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Sabadou!

E a semana foi de ir atrás de porta nova, porque as antigas estavam apertando. Com a cota chinesa raspando o teto, o boi correu pra achar freguês novo, e achou: a Coreia do Sul chegou perto depois de vinte anos batendo na porta, e o acordo com Singapura entra em vigor bem hoje. No outro balcão, o tarifaço americano bateu de vez na madeira, e a queixa do Brasil na OMC deu mais em discurso do que em conta, empurrando o exportador rumo à Ásia de qualquer jeito. O custo da lavoura virou notícia por baixo: a guerra no Oriente Médio encareceu o adubo, e uma empresa brasileira resolveu remar na contramão e triplicar o próprio fosfato. E teve robô no talhão: a inteligência artificial aprendeu a achar o milho que aguenta a seca e a ler o ovo por dentro sem quebrar a casca. Isso foi só a palha de cima. O detalhe de cada uma dessas histórias tá logo abaixo, é só descer o dedo.

Chega mais que a gente coloca a semana em dia em 5min.

Por Luciana Stival

TÁ QUANTO?

  • Grãos: firme por cima, dividido no ano. A soja passou a semana pregada perto dos R$ 147 a saca e de olho em recorde de exportação e de esmagamento, enquanto a safrinha de milho já quase toda colhida ia enchendo o paiol. No acumulado do ano quem sorri é o trigo, enquanto o café amarga quase 19% de queda apesar de qualquer respiro no pregão.

  • Boi e proteína: recorde com freguês novo. A arroba seguiu lá em cima, somando quase 9% no ano, no momento em que a cota chinesa esgotava e Coreia e Singapura apareciam como compradores novos. Do outro lado, o frango sofreu lá fora e lembrou que, em proteína, quem manda no preço é o ciclo, não o balanço.

  • Câmbio e juros: promessa boa, troco pequeno. O dólar seguiu pregado nos R$ 5,20 e a inflação recuou pela quarta semana seguida, animando a Bolsa a apostar num corte de juro mais à frente. Só que a Selic segue cravada nos 14%, então pro custeio da lavoura ainda é mais promessa que dinheiro no bolso.

No placar da semana: o boi e a soja seguraram o time, o câmbio e o juro alto jogaram contra o exportador, e o café amargou de novo.

Fontes: Cepea/Esalq-USP, CME/CBOT, ICE/Nova York (Reuters), Banco Central/Focus e B3. Panorama informativo, não recomendação de investimento.

DE OLHO NO PORTO

O boi passou a semana caçando freguês novo

Fonte: CNN Brasil

Quem só tem um comprador na porta não vende, obedece, e a semana inteira foi de o Brasil correr pra não depender mais de um freguês só. Com a cota chinesa de 1,1 milhão de toneladas raspando o teto e a sobretaxa de 55% no radar, veio a fila de portas novas: a Coreia do Sul chegou pertinho depois de vinte anos batendo na mesma porteira, com missão sanitária marcada pra agosto, a JBS já assinou parceria pra usar o país como trampolim na Ásia, e o acordo com Singapura entra em vigor bem hoje, tarifa zero pra 100% das linhas. Nenhum desses fregueses substitui a China de uma vez, mas juntos mandam o recado que o pecuarista aprendeu na marra: comprador extra não é luxo, é o seguro que não se cancela. Quem tem porta em vários balcões nunca fica refém do humor de um só.

DEU B.O.

O tarifaço bateu na madeira e a OMC deu em pizza

Fonte: AGFeed

Contra tapa político, resposta jurídica não segura a mão de ninguém, e foi isso que a semana do tarifaço deixou claro. O relógio bateu a meia-noite e a tarifa pegou até a carga em trânsito, com a madeira processada desembarcando nos Estados Unidos a cerca de 37,5%, justo o elo que manda 40% da sua produção pra lá. E o americano não parou de taxar: dias antes, ainda abriu US$ 80 milhões pra engordar a própria serraria, fechando a porta pro importado com uma mão e enchendo a carteira do vizinho com a outra. O Brasil levou a queixa pra OMC, mas o próprio especialista avisou que é peça mais política que prática, porque o tribunal que julgaria isso está parado desde 2019. No fim, o plano B do exportador não é Genebra, é o mesmo da carne: achar comprador na Ásia antes que o americano se acostume com o vizinho.

