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Bom dia!

Hoje tem touro famoso de rodeio aparecendo no meio de uma operação policial contra esquema de lavagem de dinheiro do PCC em São Paulo, soja 2026/27 que pode ter o custo mais alto da última década e café de 100 gramas arrematado por R$ 10 mil em leilão. No meio disso, drone vira olheiro de boi no confinamento, BTG e Bracell botam R$ 1,5 bilhão pra recuperar pasto cansado e geada ameaça milho e feijão no Sul.

Pra você acordar bem informado

Por Enrico Romanelli

TÁ QUANTO?

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Os dados são publicados por BCB e Brapi.
As variações são calculadas em YTD (Year to date)

NAS CABEÇAS DO AGRO

Café de R$ 10 mil faz a xícara virar artigo de luxo

Gif: Giphy

Tem café que acorda. Tem café que conforta. E tem café que faz o extrato bancário pedir um minuto de silêncio. Um microlote de 100 gramas de café arábica geisha foi arrematado por R$ 10 mil em um leilão nas redes sociais, comprado em conjunto pela Coffee Senses e pela Tribo da Cafeína. O grão saiu da Fazenda Rarus, em Carmo de Minas (MG), pelas mãos do cafeicultor Luiz Paulo Dias Pereira Filho.

A conta dá mais taquicardia que espresso duplo. Os 100 gramas rendem cerca de 1,4 litro da bebida, ou até 7 xícaras de 200 ml. Ou seja, cada xícara sai por mais de R$ 1,4 mil.

O preço vem da raridade e do capricho no processo. O lote foi selecionado manualmente, fermentado por 7 dias a frio e recebeu 92 pontos na escala da Specialty Coffee Association, que vai de 0 a 100. No mundo dos cafés especiais, isso coloca o grão na prateleira onde o produto deixa de ser só bebida e vira experiência.

Luiz Paulo, reconhecido como uma das grandes referências dos cafés especiais no Brasil, chama seus micro e nanolotes de verdadeiros diamantes. E, pelo valor, dá pra entender a comparação. O plano do produtor é provar pra todo mundo que além de volume, o Brasil também sabe fazer café com qualidade e, de quebra, brigar nas cabeças no mercado de cafés premium.

CAMPO ATUALIZADO

Drone vira olheiro de boi e ajuda a escolher a hora do abate

Foto: Embrapa

O boi agora mal entra no confinamento e já tem drone sobrevoando com inteligência artificial avaliando se ele tá no shape. Pesquisadores do Semear Digital, projeto sediado na Embrapa Agricultura Digital, desenvolveram um sistema que usa imagens aéreas e IA pra acompanhar o crescimento dos bovinos e indicar o melhor momento de venda ou abate.

A ideia é reduzir a dependência da pesagem tradicional, que exige balança, manejo e gera aquele estresse digno de segunda-feira. No teste feito em Mato Grosso do Sul, os drones voaram a cerca de 15 metros de altura durante 112 dias, acompanhando um lote de bovinos em confinamento. O sistema identifica os animais nas imagens, recorta os corpos e mede comprimento e largura automaticamente. O boi nem sobe na balança, só aparece no enquadramento.

Com esses dados, a IA consegue entender a curva de crescimento do lote. No começo, o animal ganha pouco peso. Depois engrena. No final, desacelera. O pulo do gato, ou melhor, do boi, tá em encontrar o ponto de inflexão, aquele momento em que o ganho de peso atinge o pico e, dali pra frente, continuar colocando ração pode virar mais custo do que carne.

Pra confinamentos grandes, essa precisão pode virar dinheiro de verdade. Um dia a mais no cocho parece pouco, mas multiplica isso por centenas ou milhares de animais e a fatura começa a gritar. Identificar a janela certa de abate ajuda a reduzir custo com alimentação, melhorar eficiência e aumentar rentabilidade.

A tecnologia tá em fase avançada de desenvolvimento e ainda precisa de um parceiro pra virar um produto comercial, mas já aponta pra uma pecuária cada vez mais high-tech. Os pesquisadores querem adaptar o modelo pra outras raças, como Angus e Brahman, além do Nelore, e usar os dados pra monitorar comportamento alimentar e achar problemas no confinamento antes que virem algum pepino de verdade.

