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Bom dia!
Enche a caneca, que a terça inteira do agro cabe em cinco minutinhos. O petróleo subiu de novo e a usina, em vez de comemorar, foi fazer açúcar. Uma trading global soltou o esmagador e quem sentou na cadeira foi cooperativa. O agro nunca valeu tanto, e a indústria que vende pra dentro da porteira nunca apanhou tanto. O fungicida que nasce de micróbio saiu do laboratório e chegou no registro. Subiu quase tudo na tela num dia só, e a soja subiu por causa de uma compra que nem é nossa. E a dívida rural, sim, a sua, ganhou dinheiro carimbado com prazo curto pra pegar.
Pra você começar a semana um passo à frente do mercado.
Por Luciana Stival.
TÁ QUANTO?
Os dados são publicados por BCB. A variação considerada nesta tabela é semanal.
A semana abriu com o barril caro por causa do impasse no Estreito de Ormuz, e petróleo caro não fica preso no noticiário internacional, ele desce até a lavoura. No mesmo dia o dólar devolveu parte da alta das últimas sessões e o Banco Central repetiu que o juro vai seguir apertado.
COLHENDO CAPITAL
O socorro veio com “calças curtas”

Fonte: Giphy
Um problema 13% resolvido pode ser considerado resolvido?
A Fazenda assinou a portaria que autoriza a equalização de juros e destravou R$ 25,8 bilhões para renegociar dívida rural. Parece dinheiro. Só que a carteira problemática do crédito rural chegou a R$ 197,2 bilhões em junho, e a divisão dá exatamente aquilo. Do total liberado, R$ 24,1 bilhões vão para a agricultura empresarial e R$ 1,6 bilhão para a familiar, com dez instituições autorizadas a operar, do Banco do Brasil ao Sicredi, ao Sicoob e ao Cresol.
O detalhe que não cabe na manchete é o relógio. São noventa dias de prazo para o produtor acessar a linha, e antes disso o banco ainda precisa adaptar norma interna, abrir a operação na agência e receber laudo técnico comprovando a perda. Enquanto o papel anda, o calendário não espera, porque o plantio começa já em outubro.
POR DENTRO DO MERCADO
Subiu quase tudo, e quase nada foi decidido aqui

Fonte: Giphy
Segunda-feira de tela verde, e vale reparar de onde veio cada alta. A soja de novembro operou a US$ 1,9925 o bushel em Chicago, e o que sustenta o preço é a China continuar comprando dos americanos. O milho de dezembro subiu pouco, a US$ 4,84, empurrado por calor e falta de chuva nas lavouras europeias. O trigo foi na contramão e recuou.
Já aqui dentro a conta é outra. O milho sobe mesmo com produção recorde no horizonte, porque o produtor está retraído e a colheita da safrinha chegou a 85% no Centro-Sul contra 94% no ano passado. Café em alta com a safra brasileira andando devagar. Cacau avançando mais de 5% em Nova York só porque o dólar cedeu. E a Índia deve importar volume recorde de óleo de soja em agosto.
Some tudo e dá cinco altas no mesmo pregão, com quase nenhuma nascida no Brasil. Quem mexeu no preço da sua saca ontem foi comprador chinês, importador indiano e o humor do dólar. A sua lavoura entrega o grão, mas quem assina o cheque está em outro fuso.
MENTES QUE GERMINAM
O micróbio saiu do laboratório e foi pro registro

Fonte: Canal Rural
Biológico deixou de ser promessa de feira e virou produto com registro no Mapa.
A Bioma anunciou o primeiro biofungicida brasileiro feito só de metabólitos, que é o que o microrganismo produz, não o microrganismo vivo. Mira antracnose e mancha-alvo, duas doenças que levam até 40% da soja quando o ano ajuda o fungo. São cerca de quarenta metabólitos no mesmo frasco, mais de vinte batendo direto no patógeno e dezessete acordando a defesa da planta.
O motivo de existir não é modinha verde, é resistência, porque fungicida químico repetido no mesmo mecanismo safra após safra vai perdendo eficácia. E o mercado já votou com o bolso, o biofungicida cresceu 41% e chegou a R$ 1,4 bilhão em 26 milhões de hectares.
Só que veio uma letra miúda junto: a Esalq testou fertilizante mineral com aditivo biológico e o ganho apareceu, 14,5% a mais de biomassa, mas só em solo com histórico de mata nativa ou rotação. Em pastagem e manejo convencional, quase nada. E nos Estados Unidos a proteômica mostrou que bactéria de raiz de milho muda de 20% a 60% das próprias proteínas quando sai do meio de cultura e encosta na planta. Ou seja, o bicho responde ao lugar. Complicado.
AGRO EM NÚMEROS
O corte começou na semente e chegou na fábrica

Fonte: Giphy
Se a fábrica de adubo despencou 8% no semestre, quem foi que parou de comprar?
A agroindústria fechou o primeiro semestre em queda de 0,3%, e essa calma é média de sala, a que junta o aluno de dez com o de dois. Na letra miúda a foto muda. Quem fabrica adubo, defensivo e ração caiu 8,3% no semestre e 12,1% só em junho. Quem compra do produtor foi bem, alimentos e bebidas subiram 1,1%. E o campeão do período nem virou manchete, o biocombustível, com alta de 18,1% puxada pela moagem de cana, num levantamento assinado pela FGV Agro. Só que o tombo do insumo não é mistério de estatística, tem causa com endereço. O produtor está cortando o tratamento de semente pra economizar, e a economia já aparece na oferta de quem vende semente tratada. Quando aperta, a primeira coisa que sai da conta é o que o olho não vê no talhão. Repare no desenho todo: quem vende pra dentro da porteira está apanhando porque o de dentro parou de comprar, e quem compra de dentro dela está indo bem. Não é contradição, é posição na fila. E vale um aviso, porque semente sem tratamento economiza agora e cobra na emergência.
NAS CABEÇAS DO AGRO
A ONU foi longe desta vez

