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Bom dia!

Na xícara de hoje tem a Europa querendo a volta da Moratória da Soja, lançamento do novo Zarc, crédito privado que financia o setor crescendo mais que braquiária, protesto na Av. Paulista contra condições de trabalho análogas à escravidão em fazendas de café de Minas Gerais, Indonésia podendo virar o paraíso da carne bovina brasileira e produtor vendendo milho antes da hora e mais barato pra ter onde guardar a soja.

Pra você acordar bem informado

Por Enrico Romanelli

TÁ QUANTO?

FOCUS 2026 Semana 2027 Semana
Câmbio (R$/US$) 5,50 0,00% 5,51 0,11%
IPCA (%) 4,0 -0,52% 3,80 0,00%
PIB (%) 1,80 0,00% 1,80 0,00%
Selic (% a.a.) 12,25 0,00% 10,50 0,00%

Os dados são publicados por BCB. A variação considerada nesta tabela é semanal.

NAS CABEÇAS DO AGRO

Moratória da soja: o regresso

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O varejo europeu viu a moratória da soja saindo de cena e avisou que, pra eles, o filme continua igual, mesmo sem o protagonista. Sem drama e sem poesia, eles querem soja livre de desmatamento na Amazônia do mesmo jeito, com ou sem pacto privado, e agora a cobrança vai direto no CPF de cada trading.

Na segunda-feira (26), Tesco, Sainsbury’s, Marks & Spencer, Aldi, Asda e Morrisons mandaram um textão em forma de carta pras grandes tradings que operam no Brasil, entre elas ADM, Bunge, Cargill, Louis Dreyfus e Cofco. E o recado vem com um detalhe que muda o jogo, eles querem passar a avaliar cada empresa individualmente, usando os critérios que a moratória aplicava, inclusive a data de corte de 2008 pra área desmatada no bioma Amazônico.

A Abiove também entrou na lista de destinatários, já que no dia 05/01 confirmou que iniciou tratativas pra se desligar da moratória. Os varejistas disseram que não ficaram bravos, só decepcionados com a saída voluntária da entidade e bateram na tecla de que recuar enfraquece os mecanismos de dissuasão contra desmatamento, atrapalha acordos colaborativos no futuro e ainda ameaça a sustentabilidade do investimento em soja num planeta que tá esquentando mais rápido que air fryer.

Agora vem o ultimato com cara de checklist de auditoria. Até 16/02, as tradings precisam dizer se pretendem aderir de novo à moratória, se os compromissos climáticos e de desmatamento seguem do mesmo jeito, mantendo 2008 como corte, e quais controles garantem soja sem desmate, com monitoramento, reporte e verificação independentes. E como essa história começou em 2006 depois de pressão europeia e um relatório do Greenpeace, faz sentido a Europa deixar claro que não compra discurso, compra evidência, e quem não tiver vai ficar vendo o navio partir da beira do cais.

CAMPO ATUALIZADO

GPS novo pra cana

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O Mapa resolveu tirar a cana do escuro e publicou o Zarc atualizado depois de 5 anos, aquele ajuste que parece só burocracia, mas mexe com crédito, seguro rural e com o humor do produtor. A nova versão trouxe 3 mudanças centrais, com série climática revisada até 2022, mais classes de solo na conta e a entrada de municípios que antes ficavam barrados pelo antigo ZAE Cana.

Na parte técnica, a Embrapa trocou a calculadora e atualizou a metodologia de risco, usando dados de clima de 1992 a 2022 e olhando um leque maior de solos. E, mesmo com a liberação formal de municípios na Amazônia e no Pantanal, o mapa geral tá quase o mesmo. O pesquisador Santiago Cuadra disse que muita área segue fora por um motivo simples, que é chuva demais na Amazônia, e calor demais no Pantanal, o combo que faz a cana pedir arrego.

O raciocínio é bem direto, já que açúcar e etanol dependem de uns 6 meses secos pra colheita, condição rara na Amazônia. No Pantanal, a temperatura pesa contra, e só entram algumas cidades de MT e MS que têm a maior parte do território fora do bioma. Já o Zarc da cana pra outros fins, tipo cachaça, melaço e forragem, foi ampliado, enquanto as restrições ficam mais concentradas no semiárido do Nordeste pela falta de água e em áreas mais altas de SC e do sul de MG, onde geada aparece com frequência e não quer conversa.

