
APRESENTADO POR
Bom dia!
Hoje a edição tem tarifaço americando caindo de vez, a safra em Mato Grosso mostrando que o cronograma manda, mas o clima sempre dá pitaco e algodão perdendo área e produtividade. No resto do cardápio entram fogo cruzado na Cargill em Santarém, bioinsumo novo chegando e refrigerante de leite.
Pra você acordar bem informado
Por Enrico Romanelli
TÁ QUANTO?
190 mil na tela. O Ibovespa fechou acima de 190 mil pela 1ª vez, embalado por Vale e bancos. O índice subiu 1,05% e encerrou em 190.517,89 pontos depois da decisão da Supreme Court of the United States que derrubou parte das tarifas de Donald Trump. O giro financeiro bateu R$ 31 bilhões.
APRESENTADO POR PASTU (SNASH)
Pastu chegou chegando no MT

A Pastu tá abrindo uma nova frente no Mato Grosso com equipe de campo dedicada pra ficar ainda mais perto do produtor, do jeito que a fazenda pede. Além do sistema, entram na jogada acompanhamento presencial, apoio na implantação e suporte colado na rotina, aquele reforço que evita que seja mais uma solução linda no slide e no panfleto, mas a maior dor de cabeça no pasto. A ideia é aproximar a tecnologia do dia a dia do produtor, acelerar os resultados e fazer a gestão pecuária virar um hábito, não algo pontual.
DE OLHO NO PORTO
Tchau tarifaço

GIF: Giphy
A Suprema Corte dos EUA resolveu puxar o freio de mão e disse que o tarifaço do governo de Donald Trump não podia ser feito do jeito que foi. Por 6 votos a 3, a Corte concluiu que a lei não dá passe livre pro presidente criar tarifas sem autorização clara do Congresso dos Estados Unidos, derrubando as taxas que vinham valendo desde agosto do ano passado. No agro, a reação foi de alívio, mas com aquela cara de quem comemora meio desconfiado, porque ainda falta entender como isso vai ser cumprido na prática.
Só que o Donald Trump não ficou chorando no canto. Depois da decisão, ele anunciou uma nova tarifa global, que nasceu de 10% e virou 15%, com duração de 150 dias, usando a Seção 122 da Lei de Comércio de 1974. O detalhe que mexe com a planilha é que ela é cumulativa, ou seja, soma com as alíquotas normais já existentes, e Trump bateu na tecla de que a Suprema Corte só derrubou um formato, não a ideia de tarifa em si.
Pro agro brasileiro, a notícia vem com um asterisco grande e bem visível. O governo americano informou isenções na tarifa global de 15% e, entre os poupados, entraram carne bovina, tomates e laranjas, além de itens considerados estratégicos como minerais críticos, energia e fertilizantes. A CitrusBR confirmou que suco de laranja fica fora. Já entidades de café como Abic e Cecafé disseram que tão analisando os efeitos e fontes do setor acham que o café brasileiro deve seguir isento.
Aí entra o bloco dos setores que tavam apanhando e agora respiram, mesmo com a tarifa ainda em pé. O café solúvel, que vinha com taxa de 50% desde agosto de 2025, comemorou a chance de cair pra 15% e a Abics lembrou que as compras dos EUA em 2025 somaram 558,7 mil sacas, queda de 28,2%, e entre agosto e dezembro a pancada foi de 40%. No pescado, a Abipesca disse que tinha ficado praticamente fora do jogo com os 50% e que 15% ainda não é o ideal, mas é muito melhor do que tava antes, ainda mais porque a tilápia manda mais de 90% dos embarques pros EUA.
O AGRO EM NÚMEROS
Soja correndo da chuva, algodão ajustando a rota e embalagem indo pro lugar certo

