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Bom dia!

Enche a caneca, que a terça inteira do agro cabe em cinco minutinhos. O petróleo subiu de novo e a usina, em vez de comemorar, foi fazer açúcar. Uma trading global soltou o esmagador e quem sentou na cadeira foi cooperativa. O agro nunca valeu tanto, e a indústria que vende pra dentro da porteira nunca apanhou tanto. O fungicida que nasce de micróbio saiu do laboratório e chegou no registro. Subiu quase tudo na tela num dia só, e a soja subiu por causa de uma compra que nem é nossa. E a dívida rural, sim, a sua, ganhou dinheiro carimbado com prazo curto pra pegar.

Pra você começar a semana um passo à frente do mercado.

Por Luciana Stival.

TÁ QUANTO?

FOCUS 2026 % sem. 2027 % sem.
Câmbio (R$/US$) 5,20 0,00% 5,29 0,13%
IPCA (%) 5,02 0,10% 4,24 0,41%
PIB (%) 1,98 -0,04% 1,50 -1,31%
Selic(% a.a.) 13,75 0,00% 12,00 0,00%

Os dados são publicados por BCB. A variação considerada nesta tabela é semanal.

A semana abriu com o barril caro por causa do impasse no Estreito de Ormuz, e petróleo caro não fica preso no noticiário internacional, ele desce até a lavoura. No mesmo dia o dólar devolveu parte da alta das últimas sessões e o Banco Central repetiu que o juro vai seguir apertado.

COLHENDO CAPITAL

O socorro veio com “calças curtas”

Fonte: Giphy

Um problema 13% resolvido pode ser considerado resolvido?

A Fazenda assinou a portaria que autoriza a equalização de juros e destravou R$ 25,8 bilhões para renegociar dívida rural. Parece dinheiro. Só que a carteira problemática do crédito rural chegou a R$ 197,2 bilhões em junho, e a divisão dá exatamente aquilo. Do total liberado, R$ 24,1 bilhões vão para a agricultura empresarial e R$ 1,6 bilhão para a familiar, com dez instituições autorizadas a operar, do Banco do Brasil ao Sicredi, ao Sicoob e ao Cresol.

O detalhe que não cabe na manchete é o relógio. São noventa dias de prazo para o produtor acessar a linha, e antes disso o banco ainda precisa adaptar norma interna, abrir a operação na agência e receber laudo técnico comprovando a perda. Enquanto o papel anda, o calendário não espera, porque o plantio começa já em outubro.

POR DENTRO DO MERCADO

Subiu quase tudo, e quase nada foi decidido aqui

Fonte: Giphy

Segunda-feira de tela verde, e vale reparar de onde veio cada alta. A soja de novembro operou a US$ 1,9925 o bushel em Chicago, e o que sustenta o preço é a China continuar comprando dos americanos. O milho de dezembro subiu pouco, a US$ 4,84, empurrado por calor e falta de chuva nas lavouras europeias. O trigo foi na contramão e recuou.

Já aqui dentro a conta é outra. O milho sobe mesmo com produção recorde no horizonte, porque o produtor está retraído e a colheita da safrinha chegou a 85% no Centro-Sul contra 94% no ano passado. Café em alta com a safra brasileira andando devagar. Cacau avançando mais de 5% em Nova York só porque o dólar cedeu. E a Índia deve importar volume recorde de óleo de soja em agosto.

Some tudo e dá cinco altas no mesmo pregão, com quase nenhuma nascida no Brasil. Quem mexeu no preço da sua saca ontem foi comprador chinês, importador indiano e o humor do dólar. A sua lavoura entrega o grão, mas quem assina o cheque está em outro fuso.

MENTES QUE GERMINAM

O micróbio saiu do laboratório e foi pro registro

Fonte: Canal Rural

Biológico deixou de ser promessa de feira e virou produto com registro no Mapa.

A Bioma anunciou o primeiro biofungicida brasileiro feito só de metabólitos, que é o que o microrganismo produz, não o microrganismo vivo. Mira antracnose e mancha-alvo, duas doenças que levam até 40% da soja quando o ano ajuda o fungo. São cerca de quarenta metabólitos no mesmo frasco, mais de vinte batendo direto no patógeno e dezessete acordando a defesa da planta.

O motivo de existir não é modinha verde, é resistência, porque fungicida químico repetido no mesmo mecanismo safra após safra vai perdendo eficácia. E o mercado já votou com o bolso, o biofungicida cresceu 41% e chegou a R$ 1,4 bilhão em 26 milhões de hectares.

