APRESENTADO POR

Bom dia!

Sexta é dia de fechar a conta da semana, e a desta semana tem lançamento dos dois lados. No crédito, o suíno entrou com a maior alta de preço em catorze anos. No desconto, a vinícola pequena vai pagar o imposto do pecado com abatimento. Na coluna de quem paga, os pecuaristas criaram uma entidade só deles para discutir de quem é a CBS de janeiro. E a linha que abre a edição é a do juro: o Copom parou a Selic, e o custo do crédito rural subiu mesmo assim. Descendo a tela tem mais.

Pra você fechar a semana sabendo quanto custa a próxima.


Por Luciana Stival

TÁ QUANTO?

MERCADO valor % dia % YTD
IBOVESPA (B3) R$166.191,45 -0,82% 3,14%
IFIX R$3.602,02 1,22% -4,68%
BEEF3 R$2,54 -2,68% -55,90%
SOJA3 R$5,92 1,20% -34,51%
JALL3 R$1,99 -1,97% -28,16%
KNCA11 R$83,70 0,76% -13,26%
BTRA11 R$68,52 1,48% 11,89%
Ethereum US$2,230.82 -7,75% -25,33%
Bitcoin US$75,727.00 -5,57% -14,28%

Os dados são publicados por BCB e Brapi.
As variações são calculadas em % diária e %YTD (Year to date)

A China só amplia as compras agrícolas dos Estados Unidos se o corte recíproco de tarifas sair do papel, e por ora carne e milho americanos entram lá no menor ritmo em anos. Na soja, o concorrente do Brasil segue a caminho de cumprir a meta prometida a Pequim.

MEXEU NO SEU BOLSO

A Selic parou em 13,75%, mas o juro do crédito rural continuou subindo

Fonte: Giphy

Quem foi ao banco esta semana atrás de dinheiro para a safra de 2027 descobriu que a notícia do Copom não chegou ao balcão.

O comitê manteve a Selic em 13,75% ao ano ontem, por unanimidade, e interrompeu uma sequência de cinco cortes seguidos. Só que o crédito do agro ficou mais caro mesmo assim, porque as taxas de médio e longo prazo subiram com força depois da eleição, e é por elas, somadas ao risco, à garantia e ao prazo, que se calcula o custo de empréstimo, debênture e operação estruturada, não só pela Selic do dia.

A Selic é a placa pregada na porta do Banco Central; o juro que você paga está escrito na curva, lá em 2028, e essa ninguém segurou. O contrato de janeiro de 2028, que antes da eleição rodava perto de 12,8% ao ano, foi para cerca de 14,4%, e os vencimentos mais longos voltaram a passar de 15%. Na ponta, a conta é mais feia: somando a Selic aos outros custos do financiamento, a taxa efetiva para quem toma crédito chega a 20% ao ano, segundo a FPA, que foi ao Vozes do Agro pedir juro menor e, portanto, fala em causa própria.

O tamanho do buraco quem mediu foi a Farsul: R$ 207 bilhões em dívidas renegociadas, prorrogadas ou atrasadas, quase um quarto de todo o saldo do crédito rural, quando no fim de 2023 era pouco mais de 5%. E o banco, com um quarto da carteira em observação, emprestou menos no trimestre do plantio: as contratações de julho a setembro caíram 22,65% em um ano.

Alívio rápido ninguém promete. O Rabobank só vê a Selic voltar a cair em março de 2027, e isso se as expectativas melhorarem até lá. O mercado é menos paciente: no fechamento de quinta, a curva dava 30% de chance de alta já em dezembro e, pelas contas do Bmg, Selic de 15% em 2027. E a consultoria que fez a conta da curva, a Zera.ag, avisa que cortar a Selic agora, sem arrumar as expectativas, poderia empurrar os juros longos ainda mais para cima e manter alto o custo do crédito que você toma.

COMO TÁ LÁ FORA?

A Nutrien culpa o crédito do produtor brasileiro pela queda na venda de adubo

Fonte: AgFeed

Quem adiou a compra do adubo para quando o dinheiro aparecer pode saber que a maior produtora de potássio do mundo percebeu, e escreveu isso no balanço.

A Nutrien lucrou US$ 288 milhões no trimestre, 39% menos que um ano antes, e no capítulo do Brasil diz que a área de soja e milho deve ficar estável ou crescer, só que a compra do produtor segue limitada pelo crédito restrito e pelo balanço dele, mais fraco. Na teleconferência de resultados, a empresa foi mais direta: o produtor brasileiro está adiando o nitrogenado porque o crédito se esgotou.

É o mesmo diagnóstico que a Mosaic deu no balanço dela, como já contamos aqui: a lavoura quer o produto, o dinheiro do produtor é que não chega. O número que dá tamanho a isso está no próprio balanço: a América Latina, onde o Brasil é o maior mercado, caiu de 47% para 40% do potássio que a exportadora dos canadenses vendeu no trimestre.

