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Bom domingo!
Hoje a gente desacelera e olha pro agro que não sai na correria da semana: o que tem de história, ciência e curiosidade por trás de tudo que chega no seu prato.
Tem o milagre que fez o cerrado dar comida, a bactéria que aduba a soja de graça, o campo virando terra de startup e a raiz mais brasileira que alimenta meio mundo.
Ainda tem 5 links pra curtir com calma, um joguinho pra distrair e a agenda dos eventos que vêm por aí.
Pra você começar a semana com a bateria recarregada.
Por Luciana Stival
RURALIDADES
Clarkson's Farm: o Jeremy Clarkson, do Top Gear, larga a garagem pra tocar a própria fazenda e descobre, na marra e com muita risada, que o agro é o negócio mais difícil que ele já enfrentou.
O Sal da Terra: Wim Wenders acompanha o fotógrafo brasileiro Sebastião Salgado, que depois de retratar o pior do mundo replantou uma floresta inteira na fazenda da família, em Minas. De arrepiar.
O Homem que Plantava Árvores: a animação francesa que ganhou o Oscar, sobre um pastor que reflorestou um vale inteiro sozinho, uma árvore por vez. Baseada no conto de Jean Giono, é pura lição de paciência.
Sal, Gordura, Ácido, Calor: a chef desmonta a boa cozinha em quatro elementos e faz você enxergar o caminho do ingrediente, do campo até o prato. Ganhou prêmio e ainda virou série na Netflix.
A HISTÓRIA POR TRÁS
O milagre que fez o cerrado dar comida

Fonte: Embrapa
Todo prato farto que o Brasil serve hoje começou num lugar que os livros davam como perdido: o cerrado, de solo ácido e pobre que ninguém achava que prestava pra lavoura. Foi a ciência que virou o jogo. Sob o comando de Alysson Paolinelli, o país criou a Embrapa nos anos 1970 e desenvolveu a tecnologia que corrigiu o solo e tropicalizou as sementes, transformando o sertão improdutivo em celeiro, um feito que rendeu à dupla brasileira o World Food Prize de 2006, o "Nobel da agricultura".
Pra você medir a virada: em 1955 o cerrado tinha só 200 mil hectares de lavoura; em 2005 já passava de 40 milhões. O recado que fica é que no agro o maior insumo nunca foi a terra, foi o conhecimento, e a próxima fronteira também vai ser aberta no laboratório, não no arado.
PRA DENTRO DA PORTEIRA
A brasileira que fez a soja se adubar sozinha

Fonte: Bloomberg Linea
Enquanto o mundo briga por preço de fertilizante, a soja brasileira fabrica o próprio adubo: nas raízes vive uma bactéria (a Bradyrhizobium) que puxa o nitrogênio do ar e entrega de graça pra planta, sem um grama de ureia. Quem transformou essa mágica em tecnologia de campo foi a microbiologista Mariangela Hungria, da Embrapa, que apostou em construir a fertilidade do solo com vida, e não só com química, quando quase ninguém acreditava.
O trabalho rendeu o World Food Prize de 2025, o "Nobel da agricultura", com ela sendo a primeira mulher brasileira a ganhar. E o mais bonito é a história por trás: mãe que ouviu que teria de largar a carreira e não largou, virou a primeira mulher a presidir a Sociedade Brasileira de Ciência do Solo e abriu caminho pra outras num campo tido como coisa de homem.
Seu feito já cobre mais de 40 milhões de hectares e economiza bilhões por ano. Prova de que o maior insumo do agro é invisível, e foi uma cientista brasileira quem mostrou isso ao mundo. Isso sim dá orgulho de ser brasileiro.
MENTES QUE GERMINAM
O agro virou terra de startup

Fonte: Giphy
Quando se fala em startup, a gente pensa em escritório descolado na capital, mas o fervo agora é no campo.
O Radar Agtech Brasil, mapeamento feito pela Embrapa desde 2019, mostra um ecossistema em ebulição: o número de incubadoras do agro saltou 224% e o de aceleradoras 90%, com mais de 450 ambientes de inovação espalhados pelo país.
São agtechs mexendo com robótica, inteligência artificial, edição de genes e até blockchain pra rastrear o boi.
O recado pro jovem do agro é que dá pra ter o pé na bota e a cabeça no código ao mesmo tempo. A fazenda do futuro vai precisar tanto de quem entende de solo quanto de quem entende de dado, e muitas vezes vai ser a mesma pessoa.
PAUTA VERDE
A lavoura, o boi e a árvore no mesmo terreno

Fonte: Giphy
Parece contradição juntar plantação, gado e árvore no mesmo pedaço de terra, mas é aí que mora uma das ideias mais espertas que o Brasil deu ao mundo.
Na integração lavoura-pecuária-floresta (a ILPF), a lavoura aduba o pasto, o boi aduba o solo e a árvore faz sombra pro gado e ainda captura carbono. Um sistema alimenta o outro, e o produtor tira mais do mesmo hectare sem derrubar mata nova.
Criada e lapidada pela Embrapa ao longo de três décadas, a "revolução dos trópicos" já cobre cerca de 17 milhões de hectares, com meta de dobrar até 2030. É a prova de que sustentabilidade e lucro não estão em lados opostos: quando bem feita, a conta ambiental fecha junto com a do banco.
O AGRO EM NÚMEROS
Um a cada quatro reais vem do campo

