
APRESENTADO POR

Bom dia!
Bota o pé no estribo, que em cinco minutinhos você entra na semana sabendo o que já se mexeu. E se você planta no Sul, dá uma volta na lavoura antes de tudo, porque a geada desta madrugada veio com aviso de perda. O vírus que só aparecia em ave achou um bicho de sangue quente pra chamar de casa. O café do vizinho vai render menos, e o culpado não é o tremor que levou a fama. No Paraná, mais uns silos mudaram de comando sem preço no papel. A macaúba foi escalada pra virar querosene de avião antes de existir. Os inspetores europeus desembarcam hoje pra olhar o frango e o mel, e saem depois do prazo. E a porta que os Estados Unidos prometeram abrir pra carne brasileira já apanhou de quem cria boi por lá.
Pra você abrir a semana mandando na conversa.
Por Luciana Stival.
TÁ QUANTO?
Os dados são publicados por CEPEA-Esalq/USP Indicadores sob licença CC BY-NC 4.0. As variações são calculadas em % diária e %YTD (Year to date)
Washington deixou claro que topa uma moeda fraca em troca de juro longo mais comportado, e o mercado leu o recado na hora, com o ouro no maior patamar em meses e o dólar cedendo na última sessão também por aqui.
DEU B.O.
Calma, “minha gente”, deixa o homem trabalhar

Fonte: Globo Rural
Favor que ninguém pediu costuma custar caro.
A isenção saiu na sexta e apanhou da própria base. O mercado de gado deles caiu na mesma manhã. Colin Woodall, da NCBA, disse que carne subsidiada não levanta rebanho, e a senadora Deb Fischer entrou no coro. Trump devolveu que pecuarista é a "minha gente" e que eles mesmos admitem precisar de uma ajudinha.
Lá fora, Glynn Tonsor acha a enxurrada pequena demais pra mexer no preço, e David Anderson duvida que dê pra embarcar tudo a tempo. Aqui dentro, a XP aposta na Minerva e a Abiec fala em acesso melhor. Os 90 dias nem começaram, a ordem executiva ainda espera a caneta, que a Casa Branca promete em até duas semanas.
Prepare o navio, mas não pague o frete antes da canetada cantar.
DE OLHO NO PORTO
Marcaram a vistoria pra depois da mudança

Fonte: Giphy
Do dia 3 de setembro em diante, boa parte da proteína brasileira pode perder a entrada na Europa. O motivo é o remédio que vai na ração pra engordar o bicho bem sadio.
A vistoria que destrava isso começa hoje e termina em 4 de setembro. Um dia depois da porta já ter batido. É bombeiro tocando a campainha no dia seguinte do incêndio.
E quem bate o martelo só se reúne no fim do ano. Ricardo Santin, da ABPA, acha que ainda dá tempo, se a Europa decidir pelo que os inspetores virem aqui. Contamos na quarta que o boi tinha ficado pro fim da fila. Agora ele nem entra na vistoria, quem passa na peneira é frango e mel.
Aqui dentro, cada um puxa pra um lado. Frigorífico quer cortar o remédio de vez, e a conta cai na boiada inteira. Pecuarista prefere dois lotes, um pro europeu, e paga em cerca e papelada. E agora, quem poderá nos salvar?
COLHENDO CAPITAL
A Acelen já vendeu o óleo que ainda não plantou

Fonte: AGFeed
A macaúba é uma palmeira do cerrado que leva anos pra dar coquinho de onde vem o óleo, e a Acelen Renováveis apostou R$ 15,5 bilhões que dá pra transformar esse óleo em querosene de avião, numa fábrica na Bahia, e já tem comprador pra quase tudo que vai sair de lá.
O problema é o calendário: a fábrica liga em 2029 e o pé ainda vai estar novo, quase nada plantado. A estreia vai ser com óleo de fritura e óleo de soja comprados de fora. Ou seja, um projeto de coquinho baiano começando movido a batata frita dos outros.
E o decreto que criou o combustível verde de avião saiu sem dizer quem banca o incentivo, tanto que a própria empresa acendeu o sinal amarelo. "Macaúba é igual o boi, se aproveita tudo. Melhor que o boi, porque não berra", diz o vice-presidente Marcelo Lyra. Ele só esqueceu de dizer que o decreto precisa “berrar”.
NAS CABEÇAS DO AGRO
A Coamo levou as quatro que faltavam sem dizer quanto

Fonte: Giphy
Então, arrendamento costuma ser o primeiro capítulo de uma compra, não o último. Mas a Coamo, maior cooperativa agroindustrial do país, ficou na sexta com quatro estruturas em quatro cidades do norte do Paraná e dos Campos Gerais e não disse quanto pagou. Área e cronograma, também não.
Na roça, isso tem nome, chama comprar calado. Novela que já contamos aqui, em janeiro, a cooperativa pagou R$ 136 milhões por quatro armazéns que a Belagrícola arrendava, e depois assinou para tocar outras dez unidades da revenda, que vende o que pode para pagar o que deve. Uma virou compra em março, cinco cidades saíram em julho, e agora vêm mais quatro. A lista vai sendo riscada, capítulo por capítulo.
E ESSE TEMPO, HEIN?
Ninguém filmou o vilão do café colombiano