Enquanto isso, a vendedora vai baixando a porta. A Nutrien, que tinha cerca de 130 lojas de insumos no país, encerrou em setembro o varejo em São Paulo e Mato Grosso do Sul, e o CEO já tinha dito em maio que o foco do ano era definir como sair desse negócio no Brasil, decisão que ainda não é pública. E a projeção de resultado do varejo para o ano foi cortada.

Quem monta a compra de 2027 encontra dois sinais no balanço, e eles vêm de quem vende. Potássio deve ter: a empresa projeta embarques globais de 75 a 79 milhões de toneladas no ano que vem, com o teto acima do de 2026. Fosfatado é onde a própria Nutrien está perdendo dinheiro: o resultado do segmento caiu 93% e a margem bruta ficou negativa, tanto que ela vai fechar uma mina na Flórida em 2027.

NOS CORREDORES DE BRASÍLIA

A nova versão da MP das dívidas rurais chegou quase igual à primeira

Fonte: Giphy

Se você foi ao banco com a MP 1.376 na mão e saiu sem renegociar, a segunda chance veio hoje, e o texto que barrou você continua lá.

O relator Paulo Pimenta apresentou à comissão mista uma nova versão do parecer sem mudança substancial em relação ao de setembro e sem os pontos que o agro pedia. Das 144 emendas, nenhuma entrou, segundo a FPA, que fala pelos produtores barrados e por isso tem lado.

A trava que a bancada aponta é a do balcão: os bancos têm cobrado uma entrada de 10% a 15% do valor da dívida e garantias além das que já estavam nos financiamentos antigos. Enquanto isso, a renegociação desenhada para alcançar R$ 100 bilhões chegou a R$ 19,8 bilhões até quarta, menos de um quinto. E o remédio está na gaveta: dos R$ 24,6 bilhões que o Tesouro pode equalizar, só R$ 11,9 bilhões foram liberados, e Sicoob, Sicredi e Banrisul devolveram parte dos valores.

Sobre o porquê da sobra, cada lado tem a sua versão. Pela Farsul, o dinheiro sobra porque a MP foi mal desenhada, com regra que não cabe no perfil das dívidas; para um integrante do governo, sobra porque a demanda dos endividados foi atendida com recursos de outras fontes. Quem conseguiu renegociar até aqui foi, sobretudo, o grande produtor, com R$ 14 bilhões, e o gaúcho, com R$ 8,1 bilhões e mais de 39 mil operações.

O calendário é o que decide. A definição ficou para terça (10), numa conversa do relator com a senadora Tereza Cristina, e a MP perde a validade na quarta seguinte se não passar pela comissão e pelos dois plenários; pela regra atual, a contratação da linha vai até 12 de novembro. O relator disse que vai ouvir e avaliar com o governo; a bancada já admite que o voto em separado não anda, porque o presidente da Câmara não o pautaria

PAPO DE CURRAL

Os pecuaristas criaram a Unapec para não deixar o frigorífico falar sozinho

Fonte: AgFeed

No dia em que os Estados Unidos anunciaram o tarifaço, a arroba caiu R$ 25 a R$ 30, pela conta de quem cria, e, no microfone, só a indústria apareceu; é essa cena que os criadores de gado de corte decidiram não repetir.

Na quarta (4), em São Paulo, oito entidades oficializaram a Unapec, uma união nacional de criadores de gado de corte: Acrimat, Acrissul, Acripará, Apron, Acrioeste, a Assocon dos confinadores, a SRB e o Grupo Pecuária Brasil. O presidente é Guilherme Bumlai, da Acrissul, e a conta de representatividade é dele: cerca de 65% do rebanho e mais de 83% da carne exportada.

Ter 65% do rebanho e nenhum pedaço do microfone é o que a entidade quer corrigir, e a primeira pauta já tem data. Quem fatura acima de R$ 3,6 milhões por ano passa a recolher a CBS a partir de 1º de janeiro, a uma alíquota que Bumlai estima em torno de 4,53%, e ele diz que muitos produtores nem sabem disso.

Uma das alternativas que a entidade discute é diferir esse recolhimento para uma etapa posterior da comercialização, em vez de concentrar o imposto no produtor. Traduzindo, a frase que ela quer dizer é "a CBS de janeiro não é minha, é de quem vem depois de mim na cadeia".

A segunda pauta é o brinco. A identificação individual do rebanho é obrigatória até 2032, e a entidade diz ter dúvidas se essa obrigatoriedade vai valer na data, assunto que quer pôr na mesa.

Por enquanto, nada mudou na regra: a alíquota é estimativa do dirigente, o diferimento é alternativa em discussão, e nenhuma das reportagens traz a resposta da indústria ou da CNA.