Fonte: Giphy
Quando alguém disser que o agro é "só um setorzinho", mostre a conta: em 2025 o agronegócio respondeu por um quarto de toda a riqueza produzida no país, cerca de 25% do PIB, algo como R$ 3,2 trilhões, segundo CNA e Cepea. E não é só o grão e o boi: entra o trator que se fabrica, o frete que se paga, a agência que financia e o mercado que vende.
O número pra guardar é esse: a cada quatro reais que o Brasil gera, um nasce ligado ao campo. Da próxima vez que o telejornal tratar safra como assunto de fazendeiro, lembre que é, no fundo, assunto de todo brasileiro, inclusive de quem nunca pisou na roça.
QUAL A BOA?
A raiz brasileira que alimenta meio mundo

Fonte: AGFeed
A energia limpa anda parecendo plano de academia em janeiro: todo mundo paga a matrícula, mas poucos aparecem pra treinar. Foi o que apontou um balanço recente do setor, 2025 teve investimento recorde, mas a transição ficou fragmentada, travada por guerras e custos. Dinheiro deixou de ser o gargalo, agora o desafio é combinar política, tecnologia e ciência. E a nossa região aparece bem na foto. Com solar, eólica e, sobretudo, bioenergia (o etanol e o biodiesel que o Brasil já domina), a lavoura brasileira não produz só comida, produz energia. Qem tem cana, milho e biomassa não está na plateia, está no palco dando show.
E AÍ, BORA?
Julho
GAFFFF Sorriso (MT): a estreia do maior festival de cultura agro do mundo no coração do Centro-Oeste, com fórum, música e gastronomia do agro, de 23 a 26 de julho, em Sorriso (MT).
Coopercitrus Expo: a "casa do cooperado", com mais de 200 expositores e foco no planejamento da safra 26/27, de 27 a 31 de julho, em Bebedouro (SP).
Agosto
Agroleite: a maior vitrine de tecnologia do leite da América Latina. De 3 a 7 de agosto em Castro (PR).
Webinar: O distribuidor do agro no futuro: uma conversa on-line com o CEO da CWS Platform sobre o futuro da distribuição no agro, dia 4 de agosto, ao vivo no YouTube.
Congresso ANDAV: onde a distribuição de insumos debate o futuro do balcão do agro. De 11 a 13 de agosto em São Paulo (SP).
Fenasucro & Agrocana: a feira mundial de bioenergia, açúcar e etanol. De 11 a 14 de agosto em Sertãozinho (SP).
Beefday: encontro técnico de pecuária de corte, com análises de mercado, manejo de pastagens e nutrição animal. Dia 12 de agosto em Colina (SP).
Congresso AvAg (Aviação Agrícola / SINDAG): o maior evento mundial de aviação agrícola. De 18 a 20 de agosto em Goianápolis (GO).
Conferência Brasileira Clima e Carbono (CBCC): principal encontro do mercado de carbono e clima do Brasil, em fase de implementação pós-COP30 e regulamentação do SBCE. De 27 a 28 de agosto em São Paulo (SP).
Expointer: a 49ª edição de uma das maiores feiras agropecuárias do país reúne genética, máquinas e a agricultura familiar, de 29 de agosto a 6 de setembro, em Esteio (RS).
Setembro
Expointer: a maior feira agropecuária da América Latina. De 29 de agosto a 6 de setembro em Esteio (RS).
Feedlot Summit Brazil: o maior encontro técnico de confinamento da América Latina. De 16 a 18 de setembro em Goiânia (GO).
Fórum Pecuária Brasil: um dia inteiro de mercado do boi, do indicador do preço ao futuro na B3, reunindo frigoríficos e pecuaristas, no dia 16 de setembro, em São Paulo (SP).
Outubro
GAFFFF, Global Agribusiness Festival: o festival que junta painéis, música e gastronomia do agro num estádio. Dias 1 e 2 de outubro no Allianz Parque, São Paulo (SP).
Seafood Show Latin America: feira da cadeia do pescado e da aquicultura, com foco em sustentabilidade e mercado internacional. De 20 a 22 de outubro em São Paulo (SP).
Conferência Internacional DATAGRO (Açúcar e Etanol): o encontro que dita os rumos do setor sucroenergético, com transição energética, biocombustíveis e SAF no centro do debate, nos dias 26 e 27 de outubro, em São Paulo (SP).
Novembro
ACATE AgTech Summit: o encontro das agtechs, com foco em IA e rastreabilidade. Dia 5 de novembro em Florianópolis (SC) e online.
SE DIVERTE AÍ
Domingo pede passatempo sem compromisso, e a dica de hoje é pra quem cresceu no videogame: o Gamedle mostra a capa de um jogo toda embaralhada e vai revelando aos poucos, e você tenta cravar qual é em até seis tentativas. Tem versão por capa, por imagem e até por trilha sonora, é rapidinho, roda no celular e rende aquela nostalgia boa.
VIVENDO E APRENDENDO
Resposta da edição passada: a CPR (Cédula de Produto Rural) é um título em que o produtor se compromete a entregar uma quantidade de produto (ou o valor dela em dinheiro) numa data futura, usado pra captar recursos e financiar a safra. Virou a principal fonte de crédito do agro brasileiro.
Pergunta de hoje: de qual continente veio originalmente o café, hoje um dos maiores símbolos do agro brasileiro?
A resposta você fica sabendo na próxima edição!
