APRESENTADO POR

Bom dia!

A edição de hoje tem feira abrindo o calendário com o produtor fazendo conta, soja puxando o ritmo das exportações, ovo reagindo justo quando a Quaresma começa a dar sinal e um termômetro vindo de fora pra medir o humor do agro nos EUA. No meio disso, tem alerta sobre defensivos, JBS expandindo rota no Oriente Médio, ZCAS deixando o guarda chuva virar acessório oficial e, claro, Plantão Rural pra fechar o gole.

Pra você acordar bem informado

Por Enrico Romanelli

TÁ QUANTO?

MERCADO
IBOVESPA (B3) 182.949,78 13,54%
SLCE3 R$15,47 -3,61%
SMTO3 R$15,10 -0,13%
KLBN11 R$19,30 2,88%
VALE3 R$85,63 19,00%
Bitcoin US$70.695,98 -19,98%
Solana US$86,78 -30,81%

Os dados são publicados por BCB e Brapi.
As variações são calculadas em YTD (Year to date)

QUAL A BOA?

Show Rural abre a temporada com R$ 6 bi na mira e a planilha no colo

Foto: Divulgação/Coopavel

O Show Rural Coopavel começa hoje (9) e vai até sexta-feira (13) em Cascavel (PR), e vem com previsão de gerar R$ 6 bilhões em negócios. É 14% abaixo do recorde de R$ 7 bilhões da edição passada e a Coopavel coloca a conta disso no momento mais azedo pros grãos, com soja e companhia em queda e o produtor escolhendo a dedo onde o dinheiro vai cair.

Mesmo assim, o clima não tá de velório. Dilvo Grolli, presidente da Coopavel, diz que tá tendo otimismo na cadeia, já que o agro cresceu mais que outros setores, só que a régua precisa ser conservadora porque o caixa de investimento nasce do resultado da produção, não do desejo. E como o Show Rural abre o calendário das grandes feiras do país, ele ainda aposta que o evento pode bater acima do esperado e encostar de novo nos números de 2025.

Pra empurrar essa engrenagem, a vitrine vem turbinada. Serão 600 expositores com foco em inovação tecnológica e sustentabilidade, e as empresas tão vindo com investimentos pesados, tanto em produtos e serviços quanto nas estruturas dos estandes, com alguns passando de 4.000 m². A promessa da feira inclui um caminhão de lançamentos de variedades de grãos e de máquinas feitas sob medida pra diferentes tamanhos de propriedade.

No radar das novidades, a Embrapa chega com os cultivares de feijão BRS ELO FC424, BRS FC429, BRS FP426 e BRS FP327 e uma publicação sobre Tecnologia de Aplicação de Pesticidas, além de inovações em produção animal, grãos, hortaliças, frutíferas, forrageiras, tubérculos, bioinsumos, sistemas de produção e gestão. O evento também soma mais de 5.500 parcelas demonstrativas, área de agricultura familiar e pavilhões enormes, com expectativa de até 400 mil visitantes, acesso gratuito e estacionamento grátis, das 7h às 18h.

DE OLHO NO PORTO

JBS finca bandeira no Omã

Foto: Chet Strange

A JBS decidiu que o mapa do churrasco ainda tinha espaço e anunciou um investimento de US$ 150 milhões numa joint venture pra produzir carne bovina, aves e cordeiros no Omã. A empresa vai ficar com 80% de uma holding recém-criada que junta 2 ativos no país, enquanto a Oman Food Capital segura os outros 20%.

A grana vai quase toda pra terminar uma planta integrada de aves da A’Namaa em Ibri, no norte do país, e também pra reforçar a unidade de processamento de bovinos e cordeiros da Al Bashayer em Thumrait, no sul. No papel, a operação mira capacidade estática acima de 300 mil toneladas por ano, com um ritmo que parece linha de produção sem tempo pra respiro, algo em torno de mil bovinos, 5 mil cordeiros e 600 mil aves por dia quando tiver tudo girando redondo.

E como toda expansão gosta de calendário, a JBS projeta começar a produzir carne bovina e ovina em até 6 meses e aves em 12 , além de prometer mais de 3 mil empregos diretos em 5 anos por lá. E essa arrancada no Oriente Médio não começou agora: recentemente ela anunciou expansão de planta em Jedá, na Arábia Saudita, dentro de um investimento total de US$ 85 milhões pra produtos da Seara, além de já operar fábricas da marca em Dammam e em Ras Al Khaimah, nos Emirados Árabes Unidos, com cerca de 1,6 mil funcionários na região.