SAFRA DE CIFRAS

Soja pode ter a safra mais cara da década e o produtor já vê o dinheiro indo embora

Gif: mootvideo on Giphy

A próxima safra de soja já tá chegando com cara de boleto parcelado em 12 vezes e juros compostos. Especialistas do mercado projetam que o custo médio nacional da lavoura 2026/2027 pode passar de 50 sacas por hectare, o maior patamar da última década. Segundo a Aegro, a conta pode sair de 46,5 sacas por hectare em 2025/2026 pra cerca de 53 sacas na próxima temporada, e isso sem nem incluir depreciação de máquinas e arrendamento. Ou seja, nem começou o plantio e a conta já pediu arrego.

Na prática, o produtor pode precisar gastar quase 6 sacas a mais por hectare só pra colocar a lavoura de pé. E como no agro o que manda no dinheiro é a produtividade e o custo, essa diferença pesa bastante. A pior relação até agora tinha sido na safra 2023/2024, com 47,2 sacas por hectare.

Os vilões da vez tão bem conhecidos: fertilizantes, defensivos e diesel, o trio parada dura da dor de cabeça rural. Na safra atual, só os insumos já comeram 29 sacas por hectare, com 13,4 sacas pros fertilizantes, 5,1 sacas pras sementes e 10,4 sacas pros defensivos. Pra próxima, os adubos podem adicionar mais 3 a 4 sacas por hectare, enquanto os defensivos podem pesar cerca de 3 sacas extras.

O mundo lá fora também resolveu não colaborar. Os conflitos no Oriente Médio, a pressão sobre nitrogenados, a alta do combustível e os defensivos mais caros na China devem bater direto na porteira brasileira. Como o Brasil importa boa parte desses insumos, qualquer espirro geopolítico vira gripe na fazenda. E pra piorar, a soja não tá subindo no mesmo ritmo, pressionada pelos estoques grandes no Brasil, nos EUA e na Argentina.

Pra atravessar essa safra mais salgada, os especialistas citam hedge, barter e compra mais estratégica de insumos como uma mitigação de danos. Mas cortar custo no agro não é tão simples quanto parece. Semente e defensivo têm pouco espaço pra mexer, e reduzir adubação pode cobrar a conta na produtividade. No fim, a safra 2026/2027 já vem com cara de prova difícil: quem errar manejo, compra ou venda pode descobrir que a soja nasceu bem, mas a margem foi embora antes da colheita.

O AGRO EM NÚMEROS

IBGE quer fazer pesquisa com o agro todo ano

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O IBGE olhou pro agro e pensou: “talvez valha acompanhar esse gigante com um pouco mais de frequência, né?”. O presidente do instituto, Marcio Pochmann, anunciou a ideia de criar a PNAgro, uma pesquisa anual do setor agropecuário nos moldes da Pnad. Seria uma espécie de check-up anual do campo, sem precisar esperar um novo Censo Agro aparecer.

A proposta é colocar a pesquisa de pé a partir de 2028, usando os dados do próximo Censo Agropecuário como ponto de partida. A ideia é ter uma leitura mais constante da realidade rural brasileira, porque hoje o setor muda rápido demais pra depender só de grandes levantamentos espaçados.

Mas antes da PNAgro virar realidade, o IBGE ainda precisa terminar a novela do Censo Agropecuário. A coleta presencial, que já foi adiada várias vezes, tá prevista pra julho de 2027. O motivo é o personagem mais recorrente da administração pública brasileira: orçamento. O instituto precisava de cerca de R$ 700 milhões pra preparação e estima mais R$ 2,5 bilhões pra operação completa em 2027, sendo R$ 1,6 bilhão só pra pagar a mão de obra.

Enquanto isso, o IBGE segue fazendo testes pelo país pra calibrar a operação. A próxima prova piloto passa por cidades do Pará, Piauí, Goiás, Mato Grosso do Sul, Paraná e Rio Grande do Sul. O objetivo é deixar tudo pronto pra quando a coleta começar de verdade. E faz sentido porque fazer levantamento agro no Brasil não é igual perguntar quantas pessoas têm TV em casa. Tem fazenda do tamanho de país europeu, estrada que desaparece na chuva e produtor que provavelmente vai mandar o recenseador voltar outro dia porque tá muito corrido.

