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Bom dia!
Na edção de hoje tem leite brasileiro sofrendo com o importado jogando os preços pra baixo, IA do agro apresentando nova ferramenta, plantio de soja no final e colheita do milho começando, cigarrinha virando notícia em SC, infraestrutura dos portos dando prejuízo pro café, ADM soltando vagas de estágio, Bayer captando R$ 1 bi em Fiagro-FDIC e ciclone chegando pra bagunçar o clima no Sul
Pra você acordar bem informado
Por Enrico Romanelli
TÁ QUANTO?
Os dados são publicados por Cepea. As variações são calculadas em YTD (Year to date).
DE OLHO NO PORTO
Leite em pó gringo segue atrapalhando a vida do produto BR

Foto: Freepik
O leite em pó importado continua fazendo pressão e dando prejuízo em todo o setor leiteiro nesse começo de 2026, mesmo com as regrinhas que alguns estados soltaram pra tentar segurar a barra. O tema virou debate quente numa live do Sistema Faemg/Senar no dia 26/01, com produtor, sindicato, cooperativa, CNA e liderança política proseando e tentando achar um caminho pra não deixar a conta cair sempre no mesmo colo, o do produtor. A realidade é que mesmo com essas normas novas, o volume continua alto demais e segue apertando o preço pago ao produtor, que já tá cansado de fazer conta e ver o resultado sumir no ralo.
E a conta tá pesada porque a oferta cresceu dos 2 lados ao mesmo tempo. Em 2025, a captação no Brasil subiu 7,9%, só que as importações continuaram fortes e empurraram mais produto pra um mercado que já não tava com muito apetite. Nos últimos 5 anos, a gente importou quase 750 mil toneladas de leite em pó, e, desde 2022, a fatia do importado na captação saiu do que ficava entre 2% e 4% pra uma turma bem mais barulhenta, entre 8% e 10%.
A reação do setor virou uma mobilização pra cobrar o governo por uma solução nacional de verdade, não só um jeitinho de cada estado. Pra relembrar, Minas Gerais suspendeu o diferimento do ICMS pro leite em pó importado e outros estados embarcaram na mesma linha, como Goiás, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Mato Grosso, Alagoas e Pernambuco, enquanto Santa Catarina foi mais firme ainda e aprovou um projeto pra proibir a reconstituição do leite importado por lá.
E o problema ainda não tem solução, mas não foi a falta de tentativa. A CNA já tinha protocolado em 2024 o pedido de investigação antidumping contra o leite em pó da Argentina e do Uruguai. O governo abriu o processo daquele jeito, quase travou tudo em agosto de 2025 com uma história de que não tem similaridade, mas a articulação das federações reverteu a leitura e manteve a investigação viva, com o setor pedindo medidas provisórias pra ontem.
No Rio Grande do Sul, o termômetro do Conseleite mostra bem esse cabo de guerra. O preço de referência projetado pro leite em janeiro ficou em R$ 2,056 por litro, 1,88% acima do projetado em dezembro, que era R$ 2,018, só que o valor consolidado pago ao produtor no último mês fechou em R$ 1,9857 por litro, com queda de 3,61%. O preço do leite até sobe na teoria, mas desce no bolso e o produtor só quer um mínimo de previsibilidade pra não fechar todo mês no vermelho, mas tá difícil competir.
CAMPO ATUALIZADO
IA atualizada com sucesso

Giphy
O Jarilo, plataforma de IA criada pela Cibra, resolveu fazer o que muita gente já queria faz tempo no campo e na vida, separar conversa técnica de conversa fiada em público. A novidade é um chat exclusivo com a inteligência artificial, sem a plateia dos outros usuários, ficando bem mais perto do jeitão do ChatGPT, só que de bota e chapéu.