O AGRO EM NÚMEROS

Soja no porão do navio, ovo mais caro e defensivos em excesso

Foto: Freepik

Janeiro de 2026 teve soja saindo do Brasil em ritmo de mutirão. Foram 1,88 milhão de toneladas exportadas, alta de 75,5% contra janeiro de 2025, com receita de US$ 830,98 milhões, avanço de 91,7% no ano. No detalhe, a média diária pulou pra 89,3 mil toneladas, bem acima das 48,6 mil de 1 ano antes, mesmo com janeiro de 2026 tendo só 21 dias úteis, contra 22 no ano passado. E ainda teve preço médio 9,2% maior, com a tonelada a US$ 442,80.

Enquanto a soja fazia hora extra no porto, o ovo resolveu parar de apanhar e voltou a se achar na gôndola do mercado. Depois de meses em queda, desde setembro, os preços começaram a reagir e já subiram até 28% em algumas praças, puxados pelo combo de pagamento de salário com Quaresma chegando, quando muita gente dá uma segurada na carne vermelha e abraça o ovo sem cerimônia. Com a procura lá em cima, já tem produtor dizendo que tá difícil atender todos os pedidos, e esse aperto de oferta ajuda a explicar por que o reajuste voltou com força, um alívio pro avicultor e uma surpresa não muito legal pro consumidor.

Do lado dos Estados Unidos, o USDA entrou na conversa com previsão de um apertinho leve nas contas. O lucro líquido do setor agropecuário dos gringos deve somar US$ 153,4 bilhões em 2026, queda de 0,7% ante o ano passado, e no ajuste pela inflação a queda projetada chega a 2,6%, ou US$ 4,1 bilhões. Os custos totais de produção subiram 1% pra US$ 477,7 bilhões, com compras de gado e aves liderando a alta e ração caindo. E tem um detalhe curioso no meio disso tudo, a receita com ovos por lá aparece como tombo pesado, queda de US$ 17,3 bilhões, ou 66%, bem no momento em que o ovo aqui tá pegando embalo.

E pra fechar a rodada com um tema que mexe no bolso e no manejo, um estudo do Ipea chegou mostrando que o sobreuso de defensivos tá rolando em mais de 80% dos municípios brasileiros. Pelas estimativas, a fatia de municípios nessa condição foi de 78% pra 85% entre 2006 e 2017, com incidência perto de 90% no Sul e no Centro-Oeste, especialmente onde tem produção intensiva de soja e muita semente tolerante ao glifosato. No agregado, o estudo estima que cada R$ 10,00 a mais em defensivos renderam algo como R$ 3,20 de receita adicional.

E ESSE TEMPO, HEIN?

ZCAS estaciona no Brasil e liga a chuvarada no Sudeste

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A ZCAS tá em campo no Brasil e promete ficar pelo menos até terça-feira (10/2), zuando bastante com o clima daqui, com direito até a reforço de uma frente fria na altura da costa do Rio de Janeiro. No boletim da Climatempo, a combinação é daquelas que deixam o Sudeste com cara de semana cinza, pouca abertura de sol e chuva que vem tanto no estilo persistente quanto em pancadas frequentes, algumas bem das fortes.

Pra quem nunca decorou a sigla, a ZCAS é aquele sistema típico do verão que cria um corredor de umidade ligando o Norte ao Sudeste. O problema começa quando esse corredor de nuvens carregadas fica concentrado numa região e não consegue seguir o trajeto rumo ao Atlântico Sul, aí tromba com frentes frias e o resultado vira nebulosidade, umidade e chuva forte, dotipo que faz o guarda-chuva parecer inútil.

Se você tá no Rio, em BH, Goiânia, Brasília ou Porto Velho, já pode deixar a capa de chuva de prontidão porque o jogo tá sendo no ataque. O Inmet mantém alerta laranja até 23h59 de segunda-feira em áreas do RJ, SP, parte de MG, GO e MT, com chuva de 30 a 60 mm por hora ou 50 a 100 mm por dia e ventos de 60 a 100 km/h, com risco de alagamentos, queda de galhos e corte de energia. E a bagunça não fica só no Sudeste, a instabilidade também empurra pancadas pro Centro-Oeste e pro Norte, com tempo mais fechado em GO, MT e DF e chuva mais persistente no sul do AM, no sul do PA e em parte de RO.

MENTES QUE GERMINAM

Estágio na Embrapa pra quem curte bode, ovelha e vida de campo

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A Embrapa Caprinos e Ovinos tá com inscrições abertas até amanhã (10), com envio da documentação até 16h, pra seleção de estágio obrigatório na área de Sistemas de Produção de Ovinos e Caprinos, lá em Sobral no CE. Vale pra graduação em Agronomia, Medicina Veterinária e Zootecnia e também pra quem tá em curso técnico em Agropecuária.