No fim, o Zarc segue classificando risco em 20%, 30%, 40% e acima de 40%, quando não recomenda o plantio, e lembra que, desde a safra 2025/26, virou condição pra crédito de custeio acima de R$ 200 mil em linhas com recursos controlados, além de guiar Proagro e seguro rural, com consulta no Zarc Plantio Certo e na versão web da Embrapa.

O AGRO EM NÚMEROS

Proteína voando, açúcar caindo e soja abrindo os trabalhos

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O boi já começou 2026 metendo marcha. Até a 4ª semana de janeiro, o Brasil embarcou 183,78 mil toneladas de carne bovina e já passou o volume de janeiro inteiro de 2025, com uma alta de mais de 40% no ritmo diário. O preço médio também subiu quase 11% pra US$ 5.576,80 por tonelada e a receita total avançou 55,4%, batendo US$ 1.024.917,40, com a indústria se virando entre salvaguardas e tarifas.

E aí vem o açúcar pra lembrar que volume não paga boleto sozinho. Nos 16 dias úteis iniciais de janeiro, a média diária exportada subiu 15,9% e foi pra 108,6 mil toneladas, com 1,7 milhão de toneladas no acumulado até aqui. Só que o preço médio despencou 25,1% e caiu pra US$ 362,90 por tonelada, puxando a média diária de faturamento pra baixo em 13,3%, com US$ 39,4 milhões e deixando o acumulado em US$ 630,5 milhões.

Voltando a falar de carne, o Mato Grosso ampliou os abates de bovinos em quase 43% entre 2006 e 2025, saindo de 5,2 milhões pra 7,4 milhões de cabeças, e o ganho mais barulhento tá na idade. Os animais com até 24 meses eram 2% em 2006 e viraram 43% em 2025, com tecnologia, manejo, pasto recuperado e integração fazendo o boi crescer mais rápido do que fofoca em grupo de WhatsApp.

Pra fechar a conta do campo, a soja tá começando a engrenar na colheita. Até o fim da semana passada, a gente já tava com 4,9% da área colhida, acima dos 2% da semana anterior e também acima dos 3,9% de 2025.

DE OLHO NO PORTO

Boi com passaporte carimbado em Jacarta

GIF: Giphy

Com a China apertando o funil com cotas tarifárias, a carne bovina brasileira tá fazendo o que qualquer exportador esperto faz quando o portão fecha, procurando outras saídas. No radar aparecem Japão, Coreia do Sul e Turquia, só que com aquelas barreiras sanitárias que chegam a dar preguiça de tão chatas. Por isso, a Indonésia entrou forte nessa conta e, com cerca de 283 milhões de habitantes, virou o novo queridinho dos exportadores e da Abiec, que já tão imaginando que o consumo de carne bovina vai subir junto com o aumento da renda da população e o crescimento da classe média de lá.

O Brasil já tem 38 frigoríficos liberados pra vender pra lá, e mais de um terço dessas autorizações saiu há pouco mais de 4 meses, sinal de que o carimbo tá andando. Roberto Perosa, da Abiec, disse que deve aparecer nos próximos dias a habilitação de mais 18 unidades. Hoje, do que sai daqui e vai pra lá, majoritariamente são miúdos, disputando espaço com carne de búfalo, mas isso pode mudar com as aberturas de mercado. Do lado de lá, o governo indonésio tenta se antecipar a um déficit global de oferta de carne bovina previsto pra este ano, enquanto a Abiec vê a produção brasileira mais estável, perto de 40 milhões de cabeças abatidas.

E essa ponte não tá só no discurso, tá no número também. Em 2025, as exportações brasileiras de carne bovina pra Indonésia avançaram 176% em volume contra 2024 e subiram 145,5% em valor, segundo o ComexStat. De 2020 até 2025, o salto acumulado chega a 681,6% em volume e 732,4% em valor, e Fernando Iglesias, da Safras & Mercado, vê ali um caminho bom pra reduzir a dependência da China. A Indonésia tem uma cota de importação de 188 mil toneladas dividida entre fornecedores, o Brasil já tá no jogo e, mesmo vendendo a preços abaixo dos praticados pela China, é melhor vender um pouco mais barato do que ficar com o boi esperando convite pra festa.

SAFRA DE CIFRAS

Quem financia o setor?

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O crédito rural com dinheiro privado tá ficando um bicho cada vez maior. Até o fim de dezembro, os títulos do agro somaram R$ 1,416 tri em estoque, alta de 16% em 12 meses, segundo o Boletim de Finanças Privadas do Agro do Ministério da Agricultura. Em novembro, o número já batia R$ 1,412 tri, ou seja, o elevador continua subindo.