Se você fatura acima de R$ 3,6 milhões, janeiro chega com a CBS na sua conta com ou sem Unapec; o que a entidade disputa é quem recolhe, e essa briga começou agora.

E ESSE TEMPO, HEIN?

O tornado de Chapecó já custa R$ 13 milhões ao agro do município

Fonte: CNN Brasil

Ontem, o prefeito de Chapecó falou em destruição total e prejuízo incalculável; hoje, a secretaria de agricultura do município calculou.

O levantamento preliminar, feito com a Epagri junto aos produtores, chega a R$ 13,02 milhões de perdas na agropecuária com o tornado de quarta. O maior pedaço é da horticultura, R$ 6 milhões, e o milho, com 4,1 mil toneladas perdidas, responde por R$ 3,74 milhões. O leite entrou na conta por outro caminho: 150 mil litros perdidos, R$ 417 mil, com a pecuária leiteira atingida pelo temporal.

O número é da prefeitura, e um dos objetivos declarados é subsidiar um eventual pedido de reconhecimento de situação de emergência ou calamidade. O município já decretou situação de emergência na própria quarta, por 180 dias, em áreas urbanas e rurais.

E Chapecó não foi o único ponto do mapa. A Defesa Civil de Santa Catarina confirmou dois tornados no Oeste, em Chapecó e em Xanxerê, e o balanço de quarta à noite somava 86 municípios atingidos e 13 em situação de emergência. Na quinta, a conta estadual já estava em 109 dos 295 municípios, e no Rio Grande do Sul um produtor de cebola de Muliterno perdeu 28 hectares e entre R$ 1,3 milhão e R$ 1,5 milhão numa chuva de granizo de terça.

Infelizmente, a próxima rodada já tem data. Pelo Meteored, um novo ciclone e uma frente fria trazem tempestades, chuva intensa e rajadas de vento a Santa Catarina entre sexta (6) e sábado (7), com rajadas de até 60 km/h, até 80 km/h no litoral, e granizo não descartado. É metade do vento que passou por Chapecó, e chega em cima de lavoura e estrutura que o levantamento acabou de contar como perda.

MENTES QUE GERMINAM

BASF e Vereda: a tecnologia chega antes da aprovação e do crédito

Fonte: TheAgriBiz

Entre o anúncio e a lavoura sempre há um intervalo, e nesta semana ele veio medido em anos.

A BASF deu nome, Nemasphere, à primeira biotecnologia de semente de soja contra nematoide, com venda no Brasil prevista a partir de 2028. Nos ensaios brasileiros, a planta controlou o nematoide das lesões radiculares, o Pratylenchus brachyurus, e só parcialmente o de cisto, e vem com tolerância ao herbicida isoxaflutol embutida.

A letra miúda está no próprio comunicado da empresa: o lançamento é sujeito às aprovações regulatórias, e o tamanho do problema que ela promete atacar, R$ 16 bilhões por ano só na soja, é conta da Sociedade Brasileira de Nematologia, não resultado da tecnologia.

A outra encomenda com prazo é goiana. A Vereda, de Rio Verde, começou a operar no início do ano e só apareceu agora, ao divulgar uma captação de R$ 30 milhões com Valor Capital, Canary e Andreessen Horowitz. A ideia é ser a revenda ao contrário: sem estoque e sem risco de crédito, ligando o produtor médio direto a dez indústrias e vivendo de uma comissão perto de 4% do que vende. A promessa ao produtor médio é o preço do grande, que compra direto; quem compra na revenda para pagar depois da colheita paga 20% a 30% mais.

Acontece que a revenda tradicional é três coisas ao mesmo tempo: loja, armazém e banco. E as três maiores redes do país estão em recuperação judicial ou extrajudicial. A Vereda quer ser só a loja, e a pergunta que o próprio AgriBiz deixa aberta é quem vai ser o banco: o piloto com um parceiro financeiro está começando agora, com testes na safrinha de milho de 2027, e uma fonte da indústria avisa que esse parceiro talvez não queira carregar o risco sem garantia.

PLANTÃO RURAL

DIVIRTA-SE

Uma placa de carro na tela, quatro países embaixo e dois minutos no relógio. A primeira ainda entrega o nome da província; a seguinte é só um H numa faixa azul, e aí você descobre quanto de estrada já viu sem reparar. Dez pontos por acerto, e a próxima placa chega antes de você pensar duas vezes. Leia as placas no Adivinhe o País pela Placa.

VIVENDO E APRENDENDO

Resposta da edição passada: o mix é a fatia da cana que a usina destina a açúcar e a fatia que vira etanol; mix açucareiro de 49,5% é quase metade indo para o açúcar.

Pergunta de hoje: o que é a curva de juros?

A resposta você confere na próxima edição!

PROGRAMA DE INDICAÇÃO

CONTATO

📧 Leitor: [email protected]

📧 Imprensa: [email protected]

Keep Reading

VOLTAR À PÁGINA INICIAL