A peneira passa por análise de histórico escolar e currículo, além de entrevista, então já separa o que você tem de melhor no papel. A inscrição e o envio da documentação rolam só por e mail, no [email protected], até 16h do dia 10/02, e o resto dos detalhes tá no edital.

CAMPO ATUALIZADO

Catarina, a búfala influencer que botou a bubalinocultura no feed

Foto: Divulgação | @bufalacatarina

A rotina da Fazenda Cantão, em Piumhi (MG), saiu do curral direto pras redes depois que o criador Felipe Rezende começou a postar vídeos curtos do dia-a-dia da criação de búfalos. Manejo, alimentação, ordenha e convivência com os animais viraram conteúdo e o perfil já passou de 200 mil seguidores, jogando luz numa atividade que muita gente ainda nem sabe que existe direito, a bubalinocultura leiteira.

No meio desse elenco, Catarina virou a protagonista. A búfala aparece com frequência nas postagens e acabou virando a cara da proposta do perfil, que é bem direta: cortar o preconceito e a falta de informação que pintam búfalo como bicho agressivo ou difícil de manejar. Segundo Rezende, mostrar a rotina foi o jeito mais simples de explicar que, com prática certa, o papo muda.

E o mais curioso é que as redes começaram sem plano mirabolante, era só registro de rotina mesmo. Só que o engajamento cresceu e os vídeos passaram a alcançar gente de fora do meio rural, incluindo crianças, jovens e moradores de áreas urbanas, ajudando a aproximar campo e cidade na prática. Catarina, aliás, ganhou espaço desde bezerra, quando ficou doente e recebeu cuidados constantes, e daí pra frente a presença frequente e a interação com o criador carimbaram o posto de personagem principal. Pra Rezende, além de valorizar a espécie, essa exposição também ajuda a espalhar informação técnica de um jeito mais acessível, sem transformar o produtor em vilão e nem o búfalo em lenda urbana.

PLANTÃO RURAL

  • Polato turbina a sementeira no MT. Depois de 3 anos de planejamento, a Polato Sementes botou R$ 100 milhões numa nova indústria de beneficiamento em Pedra Preta, com pegada de indústria 4.0 e inauguração prevista ainda em fevereiro. A promessa é dobrar capacidade, ganhar mais de 30% em desempenho nas máquinas e somar até R$ 300 milhões a mais de receita, com portfólio saltando de 15 pra 30 cultivares e sorgo entrando na lista em 2026.

  • Chapéu liberado e ainda recomendado. Circulou nas redes sociais um boato de “proibição do chapéu no campo”, mas a vida real tá no sentido contrário. A NR-31 coloca na conta do empregador a obrigação de fornecer proteção contra sol e intempéries, e o chapéu de aba larga segue como item raiz de segurança. Especialistas da Embrapa reforçam que ficar no sol sem proteção aumenta o risco de insolação e câncer de pele, então o acessório continua mais ferramenta do que figurino.

  • C.Vale cresceu no ano cascudo. A cooperativa fechou 2025 com faturamento de R$ 25,2 bilhões, alta de 14,69%, e sobras de R$ 274,4 milhões, avanço de 83,21%. O recebimento bateu 6,5 milhões de toneladas, quase 27% acima de 2024, e a esmagadora de soja processou 16,4 milhões de sacas no 1º ano completo. O pagamento das sobras começa dia 9 de fevereiro nas unidades espalhadas por vários estados.

  • São Martinho ganha upgrade do Morgan Stanley. Com açúcar no chão e o pessimismo já embutido no preço, o banco subiu a recomendação pra compra e apontou preço-alvo de R$ 22, mesmo após cortar a conta em 27%. A tese é que o mercado tá descontando demais e ignorando o etanol de milho, que pode gerar perto de US$ 400 milhões de Ebitda na safra 2025/26 e virar o empurrão que faltava pra ação sair do atoleiro.

SE DIVERTE AÍ

Hora de dar um descanso pros números e espremer o cérebro em outra lavoura: o vocabulário. Hoje a pedida é o Termo, aquele jogo em que você tem 6 tentativas pra adivinhar a palavra do dia. Vale combinar com o pessoal da fazenda, do escritório ou da república e ver quem acerta primeiro. Depois do café, já sabe: abre o Termo, chuta uma palavra qualquer e deixa a cor dos quadradinhos dizer se sua cabeça tá mais pra lavoura bem manejada ou pra área que precisa de reforço técnico.

VIVENDO E APRENDENDO

Resposta da edição passada: Feijão-fradinho

Pergunta de hoje: Qual planta asiática, cultivada há mais de 3 mil anos, deu origem ao chá mais famoso do mundo?

A resposta você fica sabendo na próxima edição!

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