Foto: Freepik
Mato Grosso tá colhendo soja no ritmo que o céu permite. O Imea apontou avanço pra 65,75% da área na safra 2025/26, um tiquinho atrás do mesmo ponto do ano passado, com 66,16%, mas bem acima da média de 5 anos, que fica em 57,25%. A chuva anda atrapalhando a entrada das máquinas e, no embalo, o milho pós-soja chegou a 66,33% da área prevista, abaixo dos 67,15% de 2025 e de 71,52% da média histórica, naquela correria pra pegar janela boa antes das chuvas perderem força rumo ao inverno. No algodão do Estado, o plantio já tá praticamente no fim, com mais de 99% das áreas semeadas.
E já que o Estado é o maior produtor dos 3, o algodão do Brasil também entrou na conversa, só que com um ajuste de rota no Waze. A consultoria Safras & Mercado estima queda de 11,5% na produção da pluma em 2025/26, pra 3,74 milhões de toneladas, puxada pelo recuo de 6,5% na área plantada, pra 2,03 milhões de ha, e por uma produtividade média 5,7% menor, caindo pra 1.841 kg/ha contra os 1.952 kg/ha da safra passada.
Enquanto isso, longe da colheitadeira, teve número grande no pós-lavoura que costuma passar batido, mas vale o destaque. O Sistema Campo Limpo passou de 900 mil toneladas de embalagens vazias de defensivos com destinação correta desde 2002 e chegou a 902 mil toneladas em fevereiro, com 2025 marcando recorde anual de 76 mil toneladas, alta de cerca de 11% no ano. Hoje, 100% do que entra no sistema tem destino certo, 92% vai pra reciclagem e o resto segue pra coprocessamento e incineração.
DEU B.O.
Invadiram o terminal da Cargill

Foto: Divulgação
O terminal portuário da Cargill em Santarém (PA) virou palco de protesto e de dor de cabeça logística nesse fim de semana. Indígenas e grupos sociais ocuparam tudo na noite de sexta-feira (20) e a mobilização, que começou lá em janeiro com bloqueio de acesso de caminhões, segue com o terminal ocupado. O ato também teve reflexo na sede da empresa em São Paulo, numa pressão que saiu do rio e foi direto pro asfalto.
Esse barulho não começou ontem. A mobilização vem desde 22/01, primeiro bloqueando a entrada de caminhões, e tem alvo bem definido, o Decreto 12.600/2025, que inclui rios amazônicos num programa de concessões e pode ampliar dragagens pra navegação comercial. Ou seja, a Cargill só tá tomando bala perdida nesse tiroteio. Do lado de quem protesta, o papo é de risco pra pesca, qualidade da água e modos de vida locais, além de que faltou consulta prévia às comunidades afetadas.
A Cargill bate na tecla de que não manda na dragagem e que isso é política pública, mas o terminal ficou no meio do fogo cruzado mesmo assim. Em nota, a empresa afirma que o terminal continua ocupado e diz que foi uma ação bem violenta dos manifestantes, com fortes indícios de vandalismo, enquanto o grupo protestante bate no peito em carta aberta dizendo que foi tudo em paz.
A reação do setor portuário e do agro veio pesada e com carimbo de ilegalidade. A Associação Brasileira de Terminais Portuários pediu que o governo se mexa agora pra proteger os trabalhadores e restabelecer o funcionamento seguro do terminal, argumentando que as reivindicações são de competência do poder público e que direcionar violência contra empresa privada não tem nem sentido. A FPA foi na mesma linha e disse que o direito de manifestação existe, mas não inclui invasão de propriedade nem interrupção forçada de atividade essencial.
MENTES QUE GERMINAM
Tem biológico novo chegando por aí

Foto: Clarice Rocha/Embrapa
No Semiárido, a Embrapa tá de olho num reforço que nasce do chão da Caatinga e pode mudar o jogo. O alecrim-do-mato entrou na mira como uma base pra novos bioinsumos pra segurar doenças em culturas como manga e uva. Nos primeiros resultados, o óleo essencial da planta mostrou ação antifúngica e antibacteriana, com potencial tanto pro campo quanto pro pós-colheita, aquele momento em que o fungo bota as asinhas de fora, achando que ninguém tá olhando.
A história começou em 2009, num levantamento de espécies aromáticas no Vale do São Francisco. Entre as mais de 25 plantas avaliadas, o alecrim-do-mato largou na frente e virou o mais eficiente no controle de patógenos. Pra não virar pesquisa de laboratório sem saída, o time também resolveu o lado prático. Como a planta não se espalha com sementes, o time também foi atrás do manejo, com protocolo de mudas por estaquia e enraizamento sem regulador de crescimento. E na parte do óleo, padronizaram a extração e viram que folha seca rende mais, com produção entre 3 e 5 ml a cada 100 g, usando destilação pra preservar as propriedades. É destilado mas não é saBOR nada não, viu?
Nos testes, o óleo foi pra cima de fungos dos gêneros Lasiodiplodia, Aspergillus, Alternaria e Cladosporium sem medo, e o pesquisador Pedro Martins diz que foi disparado o mais eficiente. Teve caso em que o crescimento foi inibido até sem contato direto, o que dá moral pro uso no pós colheita. Agora a pesquisa tá virando a chave do laboratório pro uso real, com foco em formulações mais estáveis pra reduzir a volatilidade e a degradação. Junto com tudo isso vem a ideia de inserir a cultura em sistemas de produção no Semiárido, com pegada agroecológica e mais espaço pra agricultura familiar, do jeito que a bioeconomia gosta de ver.
NAS CABEÇAS DO AGRO
Refrigerante de leite?

