos de 180 Km/h, categoria F2. Cerca de 350 casas tiveram telhados destruídos, 1.200 pessoas foram impactadas, 2 famílias ficaram desalojadas e 2 pessoas tiveram ferimentos leves.

  • Tempestade na largada da semana e granizo no mapa. Depois de dias de calor intenso, o Inmet alertou pra temporais em boa parte do país durante essa semana, com risco de chuva de até 50 mm por dia em Santa Catarina e sudoeste do Paraná. Também tem chance de granizo entre o norte do Paraná e o sul de São Paulo, com risco de estragos.

  • La Niña tá saindo de cena e El Niño já dá sinal. A NOAA apontou um enfraquecimento rápido da La Niña, com 75% de chance de transição pra neutralidade entre janeiro e março e manutenção até junho. Pro 2º semestre, o radar liga pra El Niño, com probabilidade de 57% entre julho e setembro e 61% entre agosto e outubro.

SE DIVERTE AÍ

Hora de dar um descanso pros números e espremer o cérebro em outra lavoura: o vocabulário. Hoje a pedida é o Termo, aquele jogo em que você tem 6 tentativas pra adivinhar a palavra do dia. Vale combinar com o pessoal da fazenda, do escritório ou da república e ver quem acerta primeiro. Depois do café, já sabe: abre o Termo, chuta uma palavra qualquer e deixa a cor dos quadradinhos dizer se sua cabeça tá mais pra lavoura bem manejada ou pra área que precisa de reforço técnico.

VIVENDO E APRENDENDO

Resposta da edição passada: Jaca

Pergunta de hoje: Qual raiz brasileira foi levada pelos portugueses para a África e hoje alimenta milhões de pessoas por lá?

A resposta você fica sabendo na próxima edição!

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