Quem puxou a fila foi a CPR, que cresceu 18% e saiu de R$ 475,65 bilhões pra R$ 562,9 bilhões, tudo isso espalhado em 398 mil papéis. O tíquete médio também deu um tapinha pra cima e chegou a R$ 1,41 milhão, mas, na comparação entre safras, o ritmo esfriou um pouco.

Logo atrás do líder, a LCA cresceu 16% e chegou em R$ 600,15 bilhões, mantendo o posto de principal fonte de recursos livres pro crédito rural, com pelo menos R$ 360,09 bilhões reaplicados no financiamento, alta de 39% em 1 ano. Os CRAs também subiram 17% e chegaram a R$ 178,39 bilhões, enquanto o CDCA fez o caminho contrário e recuou 16% pra R$ 31,86 bilhões.

DEU B.O.

Esse café tá amargo até demais

Foto: Rafael Torres

Trabalhadores rurais ligados à lavouras de café foram pra Avenida Paulista, em frente a uma unidade do Starbucks, nessa segunda-feira (26), protestar e denunciar casos de trabalho análogo à escravidão em fazendas de Minas Gerais. O ato foi organizado pela ADERE/MG com apoio de centrais como UGT e CUT, e focou em cobrar uma fiscalização de verdade e responsabilidade de quem lucra no topo da cadeia.

O protesto jogou luz sobre o Sul de Minas, que abastece muita marca global, mas também muita contradição, e lembrou que sustentabilidade não pode ser só etiqueta bonita. Segundo a articulação, ainda rolam informalidade, endividamento, falta de EPIs, alojamentos precários e condições degradantes, aquele pacote que ninguém posta no relatório anual de ESG. No embalo, a mobilização também marcou 22 anos da Chacina de Unaí, crime de 2004 que escancarou o risco de quem fiscaliza e o tamanho do buraco quando o Estado falha.

Pra completar, a mobilização puxou o fio internacional, citando a greve do Starbucks Workers United nos Estados Unidosq que tá rolando desde novembro de 2025, com o povo reclamando de baixos salários, jornadas imprevisíveis e práticas antissindicais. A mensagem é simples e sem espuma, se a marca quer rastrear o grão, ela também precisa rastrear o trabalho.

PLANTÃO RURAL

  • Fosfato chinês sumiu do mapa e o preço nem piscou. A StoneX calculou 5,3 milhões de toneladas de MAP e DAP exportadas pela China em 2025, queda de 18% e o menor volume desde 2013, o que segura as cotações e aperta a disputa entre importadores. No Brasil, a Conab registrou importação recorde de 45,5 milhões de toneladas de fertilizantes em 2025.

  • O Frigol passou o chapéu no mercado com selo agro. O frigorífico lançou uma oferta de CRA de R$ 200 milhões, com opção de lote extra de até 25% e emissão em até 3 séries, pra bancar a operação. A 1ª e a 2ª séries vencem em 5 anos e a 3ª pode ir até 7, com liquidação prevista pra 26/02.

  • A soja tá chegando e o milho saindo pela porta dos fundos. Com a colheita da soja avançando, o produtor precisa abrir espaço no armazém e tá vendendo milho antes da hora, o que vai ajudar a derrubar preços, segundo o Cepea. Do outro lado, o comprador tá sem pressa e espera a oferta aumentar. A safrinha já começou a ser semeada em áreas pontuais.

  • China botou cota e o setor quer regra pra não virar leilão. Frigoríficos pediram ao governo um modelo estilo Hilton pra repartir 1,1 milhão de toneladas com tarifa reduzida em 2026, usando o histórico de 2025, quando 64 plantas exportaram com regularidade. A China, porém, sinalizou gestão própria no quem exportar primeiro leva, e isso pode gerar sobe e desce de preço e arroba aqui.

SE DIVERTE AÍ

Hoje o desafio é o Contexto, aquele jogo em que você tenta adivinhar a palavra secreta chutando termos e vendo o quão perto tá pelo sentido, não pelas letras. Vale começar com palavras do agro tipo soja, boi, clima, crédito, fertilizante e ir afinando até chegar na resposta. Joga aí, testa seu dicionário e depois conta quantos chutes você precisou pra matar a charada.

VIVENDO E APRENDENDO

Resposta da edição passada: Guaraná

Pergunta de hoje: Qual cereal originário da Ásia é cultivado há mais de 8 mil anos e alimenta metade da população mundial?

A resposta você fica sabendo na próxima edição!

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