Fonte: CNN Brasil
Duas semanas atrás um terremoto sacudiu a região cafeeira da Colômbia, e todo mundo achou que a safra tinha ido junto. Contamos assim aqui mesmo.
Agora Germán Bahamón, da Federação Nacional dos Cafeicultores, diz que o tremor derrubou casa, mas não afetou pé de café. Quem está levando a culpa agora é o El Niño, o aquecimento do Pacífico que mexe na chuva do mundo inteiro.
A explicação mudou, o estrago não. A colheita colombiana vem 8% menor, e em ano normal isso empurraria o preço pra cima e sobraria pro produtor brasileiro. Só que o Brasil promete 70 milhões de sacas, e recorde projetado já derruba preço antes de virar saca no armazém. Adiantou mudar o culpado?
RADAR SANITÁRIO
A gripe aviária arrumou um hospedeiro novo

Fonte: Giphy
Dá pra trancar o galpão, telar a janela, caprichar no pedilúvio, mas não dá pra fechar o céu. No domingo, a Austrália confirmou o primeiro caso de gripe aviária H5N1 em mamífero no país, um lobo-marinho. É sinal de que o vírus está circulando forte o bastante no ambiente pra saltar de espécie.
Em granja comercial, nenhum caso. Julie Collins avisou que no mato "não é possível evitar perdas significativas". E o bicho já estava morto havia quatro dias quando o exame confirmou, ou seja, o papel chega sempre depois do campo.
Aqui a conta é outra. O Brasil é o maior exportador de frango do mundo, e o que segura a porta aberta lá fora não é o galpão, é o atestado de que a doença não entrou na criação comercial. Quase todo foco daqui está em ave silvestre. Menos mal.
PLANTÃO RURAL
O pessoal que conta espiga na mão discordou de Washington: a caravana do Pro Farmer cravou o milho americano em 389,76 milhões de toneladas contra as 406,75 oficiais, com a soja indo para um recorde de 124,43 milhões.
A lista de veneno do governo já tem preço: a minuta dos Agrotóxicos Altamente Perigosos, escrita nos critérios de FAO e OMS, fez o setor projetar até R$ 125,5 bilhões de prejuízo em soja e milho.
O adubo quer chegar no talhão com a lógica do e-commerce: a Luft, com 350 mil entregas anuais no agro, projeta até 150 mini-CDs, testando o modelo no Piauí e negociando a segunda unidade em Goiás.
A vacina que segura a morte rápida no pasto sumiu da prateleira: a falta de imunizante contra clostridiose deve durar até o começo de 2027, pelo tempo de fabricação, mesmo com produção e importação emergenciais liberadas.
O adubo importado virou assunto de palanque: os planos de governo dos candidatos à Presidência convergem na dependência de fertilizante de fora, propondo produção nacional, potássio e fosfato, bioinsumo e menos barreira de importação.
A uva entrou na Europa sem pagar pedágio: os primeiros embarques com tarifa zero saíram pelo acordo Mercosul-União Europeia, num semestre de exportação de fruta 20% maior e acima de 619 mil toneladas.
Choveu demais no trigo e a estimativa nem piscou: a Emater manteve na sexta a safra gaúcha em 2,2 milhões de toneladas, queda de 36,4%, mesmo com a umidade elevando a pressão de oídio e ferrugem.
Hoje o termômetro acordou antes do produtor: o aviso de geada em grau perigo vale das 0h às 9h, com mínima até 0°C e risco de perda de plantação na Serrana, no Vale do Itajaí e em áreas gaúchas.
SE DIVERTE AÍ
No Quem Sou Eu?, da FIFA, vão aparecendo os escudos dos clubes por onde um jogador passou, um de cada vez, e você tem seis chances de cravar o nome. Cada erro devolve uma dica de consolo, o país, a posição, o ano. Seis vidas parecem muitas até o terceiro escudo desconhecido aparecer.
VIVENDO E APRENDENDO
Resposta da edição passada: é culpa do sotaque. Os imigrantes italianos que pegaram no cabo da enxada nas fazendas de café chamaram aquele solo argiloso de terra rossa, que em italiano quer dizer só isso, terra vermelha. Brasileiro ouviu rossa e falou roxa, e o apelido pegou. Vermelha ela é de nascença, por causa do óxido de ferro do basalto que virou solo ali.
Pergunta de hoje: o que significam o H e o N no nome do vírus da gripe aviária, o H5N1?
A resposta você confere na próxima edição!