GIF: Giphy
Se você achou que já tinha visto de tudo no corredor de bebidas do mercado, segura essa nova. A Epamig tá avançando com as pesquisas do Refrigerante do Bem, uma bebida láctea feita à base de soro de leite e que tá querendo juntar nutrição e sustentabilidade no mesmo gole. A ideia nasceu nas pesquisas do Instituto de Laticínios Cândido Tostes e criou uma bebida carbonatada, um refrigerante, que pode ser acidificada ou fermentada, com chance de ganhar reforço de proteínas, vitaminas e minerais.
O nome não veio do nada. Segundo Junio de Paula, coordenador do programa de pesquisa da Epamig, “do Bem” é porque a bebida usa um soro que muitas vezes seria descartado e poderia causar poluição, e ainda mantém nutrientes do leite, como cálcio, outros sais minerais e vitaminas. E tem mais, o projeto também considera incluir prebióticos e probióticos, ou seja, além de borbulhar.
Nos testes, o time tá começando pelo básico bem feito, caracterizar o soro, entender composição, qualidade e parâmetros, e definir ingredientes e o melhor jeito de fabricar. Depois, a bebida vai ser produzida em escala industrial na fábrica-escola da Epamig ILCT. A expectativa é concluir isso no início de 2027 e, como a tecnologia seria simples de implantar, transferir pra laticínios interessados logo depois, com direito a divulgação em congressos, artigos e relatório técnico.
PLANTÃO RURAL
Muda com escolta. A Ypê abriu inscrições do Plantar Vida pra regularização ambiental na bacia do Rio Camanducaia em São Paulo. Em parceria com Imaflora e SOS Mata Atlântica, o plano é investir R$ 4,4 milhões e restaurar 80 ha até 2026, com execução completa e acompanhamento por 24 meses em áreas prioritárias de Socorro, Pinhalzinho, Amparo, Serra Negra e Monte Alegre do Sul.
Banco com chapéu da Amaggi. O AL5 Amaggi cresceu 34% em 2025 e chegou a uma carteira de crédito de R$ 1,34 bilhão, mirando R$ 10 bilhões até 2030. O plano passa por novos produtos, mais unidades, funding de terceiros e busca por repasses do BNDES, depois recursos do Plano Safra. Já lançou CPR em dólar e quer tracionar a linha.
Caruru na mira. O governo de São Paulo instituiu um plano estadual pra prevenir, controlar e erradicar o caruru-gigante, o Amaranthus palmeri, com base na Resolução 7/2026. O foco foi confirmado em 03/02 em Mirassol e já virou protocolo com vigilância, rastreabilidade, interdição, manejo integrado e controle do trânsito de máquinas. A praga tem potencial pra encarecer soja, milho e algodão.
Estágio no trilho. A Rumo abriu inscrições pro estágio 2026 até 03/03, com vagas em SP, MT e GO. A bolsa vai de R$ 1.750 a R$ 1.950 e o vale alimentação ou refeição chega a R$ 1.200 por mês, além de plano de saúde e outros benefícios. Começa em 16/04 e mira estudantes com formatura entre 06/2027 e 06/2028.
Feira com vento contra. As estruturas da ExpoAgro Cotricampo levaram pancada de temporais com ventos acima de 70 Km/h no noroeste do Rio Grande do Sul. Teve avaria em estandes externos, ninguém se feriu e os prejuízos ainda tão sendo contados. A organização diz que a feira segue em pé e acontece de 25/02 a 28/02.
SE DIVERTE AÍ
Hora de dar um descanso pros números e espremer o cérebro em outra lavoura: o vocabulário. Hoje a pedida é o Termo, aquele jogo em que você tem 6 tentativas pra adivinhar a palavra do dia. Vale combinar com o pessoal da fazenda, do escritório ou da república e ver quem acerta primeiro. Depois do café, já sabe: abre o Termo, chuta uma palavra qualquer e deixa a cor dos quadradinhos dizer se sua cabeça tá mais pra lavoura bem manejada ou pra área que precisa de reforço técnico.
VIVENDO E APRENDENDO
Resposta da edição passada: Maracujá
Pergunta de hoje: Qual oleaginosa asiática deu origem ao primeiro óleo vegetal industrializado do mundo?
A resposta você fica sabendo na próxima edição!