Fonte: AgroMais
Terra cansa igual gente. Vai dando menos a cada ano, mesmo com você jogando o mesmo adubo. Isso tem nome feio, desertificação, e virou reunião da ONU na Mongólia, aberta ontem. Parece assunto de ambientalista. Só que 60% da terra cansada do mundo é terra de plantar e de criar gado. O problema é nosso, não deles. O Brasil chegou lá com 55 milhões de hectares nesse estado, num levantamento de 2020, e apresentou as primeiras promessas no Pavilhão Brasil. Aí vem a pegadinha, promessa ali não obriga ninguém. Cada país escolhe a sua, e no fim não tem multa. Ou seja, essa terra só melhora se o dono quiser. E o dono já está pagando por ela, porque pasto cansado engorda menos boi a cada ano, com reunião ou sem reunião. Ninguém vai te obrigar a recuperar a sua terra. Ela é que vai te cobrar.
PAUTA VERDE
O barril subiu e a usina foi fazer açúcar

Fonte: Giphy
O mesmo canavial vira açúcar, álcool ou gás, e a usina escolhe conforme o dia amanhece. Quem planta cana virou dono de uma matéria-prima com três destinos. O que você recebe depende menos do que você colheu e mais de qual porta o comprador resolveu abrir naquela semana.
Isso porque o Brent fechou a segunda a US$ 90,87 o barril, alta de 2,65%, depois do fim do memorando entre Estados Unidos e Irã e de mudanças no tráfego do Estreito de Ormuz. O WTI acompanhou, a US$ 84,50. Fóssil caro costuma puxar o álcool junto, é assim que a régua funciona. Só que a usina olhou a própria planilha e fez outra conta: a Jalles direcionou a moagem para açúcar em Minas e já enxerga uma safra mais açucareira em 27/28, ao mesmo tempo em que segurou a venda de etanol e encheu o tanque de estoque esperando preço melhor. E o álcool que sai está achando porta nova, com etanol e biometano entrando no transporte de carga em vez da bomba do carro.
PLANTÃO RURAL
A Anvisa mandou tirar um lombo suíno da prateleira: o lote 070726 da Suinco, linha Cozinha Premiada, saiu com nitrito e nitrato acima do limite, e a Resolução 3.243/2026 suspendeu venda, distribuição e consumo.
O boi de dente de leite está entregando peso de boi feito: um lote Nelore com 90% dos animais de zero a dois dentes fechou 57,6% de rendimento de carcaça em Nova Marilândia (MT), e outra boiada jovem confinada bateu 24 arrobas em São Paulo.
O governo abriu um caixa pequeno pra laranja: são até R$ 10 milhões de subvenção para as vendas da safra 26/27, por leilões da Conab, com produtor, cooperativa e indústria na mesma fila.
O fogo chegou antes do plantio em Mato Grosso: com os focos de calor disparando em agosto, a Aprosoja saiu orientando produtor sobre prevenção e combate a incêndio justamente na véspera da semeadura.
A largada da safra já tem endereço: Ipiranga do Norte, no médio-norte de Mato Grosso, vai sediar a abertura nacional do plantio 26/27, o marco que oficializa o começo da temporada.
O sul gaúcho abriu a semana no vermelho: o Inmet pôs o litoral-sul até o sudoeste do estado em alerta de grande perigo ontem, com 92 pessoas afetadas por granizo e o Centro-Oeste no extremo oposto, com umidade caindo a 12%.
A usina olhou a planilha e escolheu o açúcar: a Jalles direcionou a moagem para açúcar em Minas e já vê safra mais açucareira em 27/28, enquanto segura a venda de etanol e engorda estoque esperando preço melhor.
Um porto catarinense foi montar ponto em Xangai: o Porto de Itapoá inaugura no dia 26 um escritório de representação no principal centro financeiro chinês por US$ 100 mil, quase R$ 530 mil, para atrair carga de novos clientes.
SE DIVERTE AÍ
No Campo Minado Online cada número que aparece conta quantas minas tem em volta, e aí é só ler o tabuleiro antes de clicar. Tem até modo sem chutes, pra quem não gosta de apostar no escuro. Comece no Principiante, que o Especialista não perdoa.
VIVENDO E APRENDENDO
Resposta da edição passada: ciclo pecuário é o vaivém da oferta de boi, e ele leva anos pra virar. Com bezerro valendo bem, o pecuarista segura a matriz em vez de mandar pro abate, então falta gado agora e só sobra lá na frente, quando aquele bezerro vira boi e o preço cede. No Brasil o topo do bezerro reaparece a cada seis ou sete anos; nos Estados Unidos o ciclo passado levou dez anos pra fechar, e o atual já passou de dez sem virar. Daí o rebanho de lá no menor nível em décadas.
Pergunta de hoje: quanta água cai na sua lavoura quando o boletim marca 1 milímetro de chuva?
A resposta você confere na próxima edição!