Só que veio uma letra miúda junto: a Esalq testou fertilizante mineral com aditivo biológico e o ganho apareceu, 14,5% a mais de biomassa, mas só em solo com histórico de mata nativa ou rotação. Em pastagem e manejo convencional, quase nada. E nos Estados Unidos a proteômica mostrou que bactéria de raiz de milho muda de 20% a 60% das próprias proteínas quando sai do meio de cultura e encosta na planta. Ou seja, o bicho responde ao lugar. Complicado.

AGRO EM NÚMEROS

O corte começou na semente e chegou na fábrica

Fonte: Giphy

Se a fábrica de adubo despencou 8% no semestre, quem foi que parou de comprar?

A agroindústria fechou o primeiro semestre em queda de 0,3%, e essa calma é média de sala, a que junta o aluno de dez com o de dois. Na letra miúda a foto muda. Quem fabrica adubo, defensivo e ração caiu 8,3% no semestre e 12,1% só em junho. Quem compra do produtor foi bem, alimentos e bebidas subiram 1,1%. E o campeão do período nem virou manchete, o biocombustível, com alta de 18,1% puxada pela moagem de cana, num levantamento assinado pela FGV Agro. Só que o tombo do insumo não é mistério de estatística, tem causa com endereço. O produtor está cortando o tratamento de semente pra economizar, e a economia já aparece na oferta de quem vende semente tratada. Quando aperta, a primeira coisa que sai da conta é o que o olho não vê no talhão. Repare no desenho todo: quem vende pra dentro da porteira está apanhando porque o de dentro parou de comprar, e quem compra de dentro dela está indo bem. Não é contradição, é posição na fila. E vale um aviso, porque semente sem tratamento economiza agora e cobra na emergência.

NAS CABEÇAS DO AGRO

A ONU foi longe desta vez

Fonte: AgroMais

Terra cansa igual gente. Vai dando menos a cada ano, mesmo com você jogando o mesmo adubo. Isso tem nome feio, desertificação, e virou reunião da ONU na Mongólia, aberta ontem. Parece assunto de ambientalista. Só que 60% da terra cansada do mundo é terra de plantar e de criar gado. O problema é nosso, não deles. O Brasil chegou lá com 55 milhões de hectares nesse estado, num levantamento de 2020, e apresentou as primeiras promessas no Pavilhão Brasil. Aí vem a pegadinha, promessa ali não obriga ninguém. Cada país escolhe a sua, e no fim não tem multa. Ou seja, essa terra só melhora se o dono quiser. E o dono já está pagando por ela, porque pasto cansado engorda menos boi a cada ano, com reunião ou sem reunião. Ninguém vai te obrigar a recuperar a sua terra. Ela é que vai te cobrar.

PAUTA VERDE

O barril subiu e a usina foi fazer açúcar

Fonte: Giphy

O mesmo canavial vira açúcar, álcool ou gás, e a usina escolhe conforme o dia amanhece. Quem planta cana virou dono de uma matéria-prima com três destinos. O que você recebe depende menos do que você colheu e mais de qual porta o comprador resolveu abrir naquela semana.

Isso porque o Brent fechou a segunda a US$ 90,87 o barril, alta de 2,65%, depois do fim do memorando entre Estados Unidos e Irã e de mudanças no tráfego do Estreito de Ormuz. O WTI acompanhou, a US$ 84,50. Fóssil caro costuma puxar o álcool junto, é assim que a régua funciona. Só que a usina olhou a própria planilha e fez outra conta: a Jalles direcionou a moagem para açúcar em Minas e já enxerga uma safra mais açucareira em 27/28, ao mesmo tempo em que segurou a venda de etanol e encheu o tanque de estoque esperando preço melhor. E o álcool que sai está achando porta nova, com etanol e biometano entrando no transporte de carga em vez da bomba do carro.

PLANTÃO RURAL

SE DIVERTE AÍ

No Campo Minado Online cada número que aparece conta quantas minas tem em volta, e aí é só ler o tabuleiro antes de clicar. Tem até modo sem chutes, pra quem não gosta de apostar no escuro. Comece no Principiante, que o Especialista não perdoa.

VIVENDO E APRENDENDO

Resposta da edição passada: ciclo pecuário é o vaivém da oferta de boi, e ele leva anos pra virar. Com bezerro valendo bem, o pecuarista segura a matriz em vez de mandar pro abate, então falta gado agora e só sobra lá na frente, quando aquele bezerro vira boi e o preço cede. No Brasil o topo do bezerro reaparece a cada seis ou sete anos; nos Estados Unidos o ciclo passado levou dez anos pra fechar, e o atual já passou de dez sem virar. Daí o rebanho de lá no menor nível em décadas.

Pergunta de hoje: quanta água cai na sua lavoura quando o boletim marca 1 milímetro de chuva?


A resposta você confere na próxima edição!

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