NAS CABEÇAS DO AGRO

O custo do seu adubo virou refém de uma guerra distante

Fonte: Revista Cultivar

O preço do seu hectare já não se decide só na porteira, se decide num estreito do outro lado do mundo, e a semana foi prova disso. A nova escalada no Oriente Médio mexeu com o frete e o fosfatado bem na hora de comprar insumo pra safra 26/27, e a ureia importada emendou quatro semanas de alta, acumulando 14% no mês. Enquanto o mundo tremia, uma brasileira foi na contramão: a fusão que virou Massari triplicou o fosfato da mina de Pratápolis pra fincar produção nacional num país que importa mais de 80% do adubo que usa. Do outro lado do balcão, a dona de boa parte do seu defensivo já mira a bolsa em 2027, e insumo que responde a acionista cobra margem todo trimestre. Traduzindo pra sua lavoura: quem travou o adubo cedo dorme tranquilo, e quem controla o próprio insumo não passa aperto toda vez que o mundo espirra.

SAFRA DE CIFRAS

A soja vai bater recorde no ano em que parou de crescer

Fonte: Globo Rural

O agro se acostumou a resolver tudo plantando mais, e a soja acabou de mostrar que dá pra bater recorde sem abrir um hectare novo. De um lado, o Rabobank projeta área estável na safra 26/27, coisa que não acontecia há vinte anos num setor que abria lavoura a 4% ao ano. Do outro, a Abiove crava um duplo recorde pra 2026: esmagamento de 63,3 milhões de toneladas na fábrica e exportação de 115,4 milhões do grão in natura, com a trading do porto e a fábrica de farelo brigando pelo mesmo saco. A virada é essa: sem terra nova, o lucro deixa de vir do tamanho da lavoura e passa a vir de produtividade, custo e hora de vender. Menos enxada, mais planilha.

PAUTA VERDE

O selo verde virou moeda de exportação

Fonte: Globo Rural

O comprador lá fora não quer só o boi e a soja baratos, quer a prova de que nenhum dos dois saiu de floresta derrubada, e a semana mostrou o carimbo ambiental saindo do folder pra virar dinheiro. Na carne, o programa Beef on Track tentou driblar a sobretaxa chinesa argumentando que carne certificada e rastreada não é commodity comum. Nos grãos, um estudo do WRI propôs uma régua única pra rastrear soja e boi de uma vez, juntando 21 iniciativas que hoje falam línguas diferentes, de olho em agradar o volume chinês e o rigor europeu no mesmo lance. E até a palma na Amazônia, plantada só em terra já desmatada, passou folgada na lei antidesmatamento europeia. Rastreabilidade deixou de ser custo chato e virou passaporte de venda, e quem carimba o rebanho primeiro embarca na frente.

MENTES QUE GERMINAM

A inteligência artificial foi trabalhar na roça

Fonte: Canal Rural

Achar a planta valente e enxergar o que ninguém vê sempre foi trabalho de formiga, e a semana mostrou a inteligência artificial assumindo a lupa no campo. No talhão, uma equipe ligada à Fapesp e à Embrapa juntou drone, sensor e IA e achou o milho mais durão na falta d'água com mais de 90% de acerto, em seis voos no lugar de anos de medição na régua. No incubatório, pesquisadores criaram um sistema que lê o ovo por dentro sem quebrar a casca, apontando ainda nos primeiros dias se o embrião vinga e até o sexo do pintinho, cortando desperdício e o descarte de machos de uma vez. Num agro que vai encarar mais seca e mais cobrança, cada peneira dessas é safra poupada e chateação resolvida. A IA não roubou o lugar do pesquisador, só deu um par de asas pra ele.

PLANTÃO RURAL

SE DIVERTE AÍ

Sábado de resumo pede um joguinho pra destravar a cabeça sem pressa, e a dica de hoje é o Squareword, um quebra-cabeça diário de palavras em que você preenche uma grade de cinco por cinco em que cada linha e cada coluna forma uma palavra. Você vai testando letras e o jogo mostra quais estão no lugar certo, até a grade inteira fechar.

VIVENDO E APRENDENDO

Resposta da edição passada: a recuperação judicial (RJ) é o processo em que uma empresa endividada pede à Justiça um período de proteção e fôlego pra renegociar as dívidas com os credores e não quebrar, tudo sob supervisão do juiz.

Pergunta de hoje: o que é uma cota de importação, como a de 1,1 milhão de toneladas que a China aplica à carne brasileira?

A resposta você confere na próxima edição!

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