O Jarilo foi lançado no fim de 2024 e já tem mais de 25 mil usuários entre produtores, pecuaristas, técnicos e agrônomos. Até agora, a dinâmica era de chat aberto, parecendo um grupo no WhatsApp mesmo, onde a pessoa jogava a dúvida e outros usuários podiam meter o bedelho junto com a IA. Só que tem pergunta que não nasceu pra virar thread, principalmente quando envolve dados do próprio negócio, problema sensível ou aquele tipo de decisão que você prefere discutir longe de olhares e ouvidos curiosos.
Rafael Descio, da Cibra, resumiu o motivo sem rodeio. Pra conversa ficar profunda, com recomendação mais precisa, o usuário precisava trazer informações mais delicadas, e isso não combina com ambiente de rede social. O Jarilo continua com essa cara de comunidade, com gente compartilhando rotina e prática de campo, mas agora dá pra abrir uma linha de conversa privada com a IA e usar ferramentas que ajudam na tomada de decisão, sem medo de virar assunto da pausa pro cafezinho.
Mas não vai mudar tudo de uma hora pra outra não, o jeito de usar segue o mesmo e o produtor pode continuar fazendo o que já fazia. Tem uns mandando foto de planta doente pra IA analisar, buscando dados de plantio e colheita e até pedindo ajuda em temas técnicos do dia-a-dia. E quando fala de insumos, o Jarilo também não fica preso só ao catálogo da Cibra, ele consulta dados disponíveis inclusive de produtos concorrentes, pra tentar trazer justamente o que vai ser melhor pro produtor. E a expansão comprova que o trabalho tá sendo bem feito. A base de usuários da plataforma tá crescendo rápido, saiu de 3,5 mil pra mais de 25 mil em cerca de 1 ano, com algo perto de 2 mil novos usuários por mês.
O AGRO EM NÚMEROS
Carne premium crescendo, porto travado e cigarrinha fazendo hora extra

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A soja já tá praticamente com a lição de casa entregue. O plantio chegou a 99,1% da área no Brasil segundo a Conab, com avanço de 0,5% na semana passada. O mapa mostra quase tudo zerado em Tocantins, Bahia, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, Minas Gerais, São Paulo e Paraná, enquanto o Rio Grande do Sul ainda corre atrás com 98% e o Maranhão segura a lanterna com 83%.
E no milho o negócio tá só começando, mas ta com um ritmo bom. A Conab apontou 5,9% da safrinha semeada até sábado (24), salto forte contra os 0,8% da semana anterior, e isso puxa junto a colheita do milho verão, que foi pra 7,4% e vai abrindo espaço na fazenda conforme o calendário anda.
Só que o campo não vive só de porcentagem bonita, vive também de bichinho que enche o saco. Em Santa Catarina, a Epagri registrou 98 cigarrinhas do milho por armadilha, uma alta de 127,9% em comparação à média anterior, que era de 43. A entidade ainda lançou várias dicas de como lidar com esse B.O., vale a pena conferir pra evitar prejú.
E quando a pauta vira exportação, dá pra ver que o Brasil não perde competitividade por falta de produto, perde por falta de cais. O Cecafé calculou um prejuízo de R$ 66,1 milhões em 2025 por conta da infraestrutura portuária que deixa a desejar, com média de 55% dos navios tendo atrasos ou trocas de escala. Não adianta produzir de monte se não dá pra escoar. Esse empurra-empurra ficou bem carimbado em Santos (SP), que respondeu por 78,7% dos embarques de café em 2025 e teve 65% de atraso ou alteração de escala em dezembro, com fila de espera chegando a 82 dias, pior que fila do SUS.
No lado da pecuária o valor agregado sorri quando vê carne premium. A Carne Angus Certificada exportou 11,3 mil toneladas em 2025, alta de 260% sobre 2024, batendo ponto em 35 países, com China e Israel liderando a tabela do volume. A gente ainda vendeu lá pra fora numa média de US$ 8.505,02 por tonelada contra US$ 5.539 na média brasileira, diferença de 53%.