DEU BO

Touro famoso de rodeio entra na mira da polícia em operação contra o PCC

Foto: Governo de São Paulo/Divulgação

A gente já viu boi valorizado, boi gourmet e boi influencer. Agora apareceu o boi investigado. A Polícia Civil de São Paulo e o Ministério Público deflagraram a Operação Caronte, que investiga um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao PCC, e no meio da operação apareceu um personagem inesperado: o touro Império, estrela dos rodeios e 3º colocado do ranking da Confederação Nacional de Rodeio em 2025. O animal, acostumado a derrubar peão, acabou entrando no noticiário policial sem nem entrar na arena.

A operação rolou em 8 cidades paulistas e apreendeu veículos, dinheiro, cavalos, bois e bloqueou cerca de R$ 10 milhões em bens. Segundo as investigações, empresas dos setores de transporte e rodeio estariam sendo usadas pra movimentar dinheiro ilícito usando sócios laranjas. O problema é que a conta começou a berrar mais alto que locutor de rodeio em final de Barretos.

Entre os nomes citados aparece Eduardo Magrini, conhecido como “Diabo Loiro”, que segundo a polícia ostentava um patrimônio milionário nas redes sociais incompatível com a renda declarada. O filho dele, Mateus Magrini, também virou alvo por suposta movimentação de dinheiro ilícito via empresa musical. O roteiro mistura tráfico, rodeio, ostentação, empresas de fachada e nome de operação inspirado na mitologia grega. Se alguém lançasse isso como série, provavelmente iam reclamar que o roteirista exagerou.

PAUTA VERDE

BTG e Bracell botam R$ 1,5 bilhão pra ressuscitar pasto cansado

Foto: Reuters/Paulo Whitaker

Tem pastagem que já viu tanta vaca, seca e abandono que ninguém, ou quase ninguém, tem coragem de mexer lá. O BTG Pactual e a Bracell estruturaram uma operação de R$ 1,5 bilhão pra recuperar cerca de 54 mil hectares em Mato Grosso do Sul, dentro do programa Eco Invest Brasil. A ideia é pegar áreas já abertas e cansadas do Cerrado e transformar em florestas produtivas, com manejo sustentável e monitoramento socioambiental.

A operação é a maior alocação privada da 2ª rodada do programa federal e faz parte de uma ofensiva maior do BTG no tema. No leilão, o banco captou R$ 2,1 bilhões em capital catalítico e, somando recursos privados, deve mobilizar R$ 4,9 bilhões pra recuperação produtiva de áreas degradadas no país. No total, a estimativa é viabilizar a recuperação de 164 mil hectares.

No caso da Bracell, os recursos vão pra converter áreas degradadas em florestas produtivas, sem abrir novas áreas. E essa tese é cada vez mais forte no agro e no setor florestal: antes de procurar terra nova, dá pra recuperar a que já foi usada e virou dor de cabeça ambiental.

Pro BTG, a operação mostra que uma estrutura financeira bem montada consegue tirar do papel projetos sustentáveis grandões. Pra Bracell, reforça a tese de que crescimento florestal pode andar junto com recuperação de área degradada. No fim, o Cerrado entra com o pasto cansado, o mercado entra com dinheiro e a expectativa é que a conta feche com produtividade, carbono e menos desculpa pra empurrar expansão pra cima de vegetação nativa.

PLANTÃO RURAL

SE DIVERTE AÍ

Hora de dar um descanso pros números e espremer o cérebro em outra lavoura: o vocabulário. Hoje a pedida é o Termo, aquele jogo em que você tem 6 tentativas pra adivinhar a palavra do dia. Vale combinar com o pessoal da fazenda, do escritório ou da república e ver quem acerta primeiro. Depois do café, já sabe: abre o Termo, chuta uma palavra qualquer e deixa a cor dos quadradinhos dizer se sua cabeça tá mais pra lavoura bem manejada ou pra área que precisa de reforço técnico.

VIVENDO E APRENDENDO

Resposta da edição passada: Oliveira

Pergunta de hoje: Qual tubérculo originário da Polinésia foi domesticado há 7 mil anos e ajudou povos navegadores a colonizar o Pacífico?

A resposta você fica sabendo na próxima edição!

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