SAFRA DE CIFRAS
Bayer passa o chapéu com Fiagro

GIF: Tenor
Que o crédito tá difícil todo mundo sabe, mas quase ninguém faz algo pra ajudar. Pensando nisso, a Bayer resolveu dar uma mãozinha pros seus clientes. A divisão agrícola da gigante alemã captou mais ou menos R$ 1 bilhão via Fiagro-FIDC pra financiar a compra de insumos e defensivos por parte de produtores e revendas, numa operação estruturada pelo Rabobank em 2 trilhas, uma de R$ 700 milhões em real mesmo e mais uma de US$ 50 milhões em dólar, pra ninguém dizer que faltou opção no cardápio.
O esquema funciona assim, o Fiagro-FIDC compra direitos creditórios ligados às vendas da Bayer e transforma isso em financiamento com um prazo que conversa com o ciclo da safra. No pedaço em dólar, o Rabobank montou um fundo com ativo e passivo amarrados ao câmbio, feito pra quem já tem receita dolarizada e quer pagar na mesma moeda, pra não virar refém do humor do mercado quando o dólar resolve fazer cosplay de montanha-russa.
E já tem dinheiro rodando, viu. A linha em reais começou a ser liberada em outubro do ano passado, e já entrou no bolso de 152 clientes, enquanto a linha em dólar começou em dezembro e caiu na conta de mais 116. O foco ficou em Mato Grosso e no Cerrado, onde crédito some mais rápido do que vaga de estágio em multinacional. A promessa é apoiar o financiamento das próximas 2 safras pra ninguém passar aperto na hora de comprar insumo.
MENTES QUE GERMINAM
ADM abre a porteira pra aprendiz e estagiário

Foto: ADM/Divulgação
A ADM tá com as portas abertas praquela clássica renovação de elenco de começo de ano e abriu inscrições pros programas de Aprendiz e Estágio, com vagas espalhadas pelo Brasil inteiro. Tem oportunidade pra quem quer entrar no agro de crachá, indo de área administrativa até técnica, operacional e engenharia, ou seja, serve tanto pra quem curte planilha quanto pra quem gosta de botar a mão na graxa ou na terra.
A empresa promete trilhas de aprendizado, mentorias e contato direto com as lideranças, sem falar do típico aprendizado na prática que tem em todo estágio, parece simples até você descobrir que a rotina de unidade industrial não tem botão de pausa e nem ChatGPT pra tirar suas dúvidas. A ADM diz que a ideia é formar gente pronta pro setor, com ética, inclusão, inovação e responsabilidade socioambiental, e a coordenadora de RH, Ana Herbas, resumiu o perfil que eles querem, jovem curioso, engajado e com vontade real de aprender e crescer junto, porque o setor tá cada vez mais complexo e não dá pra entrar só no modo piloto automático.
Tem vaga em Campo Grande (MS), Rondonópolis (MT), Uberlândia, Ribeirão Preto, São Paulo (SP) e Primavera do Leste (MT). Pra aprendiz a maioria é em administrativo, mas também tem controladoria e fiscal. Já pros estagiários o cenário é bem mais diverso, tem vaga em utilidades, comercial, segurança do trabalho, crushing e análise de dados, e otimização de processos. Se tiver a fim de tentar a sorte, manda um e-mail com o seu currículo pra [email protected] com o nome da vaga e a cidade no assunto mesmo. Mas dá uma caprichada nesse CV antes de mandar, hein?
E ESSE TEMPO, HEIN?
Ciclone no radar e o Sul vai ganhar um banho extra

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O Sul do país vai receber um visitante bem indesejado e que entra sem nem pedir licença. Um ciclone deve se formar na costa da região entre sexta-feira (30) e sábado (31) e vai mexer com força no tempo, trazendo muita chuva e instabilidade tanto para o Sul quanto pro Sudeste, segundo o Inmet. O clima começa a embolar já na quinta-feira (29) com a pressão caindo e a umidade do oceano entrando em cena.
No mapa da água, o foco fica bem definido. No Sul, a instabilidade deve pegar principalmente o Paraná e o litoral da região nos dias seguintes, com chuva bem teimosa e insistente. No Sudeste, o grosso tende a bater no litoral de São Paulo, na Serra da Mantiqueira e em áreas de Minas Gerais, com chance de volumes altos em pontos isolados, mas sem cara de caos generalizado, do tipo que derruba o mundo inteiro de uma vez.
E não vai parar por aí, porque a baixa pressão deve esticar braço pro continente e empurrar instabilidades também pro Mato Grosso do Sul, principalmente entre sexta e sábado, então vale deixar o guarda-chuva de prontidão e o alerta ligado, porque verão brasileiro adora improviso e o ciclone veio pra bagunçar tudo.
PLANTÃO RURAL
Volta o cão arrependido, ou nem tanto. Depois de comprar cerca de 12 milhões de toneladas de soja dos EUA em 3 meses por causa da trégua com Washington, a China aumentou os pedidos do Brasil. Importadores reservaram pelo menos 25 cargas pra março e abril, puxados pela margem, já que a soja brasileira sai bem mais barata.
Bolsa em festa e batendo recorde, de novo. No embalo do fluxo estrangeiro e do IPCA-15 desacelerando pra 0,20% em janeiro, o Ibovespa fechou em novo recorde e subiu 1,79% pra 181.919,13 pontos, depois de bater 183.359,56 no intradia. Agora o mercado vira os olhos pra essa “superquarta” que vai trazer novidades nas taxas de juros do Brasil e dos EUA.
Dólar despencou, mas passa bem. Com apetite fraco lá fora e gringo comprando ação por aqui, o dólar à vista recuou 1,38% e fechou em R$ 5,2074, menor nível desde maio de 2024. A mistura inclui rotação global pra fora dos EUA e o diferencial de juros que deixa o Brasil com cara de rendimento fácil.
Crédito rural na mira por suspeita de venda casada. O TCU pode colocar na pauta desta quarta-feira (28) uma proposta de fiscalização sobre denúncias de empréstimo rural condicionado a seguro, capitalização, consórcio e afins. A ideia é olhar bancos federais, atuação do Banco Central e operações via FNO, FNE e FCO, num momento em que crédito tá caro e cheio de pegadinha.
Coamo compra silo pra não virar refém do aperto. De olho numa safra que pode ser a maior da história da cooperativa, a Coamo comprou 4 instalações no Paraná do fundo Patria por R$ 136 milhões e somou mais 220 mil toneladas de armazenagem. A conta é receber mais de 6 milhões de toneladas de soja em 2026, com a safra indo bem e pedindo só uma chuva caprichada.
ADM tenta passar adiante fábrica gigante de ração em MG. A ADM tá em negociação avançada pra vender a planta de ração de Três Corações pra Agronorte, depois de parar a unidade em 2025 por prejuízo e seguir reduzindo o negócio de nutrição animal. A fábrica tem capacidade de 520 mil toneladas por ano, e a Agronorte quer usar isso pra mais que dobrar produção e turbinar 2026.
SE DIVERTE AÍ
Hoje a brincadeira é com o Tradle, o joguinho estilo wordle da balança comercial. Você recebe a lista dos principais produtos que um país exporta e tem que adivinhar quem é o dono dessa pauta. Vale ler com olhar de agro nerd mesmo: reparou muito grão, carne e minério, já pode chutar Brasil ou vizinho forte no campo. Se pintou muito eletrônico, máquina e química, talvez seja alguém lá da Europa ou da Ásia. Bora testar se você tá afiado pra bater o olho na lista de exportações e adivinhar o país antes do sexto palpite.
VIVENDO E APRENDENDO
Resposta da edição passada: Arroz
Pergunta de hoje: Qual especiaria do Oriente Médio era usada pelos egípcios para embalsamar múmias e hoje tempera carnes e pães?
A resposta você fica sabendo na próxima edição!
